BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2029

10 de outubro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Gustavo Ioschpe
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Auto-retrato
Piero Badaloni

Roberto Setton


Nos anos 80, Piero Badaloni foi uma espécie de William Bonner da TV italiana. Por cinco anos, atuou como âncora do telejornal mais visto do país, na rede estatal RAI. Desde o ano passado, está à frente da RAI International, que tem a missão de fornecer entretenimento e notícias da Itália para emigrantes e descendentes ao redor do mundo. Em entrevista ao repórter Marcelo Marthe, Badaloni, de 61 anos, fala de televisão, política e das mudanças no canal.

O SENHOR INICIOU SUA CARREIRA NO JORNALISMO NO COMEÇO DOS ANOS 70, QUANDO UM ÚNICO CANAL DA RAI, DOMINADO PELO PARTIDO DA DEMOCRACIA CRISTÃ, TINHA O MONOPÓLIO DA TV NA ITÁLIA. DEPOIS A EMISSORA FOI DIVIDIDA EM TRÊS CANAIS, O QUE DEU VOZ A OUTROS PARTIDOS. ESSE MODELO É BEM-SUCEDIDO?
Sim, pois passamos de uma situação em que o público não tinha escolha para um cenário de pluralidade. Em vez de um telejornal, passamos a ter três, com maneiras diferentes de abordar cada questão. Creio, porém, que nos últimos anos houve uma pressão excessiva, uma invasão do serviço público de televisão pela política. Por isso, neste momento, tentamos reencontrar nossa autonomia em relação aos partidos. Uma coisa é oferecer programas culturalmente diversos. Outra coisa é lotear um canal para uma agremiação política. Isso é errado.  

POR QUE NA ITÁLIA TELEVISÃO E POLÍTICA PARECEM ESTAR MAIS LIGADAS DO QUE EM QUALQUER OUTRO LUGAR?
Porque, em minha opinião, os partidos italianos foram além de suas tarefas, de seus deveres. Os partidos querem conquistar consenso para os seus projetos. Mas, se usam uma TV pública como ferramenta para conquistar esse consenso, prejudicam a democracia. Isso aconteceu na Itália com Silvio Berlusconi e me parece que a mesma coisa está em curso na Venezuela. São anomalias que considero preocupantes.  

QUAL É O PAPEL DE UMA EMISSORA COMO A RAI INTERNATIONAL?
Como todas as grandes emissoras públicas européias, temos, antes de mais nada, o papel de promover a Itália no mundo – o "made in Italy" cultural, artístico e, por que não, empresarial. Ao mesmo tempo, somos um ponto de conexão com as comunidades italianas que vivem em outros países.  

QUAL É O PERFIL DOS ESPECTADORES AO REDOR DO MUNDO?
Principalmente emigrantes italianos. Mas nosso objetivo a partir de agora é alcançar as gerações mais jovens, os descendentes desses emigrantes, bem como estrangeiros que amem a Itália. Para isso, vamos usar legendas. Legendas em italiano em programas infantis, pois desejamos manter a ligação das crianças com a língua italiana. E, a partir de janeiro, também legendas em inglês, sobretudo no noticiário. Estudamos ainda a possibilidade de fazer parcerias com emissoras locais de alguns países, como o Brasil, e assim criar programas com material específico.  

ANTES DE DIRIGIR A RAI, O SENHOR ATUAVA – E AINDA ATUA – COMO APRESENTADOR NA EMISSORA. O QUE FAZ UM BOM ÂNCORA?
O âncora, acima de tudo, deve se expressar com clareza. Muitos comentaristas gostam de usar jargão. Falam em "esportivês" ou "politiquês", o que impede que alguns espectadores entendam o que estão dizendo. Isso é um pecado em comunicação.  

A RAI INTERNATIONAL TEM UMA PROFUSÃO DE PROGRAMAS DE AUDITÓRIO E MUSICAIS. A PROGRAMAÇÃO NÃO PODERIA SER MAIS EQUILIBRADA?
Concordo com essa avaliação. E é exatamente isso que a nova programação, que está entrando no ar agora, procura corrigir. Reduzimos a parte de shows e demos mais atenção à cultura, à arte, às notícias. Haverá um programa sobre a língua, outro sobre música clássica e um ainda que se chama Italia Bella, que valoriza o patrimônio cultural do país e incentiva o turismo.  

COMO É FEITA A SELEÇÃO DAS APRESENTADORAS DOS PROGRAMAS DE AUDITÓRIO? NÃO HÁ UMA SEQUER QUE NÃO SEJA DESLUMBRANTE.
Então vocês no Brasil já perceberam isso? Digamos que se tornou uma tradição. A emissora se empenha para encher os olhos da audiência com essas belas mulheres.



  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |