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Inferno e paraíso
Uma
exposição na Holanda traça
um panorama da arte do flamengo
Hieronymus Bosch
Fotos divulgação
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A
Nau dos Loucos, que fazia
parte
de um tríptico, e São João Batista:
só existem 25 pinturas atribuídas
a Bosch. Dezoito delas estão
na mostra holandesa
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Uma
pequena parte das obras do pintor flamengo Hieronymus Bosch, autor do
magnífico painel Jardim das Delícias, conseguiu sobreviver
às vicissitudes do tempo. "Pequena", no caso, não é
força de expressão: existem apenas 25 pinturas atribuídas
a Bosch. Dezoito delas estão reunidas numa exposição
no museu Boymans, da Holanda. É a primeira vez que se vêem
tantos originais do artista lado a lado. Em paralelo, podem-se apreciar
quadros de seus contemporâneos e peças de gente influenciada
por ele do surrealista espanhol Salvador Dalí ao cartunista
americano Robert Crumb.
Sabe-se pouco da vida de Bosch (1450?-1516). Nascido Hieronymus van Aken,
ele adotou o sobrenome artístico em referência à cidade
natal, 's-Hertogenbosch. Seu avô, seu pai, seus irmãos e
primos, todos eram pintores e mantinham um ateliê de prestígio
na cidade. A exposição atesta que Bosch foi um moralista
genial. Dois temas antípodas o dominavam: a busca humana do prazer,
a expensas do espírito, e o ideal de uma vida monástica,
dedicada a Deus. Ao lado de imagens de santos e personagens bíblicos,
Bosch pintou homens comuns, quase sempre rodeados de figuras demoníacas
que os tentam e ameaçam. Mas também havia lugar em sua obra
para imagens luminosas, das quais a mais resplandecente é Jardim
das Delícias, que não integra a mostra holandesa. Continua
bem guardada no Museu do Prado, em Madri.
A exposição do museu Boymans é um exemplo de como
as técnicas científicas têm influenciado o conhecimento
da arte. Bosch raramente assinou e datou seus trabalhos. Por esse motivo,
a atribuição de sua autoria é um problema e tanto.
A radiografia, o infravermelho e a dendrocronologia (avaliação
da idade da madeira) permitiram avanços nesse sentido. Durante
a preparação da mostra, descobriu-se que o quadro As
Bodas de Canaã não é de Bosch foi pintado
pelo menos meio século depois de sua morte. Confirmou-se, ainda,
que quatro obras autênticas, vindas de coleções distintas
ao redor do mundo, constituíam originalmente um tríptico
forma, aliás, que representa o apogeu artístico de
Bosch. As obras A Nau dos Loucos e a Alegoria da Glutonice compunham
o painel lateral esquerdo. Do lado direito ficava a Morte de um Avaro.
Fechadas as laterais, surgia, como uma espécie de tampa, O
Andarilho. Uma quinta pintura deveria ocupar o espaço central
do tríptico. Não há pistas de como seria ela. Todas
as informações sobre essa peça se perderam. Pela
primeira vez em séculos, os painéis remanescentes estão
juntos novamente. Mas só até o dia 11 de novembro, quando
termina a exposição.
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