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10 de outubro de 2007
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Internacional
Ele sai sem sair

Putin inventou uma forma de ficar no poder:
depois de presidente, será primeiro-ministro


Duda Teixeira

Natalia Kolesnikova/AFP
Putin planeja ser um poder nas sombras: tudo dentro da lei

Diante de uma Constituição que proíbe ao presidente disputar um terceiro mandato consecutivo, um autocrata tem várias opções. O venezuelano Hugo Chávez, por exemplo, tenta mudar as normas constitucionais para continuar no poder. No comando de um país mais relevante para a comunidade internacional e pessoalmente mais requintado, o russo Vladimir Putin aceita as regras do jogo – mas articula para eleger um presidente dócil e continuar a dar as cartas nas sombras. Com a popularidade em torno de 70%, é praticamente certo que ele fará o seu sucessor. Na semana passada, sua estratégia ficou mais evidente. Ele anunciou que será candidato nas eleições legislativas, em dezembro, e que espera ser nomeado primeiro-ministro pelo próximo presidente. Se tudo der certo, Putin será candidato a presidente novamente quatro anos mais tarde, com direito a tentar a reeleição. Soma-se tudo isso e tem-se duas décadas no poder.

Os planos do presidente russo não são inteiramente conhecidos. Como nos tempos soviéticos, na falta de informações confiáveis dos bastidores do poder, o que os especialistas podem fazer é observar o Kremlin e tentar entender o quadro a partir de indícios disponíveis. O cenário mais provável começou a se configurar no mês passado, quando Putin nomeou para primeiro-ministro um burocrata desconhecido, Victor Zubkov. Não chega a ser surpreendente. Nos últimos dez anos, a Rússia teve dez primeiros-ministros. Mas os kremlinologistas consideram o detentor do cargo o candidato natural à Presidência. O próprio Putin foi primeiro-ministro de Boris Yeltsin.

A estratégia do presidente russo levanta a questão de se a Rússia está condenada a viver sob governos autocráticos. "Ao dominar a política dessa forma, o presidente russo lembra o autoritarismo dos líderes soviéticos, com uma grande diferença: eles não tinham a popularidade que Putin tem", disse a VEJA o americano Daniel Treisman, especialista em Rússia da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. O apoio popular pode advir de dois fatores: primeiro, da estabilidade da economia, com crescimento anual de quase 7% desde que Putin tomou posse, sustentada pelo aumento no preço do petróleo (a Rússia é o segundo maior produtor mundial); depois, do fato de os russos – cidadãos de um país caótico – gostarem de sentir que há alguém no controle. Putin, com seu estilo mão-de-ferro, passa essa impressão. Isso explica por que a maioria dos russos vê como natural um presidente com planos de se perpetuar no poder.



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