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10 de outubro de 2007
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Quando, nos isteitis, houve o escândalo de
Watergate, os engraçadinhos perguntavam:
"Você compraria um carro usado do Nixon?".
Pois, olhem, eu, do Renan Calheiros,
não compraria nem um carro novo.

OLHAÍ, MACHADO, ESTA, SIM, É A GLÓRIA QUE FICA, ELEVA, HONRA E CONSOLA.

Conheci Vinicius de Moraes a vida toda. Ele nasceu no dia da inauguração do bondinho do Pão de Açúcar.

Eu, quando nasci, Lindbergh estava se preparando pra cruzar o Atlântico Norte, daqui pra lá. Gago Coutinho tentava fazer o mesmo no Atlântico Sul. De lá pra cá.

Depois estivemos juntos, Vinicius e eu, esqueçam Lindbergh e Gago Coutinho, dentro de uma cabine de transmissões telefônicas internacionais – Radional – com menos de um metro quadrado, os dois apertando a chilena Gabriela Mistral no momento em que ela agradecia para o mundo o prêmio Nobel.

Depois estivemos em Londres, ou no Lido de Veneza e, muito mais tarde, quando ele "morava" em Arembepe. Mas, presos em missões, estivemos juntos também, durante mais ou menos três meses, em Hollywood, Los Angeles (Santa Maria Porciúncula de), onde ele era cônsul. Consumimos juntos César Lattes, que tinha acabado de descobrir o méson pi, e convivemos algumas vezes com Carmem Miranda, que jogava canastra comigo e seu marido, David Sebastian. Vinicius me levava a festinhas e a ver Nat King Cole, tocando piano num boteco, sem o trio.

Só agora me mandam este poema que Vinicius me dedicou, vejam só!, e que não resisto a reproduzir.

Obrigado, Vinicius.

 

A você, meu caro Millôr Fernandes,
(Poeta íntimo, homem triste, grande humorista, mais conhecido por Vão Gogo, às vezes)
A você, que me pede o poema da minha tão sonhada volta

Ao Rio,
Eu direi humildemente: faço.
Não é fácil, mas faço. Sem dúvida melhor fora
Sair por aí transpirando e sonâmbulo, os braços estendidos
A todos os azuis, os pés indiferentes a todos os abismos,
a aspirar, de olhos cerrados,
Os úmidos perfumes desta cidade de infinitas paciências
E fragrâncias. Entretanto
Coisa grave é um poema, e eu me dedicarei provisoriamente
A tão duro dever. Nada lhe prometo, porém,
Nada de bom, de vez que ora sou apenas o filho pródigo e
Sinto-me inda obnubilado
De beleza.
Ah, nada mais doce que essa sensação de pousar a cabeça
No colo morno da pátria
E deixar-se estar olhando o céu – como no Arpoador,
Onde se morre a cada instante ante o dilema
Natureza e mulher. Que coisa, Millôr Fernandes,
A mulher no Rio! Quantas cortinas
De veludo nos seus olhos, e com que maciez são abertas
Até a vida! Que delícia, Millôr Fernandes!
Que grande delícia! A ela, antes e primeiro – salve!
E salve lindo! Por ela tudo: poema, alaúzas, ombro-armas,
Mortes, ressurreições.

 


 



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