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Ainda preconceito
e pré-conceito
Toda vez que a direita (seja
lá o que isso for)
se manifesta amenizando violências passadas,
a esquerda (seja lá o que isso é) fica eriçada.
A explicação é simples mataram o gorila
mas
deixaram o rabo de fora.
Graças a Deus no(s) qual(ais)
não creio (sempre exigi, na nossa Constituição,
pioneiramente, o direito à descrença, pois ninguém
é mais temido e perseguido no mundo do que os que não
acreditam) , não sou e não quero ser politicamente
correto. Morrerei, azar o meu, raciocinando.
Não gosto de dizer fiz isso, fiz aquilo,
mas, algumas vezes, até como autodefesa, é preciso.
Entre muitas atitudes "corretas" amizades
pessoais, declarações e escritos como "participação
especial de herói" na causa negra etc. , escrevi, em
1966, uma adaptação, para o Teatro de Ação
(negro), do chamado primeiro romance brasileiro, "Memórias
de um Sargento de Milícias". Não, não estou
falando de um espetáculo oculto. Foi um espetáculo
que resultou esplêndido, em local inesperado, o Largo do
Boticário. Dirigiu-o Geraldo Queiroz, e representaram
nele alguns ótimos jovens atores negros, dos quais vários
viraram estrelas: Antônio Pitanga, Milton Gonçalves,
Mariano Procópio, Jorge Coutinho e a linda Esmeralda Barros.
"Agradeço a oportunidade que me deram", como se diz
na babaquice costumeira, mas nem por isso vou chamar o companheiro-de-estrada
Antônio Pitanga, ex-primeiro-damo do Rio, de afro-ipanemense.
Como, ao contrário, não deixei,
no passado, de fazer, no Correio da Manhã, uma "entrevista"
com Mosche Dayan, nem, atualmente, de "defender" o sionismo
sem fronteiras de Ariel Sharon, por medo de cartas (e-meus) de leitores,
na manhã seguinte, denunciarem fulminantemente que sou anti-semita
desde criancinha.
Mas, olha, em momentos fundamentais como há
não muito tempo, não vi ninguém mais dando
destaque à sentença contra dois canalhas que em São
Paulo mataram um homossexual apenas por ser homossexual. Nenhuma
bicha ou homossexual escreveu me apoiando ou elogiando.
Mas recebi várias admoestações
uma até de Berlim apenas porque acho engraçadas
essas passeatas (em todo o mundo) de orgulho gay. Orgulho
por quê, ô pá? Que os negros reivindiquem o orgulho
de sua raça e da cor de sua pele com o mais
belo e mais sucinto slogan de nosso tempo, Black is Beautiful,
palmas pra eles, que eles merecem.
Mas estou disposto a dar calma! calma!
a mão!, à palmatória, a quem me explicar,
sem baba de raiva, de onde vem o tal orgulho. Se é pelas
reivindicações que já chegaram,
já venceram (ou querem passeata maior do que a de 300 000
participantes em Berlim, e a de 600 000 em São Paulo?) ,
tudo bem. Mas se é pra reivindicações agressivas,
cada vez mais contra vocês, os héteros, que, aliás,
não existem, "estão só com medo de sair do
armário", não vem que não tem.
Em tempo: Se persistirem os sintomas,
consulte um negão.
Ainda em tempo: Está sendo organizada,
pelos últimos remanescentes do Clube dos Cafajestes,
uma gigantesca passeata do Vexame heterossexual. (Compareça,
cara, saia do armário de cima.)
Enquanto o isso, o Lula...
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