O Senado aprova especialista
em receber sem trabalhar
Ricardo Brito
Ed Ferreira/AE
O novo diretor do Dnit: estradas
que beneficiam apaniguados
O Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), responsável
pelas estradas federais, tem um novo comandante. Na semana
passada, depois de cinco meses de análise, o Senado
aprovou a nomeação de Luiz Antonio Pagot para
dirigir a autarquia. Ex-secretário de Mato Grosso na
gestão de Blairo Maggi, seu padrinho político,
ele também ocupou postos de comando nas empresas do
governador, um dos maiores produtores de soja do mundo. Pagot
é um administrador versátil, capaz de executar
múltiplas atividades simultaneamente. Durante sete
anos, ele morou no Rio de Janeiro, foi superintendente de
uma empresa de Maggi no Amazonas e dava expediente no Senado
em Brasília. Não dava. Pagot era mesmo um funcionário-fantasma.
Recebia sem trabalhar. Ele agora vai administrar um orçamento
de 10 bilhões de reais em investimentos.
Os senadores demoraram para
aprovar o nome de Pagot porque temiam o desgaste de chancelar
a indicação de alguém com, digamos assim,
um pequeno problema de biografia. Depois do caso Renan Calheiros,
muitos se sentiram à vontade. O Dnit precisa de alguém
do ramo. Uma fiscalização do Tribunal de Contas
da União do ano passado constatou que apenas 7,9% das
obras vistoriadas não apresentam irregularidades. Quando
foi secretário de Infra-Estrutura de Mato Grosso, Pagot
implementou um controvertido programa de pavimentação
de rodovias, numa inovadora experiência de parceria
entre o governo e a iniciativa privada. O asfalto realmente
apareceu, mas somente nas áreas de interesse dos produtores
de soja, familiares e amigos do governador.