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Perfil O MITO ETERNIZADOLizia Bydlowski Daqui a cinqüenta
anos, quando alguém for contar a história de Diana, a
princesa de Gales, talvez seja difícil explicar a
comoção mundial que despertou, em vida e na morte
trágica. Diana se casou muito bem e se divorciou muito
mal Para os cínicos,
os de coração duro e mente ferina, ela podia ser
realmente uma moça fútil, obcecada por roupas da moda,
participante voluntária de uma farsa que a transformou
em modelo de noiva virginal, primeiro, e depois em ícone
no qual se projetavam os sonhos e frustrações de
milhões de mulheres comuns, que não tinham sua beleza,
nem seu status, nem seu dinheiro. Para os outros, que
não estavam preocupados em dissecar mitos, ela era uma
fonte de diversão, de alegria, de encantamento, de
empatia. A jovem mal saída da adolescência, escolhida
como Cinderela pelo herdeiro do trono inglês, ia se
casar, envolta em nuvens de seda marfim e véus
cerimoniais O fascínio de
Diana se ancorava em dois fatos que, conjugados, lhe
conferiam uma posição única: ela era bela e era
princesa, princesa de verdade, da monarquia mais
prestigiada do mundo ocidental, não de um playground de
ricos como a Mônaco de Grace Kelly. Qual menina não
cresceu ouvindo histórias de princesas de olhos azuis,
as mais lindas de seus reinos? Diana era o retrato
moderno dessa imagem ancestral. Desde o momento em que
apareceu pela primeira vez como a escolhida por Charles,
na foto famosa em que segura duas crianças da escolinha
maternal onde era professora, olhar tímido de baixo para
cima, as pernas bem delineadas pelo tecido fino da saia,
fotografada na contraluz, ninguém teve dúvidas. Essa,
sim, era uma princesa, ou a idéia que se tem de uma
princesa, não aquelas senhoras com roupas antiquadas e
feições eqüinas da família real. Bela e única, ela
tinha mais outra característica rara, que desde os
primórdios do cinema se tenta definir como star
quality, o brilho especial que, entre milhares de
mulheres bonitas, faz com que apenas uma se firme como
estrela. É difícil de explicar, mas quem alguma vez viu
Diana entrar em qualquer lugar que fosse, num salão de
recepções, num hospital ou numa chatíssima fila de
cumprimentos oficiais, não ficou com a menor dúvida A transformação de Diana nessa mulher fascinante, capaz de embasbacar o mais sofisticado dos esnobes, foi acompanhada pelo mundo inteiro. Ao surgir como namoradinha dos sonhos do príncipe Charles, no final de 1980, lady Diana Frances Spencer era uma jovem de 19 anos bonitinha e de família aristocrática, que vivia em um apartamento próprio em Londres com mais três colegas. Trabalhava três vezes por semana no jardim-de-infância, fazia bicos como babá nas horas vagas, adorava as aulas de balé, deixava roupas jogadas pela casa, comia muita massa e chocolate e tinha de estar sempre de olho na balança, para manter a forma enquanto praticava o esporte próprio para sua classe e idade: procurar marido. Um marido de verdade, para a vida toda, que a amasse incondicionalmente. Esse é o sonho de qualquer garota sem maiores ambições, mas para ela tinha um peso total, absoluto. Ah, como Diana
queria ser amada O príncipe nunca foi equipado para enfrentar uma mulher assim. Criado para cumprir estritamente seus deveres de herdeiro real e manter a compostura em qualquer circunstância, ele se interessa por ecologia, arquitetura, vida ao ar livre segundo os padrões da aristocracia e música clássica. É capaz de cumprimentar várias centenas de pessoas por dia e dizer uma frase gentil a cada uma delas. Diana, que só estudou até os 16 anos e certa vez se declarou, faceiramente, "burra como uma porta", tinha o calor humano que faltava ao ex-marido. "Todos os discursos sobre a floresta tropical e a arquitetura dos centros urbanos empalidecem diante da mulher mais popular da Inglaterra", resumiu o escritor Anthony Holden, autor de uma biografia sobre o príncipe. Foi em cima dessa
empatia natural que Diana desenvolveu a face mais bonita
de sua personalidade Tudo inútil. Diana
deixou uma imagem de personalidade pública que se
preocupava realmente com a infelicidade alheia, e
qualquer pessoa que já tenha visto um político em
campanha sabe dizer a diferença entre o verdadeiro e o
encenado. Ninguém sabia, como ela, pegar uma criança no
colo, consolar um enfermo, comover-se diante de uma
vítima da guerra ou das minas terrestres, sua última e
mais difundida causa. Segundo confidentes, com quem
conversou pouco antes do encontro trágico com o destino
num túnel de Paris, até essas causas, no entanto, ela
pretendia abandonar. Diana achava que tinha encontrado o
amor, todo aquele amor que não teve do marido
indiferente, da mãe ausente, do pai distante. O amor que
contou para o mundo há menos de dois meses, quando, sem
dizer palavra, exibiu o namoro com Dodi Fayed, o playboy
milionário, muçulmano e nascido no Egito A princesa parecia
relaxada e contente nos passeios de iate com Dodi,
fotografados a distância por um batalhão de papparazzi.
Segundo os amigos, andava felicíssima e falava em se
casar e ter mais filhos. A modelo Cindy Crawford, sua
amiga desde que Diana a procurou para lhe apresentar
William, fã da beldade americana como qualquer garoto da
sua idade (e qual não se desmancharia com uma mãe
assim?), revelou que ela e Dodi vinham se encontrando há
quase um ano. William e Harry, os filhos adorados, iam se
encontrar com a mãe em Londres, no domingo, para
aproveitar os últimos dias de férias. Se o caso fosse
adiante, a família do ex-marido certamente iria fazer
cara feia
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