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Edição 1 721 - 10 de outubro de 2001
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Guerra é guerra

Correspondente da CNN
é contratado pela Fox

 
Harrigan: deserção em pleno Afeganistão

Na semana passada, antes de surgir qualquer sinal concreto de guerra no Afeganistão, a rede americana CNN já registrava uma baixa em suas fileiras. Ou melhor, uma deserção. Steve Harrigan, um dos correspondentes que o canal de notícias mantinha no norte do país, resolveu trocar de emprego no fragor da cobertura. No domingo 30, menos de 24 horas depois de comunicar a seus chefes em Atlanta que partiria para "novos desafios profissionais", ele fez sua estréia em outra emissora. A surpresa: trata-se da arqui-rival da CNN nos Estados Unidos, a Fox News. Desde os atentados em Nova York e Washington, a Fox vinha apanhando feio nos índices de audiência. Para tirar o prejuízo, precisava neutralizar um dos maiores trunfos na cobertura da CNN: as reportagens exclusivas enviadas do Afeganistão por Harrigan e pelo colega Chris Burns. Despachar um profissional de seus quadros para lá não seria tarefa simples. Há uma "lista de espera" com mais de 200 jornalistas do mundo inteiro, que anseiam por uma autorização dos rebeldes da Aliança do Norte para entrar no Afeganistão. A opção de penetrar em território afegão clandestinamente é muito arriscada – uma repórter do jornal inglês Sunday Express resolveu bancar a esperta e foi presa pelo Talibã sob acusação de espionagem. Ao contratar Harrigan, um veterano com dez anos de CNN, a Fox driblou esses contratempos. E foi rápida no gatilho: já enviou ao repórter sua principal ferramenta de trabalho, o videofone, uma engenhoca capaz de transmitir sons e imagens por satélite. Com o negócio, a Fox deu o troco à recente contratação de uma de suas estrelas, a loiríssima apresentadora Paula Zahn, pela CNN. O valor de seu passe foi de 2 milhões de dólares. Não se sabe quanto Harrigan vai ganhar no novo emprego, mas seu empresário (pois é) não nega o óbvio: ele recebeu um "substancial" aumento de salário. Como disse o chefão da Fox News, Roger Ailes, este é um momento em que "mais vale um correspondente no Afeganistão do que uma âncora em Nova York". Em tempo: a CNN já substituiu Harrigan por Matthew Chance.

   
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