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Leitor
Vingança Excelente a reportagem
"O dilema entre o perdão e a vingança"
(3 de setembro), sobre essa mortal vontade de fazer justiça
com as próprias mãos. Mesmo diante da explicação
de filósofos e estudiosos do caso, dói-nos quando
a Justiça não pune um agressor ou infrator que
nos causou um mal. Sentimo-nos humilhados e derrotados, daí
nos vem a "sede de vingança". O assunto é
complicado. Vingar-se de ofensas
sofridas é atávico, instintivo, próprio
da natureza humana. No entanto, o homem é também
um animal gregário, social. O psiquismo humano desenvolveu
o poder de suplantar as meras reações instintivas.
Com isso, o homem pode escolher uma via de legítima
superação da ofensa recebida. Primeiro, compensa
o agravo buscando novas fontes de auto-sustentação
e de auto-respeito. A seguir, despreza o agressor e dele se
afasta em caráter definitivo. Logo, lambe as feridas
e supera o desacerto relacional sublimando com atitude mais
nobre e mais evoluída. Perdoar é difícil
e raro. Mas superar e sublimar está disponível
às pessoas civilizadas. A vingança
é como um tumor maligno. Se não extraído
logo, vai crescendo e tomando conta do corpo. Como a doença,
ela acaba com a alegria e o equilíbrio da própria
pessoa, deformando-a completamente. A vingança é
uma agressão contra si mesmo. Se aparentemente satisfaz,
na verdade ela não faz nenhum bem para a saúde
e a felicidade de ninguém. A vingança
geralmente é uma resposta a alguma humilhação
por nós sofrida. A pessoa humilhada nem sempre responde
imediatamente com a vingança, muitas vezes leva anos
para concretizar seus planos. Nem sempre ela é um prato
que se come cru, às vezes demora muito para ser cozido
e digerido. Em toda vingança há sempre um pouco
de mágoa arquivada.
Espionagem
É impressionante
como a cada dia descemos mais no caminho que nos leva, com
nossas instituições, rumo ao precipício.
Essa coisa de grampear boa parte dos ocupantes do Palácio
do Planalto me parece disputa de quadrilhas de mafiosos e
não combina em absoluto com um país que se quer
democrático ("A Abin gravou o ministro",
3 de setembro). Escutas telefônicas
ilegais são atos terroristas contra o estado de direito.
As instituições democráticas brasileiras
têm de atuar energicamente para evitar que a Agência
Brasileira de Inteligência se comporte como uma "Abin
Laden". Se nossa democracia
fosse séria, esse episódio seria tratado da
mesma forma que o foi nos Estados Unidos, quando agentes do
partido do presidente foram pegos espionando o partido de
oposição (caso Watergate) e o presidente teve
de renunciar ao cargo.
Gustavo Ioschpe O artigo "Preparados
para perder" (3 de setembro) é uma verdadeira
pérola de senso crítico e espírito prático.
Diagnostica com precisão o viés ideológico
que impregna historicamente a sociedade brasileira, chumbando-nos
ao solo e impedindo-nos de alçar vôos culturais,
tecnológicos, científicos e desportivos, sobretudo
porque perpetuado por uma escola amolecedora do caráter.
Não me lembro
de ter lido antes uma síntese tão bem elaborada
sobre o comportamento dos brasileiros e suas conseqüências.
Acredito que somente depois de adquirirmos uma consciência
social dessa realidade conquistaremos nosso espaço
no cenário mundial. Análises como essa têm
de ser repetidas em todas as mídias, nas escolas e
dentro das casas. Não é possível realizar
melhorias profundas e definitivas sem diagnósticos
sinceros e precisos.
Tocantins Em relação
às recentes nomeações no Diário
Oficial de funcionários já falecidos ("Emprego
até para morto", Holofote, 3 de setembro), a Secretaria
de Estado da Comunicação esclarece que: 1) Diante
da necessidade de cumprir a determinação do
Supremo Tribunal Federal, de demitir os funcionários,
os procedimentos adotados no processo de exoneração
e posterior nomeação tiveram como prioridade
o quesito agilidade; 2) Já adotou, antes mesmo da publicação
da nota na revista VEJA, as medidas necessárias para
reparar o ocorrido, através da publicação
no Diário Oficial de ato anulando as referidas
nomeações; 3) As nomeações foram
feitas considerando a hipótese de haver possíveis
ajustes, a exemplo desse, já reparado tão logo
percebido pelo cruzamento de informações da
Secretaria da Administração e da Casa Civil;
4) Essas nomeações não ocasionaram danos
financeiros ao estado.
Lya Luft O artigo de Lya
Luft tocou num ponto essencial. Normalmente, só
cobramos vitórias dos nossos atletas e nos esquecemos
de que, do outro lado, ou seja, do concorrente, também
há uma torcida que chora, um atleta que quer e precisa
vencer, que olha para os céus e pede a Deus que o ajude,
que é cobrado por seu país, que quer dedicar
o resultado à sua família. Portanto, num dia
se ganha, no outro se perde. Faz parte da beleza do esporte,
que por isso move multidões.
Aborto A entrevista que
a jornalista Adriana Dias Lopes fez com o ministro Marco Aurélio
Mello é extraordinária. Ele é um homem
culto, de rara sensibilidade e muito inteligente. Fico um
pouco preocupado com seu otimismo. Preciso reconhecer, entretanto,
que ele tem uma visão ampla do país e do STF
("Pelo fim da hipocrisia", 3 de setembro). A posição
do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal
Federal (STF), com relação à interrupção
da gestação em casos comprovados de anencefalia
é consistente tanto do ponto de vista técnico
como do ponto de vista ético. O método de diagnóstico
por imagem utilizado para detectar a anencefalia é
a ultra-sonografia. Do ponto de vista técnico, pode-se
afirmar que, nos rastreamentos por exames ultra-sonográficos
realizados entre dez e catorze semanas e repetidos entre dezesseis
e vinte semanas, todos os casos de acrania/anencefalia observados
foram diagnosticados no primeiro exame. Portanto, a possibilidade
de que a anencefalia não seja diagnosticada durante
a gestação é remota.
Chocolates A reportagem "Um
doce monopólio" (27 de agosto) retratou muito
bem a questão da aquisição da Wrigley,
ainda em fase de aprovação final pelas autoridades
competentes. Entretanto, ressalto que nossos chocolates são
mais robustos e justamente por isso mais resistentes ao calor.
Dessa forma, as condições das estradas brasileiras
e do calor nunca representaram um problema para nós.
História Sobre a reportagem
"Quem dá mais por Rothschild?" (20 de agosto),
informo que sou um Goldschmidt-Rothschild. Não tenho
nenhum direito, ou participação, à fortuna
da família Rothschild, como muitos estão pensando.
Sou uma pessoa que na infância teve uma vida de conforto,
mas no Brasil passei e passo por dificuldades financeiras,
como qualquer pessoa. Sou mais um na multidão, tirando
o peso do nome que carrego. Não herdei nenhuma fortuna.
Aliás, possuo muitas dívidas que não
tenho nem condições de pagar. Estou sofrendo
perseguições e até ameaças por
acharem que sou milionário.
Correção: a seção VEJA Recomenda da edição de 16 de julho é ilustrada por uma foto cuja legenda diz tratar-se do falsário Van Meegeren, citado na resenha do livro Eu Fui Vermeer. Na verdade, a foto publicada é do escritor John Berger, autor do livro Aqui Nos Encontramos, resenhado na mesma seção.
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