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Edição 2077

10 de setembro de 2008
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Assuntos mais comentados
Vingança (capa) – 50
Espionagem – 42
Gustavo Ioschpe – 39
Aborto – 24
Lya Luft – 15

Vingança

Excelente a reportagem "O dilema entre o perdão e a vingança" (3 de setembro), sobre essa mortal vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Mesmo diante da explicação de filósofos e estudiosos do caso, dói-nos quando a Justiça não pune um agressor ou infrator que nos causou um mal. Sentimo-nos humilhados e derrotados, daí nos vem a "sede de vingança". O assunto é complicado.
Mário Lúcio Caldeira de Faria
Montes Claros, MG

Vingar-se de ofensas sofridas é atávico, instintivo, próprio da natureza humana. No entanto, o homem é também um animal gregário, social. O psiquismo humano desenvolveu o poder de suplantar as meras reações instintivas. Com isso, o homem pode escolher uma via de legítima superação da ofensa recebida. Primeiro, compensa o agravo buscando novas fontes de auto-sustentação e de auto-respeito. A seguir, despreza o agressor e dele se afasta em caráter definitivo. Logo, lambe as feridas e supera o desacerto relacional sublimando com atitude mais nobre e mais evoluída. Perdoar é difícil e raro. Mas superar e sublimar está disponível às pessoas civilizadas.
Marco Aurélio Baggio
Psiquiatra
Belo Horizonte, MG

A vingança é como um tumor maligno. Se não extraído logo, vai crescendo e tomando conta do corpo. Como a doença, ela acaba com a alegria e o equilíbrio da própria pessoa, deformando-a completamente. A vingança é uma agressão contra si mesmo. Se aparentemente satisfaz, na verdade ela não faz nenhum bem para a saúde e a felicidade de ninguém.
Gilberto dos Santos
São Paulo, SP

A vingança geralmente é uma resposta a alguma humilhação por nós sofrida. A pessoa humilhada nem sempre responde imediatamente com a vingança, muitas vezes leva anos para concretizar seus planos. Nem sempre ela é um prato que se come cru, às vezes demora muito para ser cozido e digerido. Em toda vingança há sempre um pouco de mágoa arquivada.
Ana Marisa de Oliveira Costa
Dourados, MS

 

Espionagem

Ed Ferreira/AE

GRAMPOLÂNDIA
O delegado Paulo Lacerda: suspeito de fazer escutas ilegais


"VEJA levantou o véu que tentava ocultar o velho e infeliz costume da bisbilhotice."
Armando Correa de Siqueira Neto
Mogi Mirim, SP

É impressionante como a cada dia descemos mais no caminho que nos leva, com nossas instituições, rumo ao precipício. Essa coisa de grampear boa parte dos ocupantes do Palácio do Planalto me parece disputa de quadrilhas de mafiosos e não combina em absoluto com um país que se quer democrático ("A Abin gravou o ministro", 3 de setembro).
Zulma Jacinto Garcia
Curitiba, PR

Escutas telefônicas ilegais são atos terroristas contra o estado de direito. As instituições democráticas brasileiras têm de atuar energicamente para evitar que a Agência Brasileira de Inteligência se comporte como uma "Abin Laden".
Túllio Marco Soares Carvalho
Belo Horizonte, MG

Se nossa democracia fosse séria, esse episódio seria tratado da mesma forma que o foi nos Estados Unidos, quando agentes do partido do presidente foram pegos espionando o partido de oposição (caso Watergate) e o presidente teve de renunciar ao cargo.
Iramar Benigno Albert Júnior
Recife, PE

 

Gustavo Ioschpe

O artigo "Preparados para perder" (3 de setembro) é uma verdadeira pérola de senso crítico e espírito prático. Diagnostica com precisão o viés ideológico que impregna historicamente a sociedade brasileira, chumbando-nos ao solo e impedindo-nos de alçar vôos culturais, tecnológicos, científicos e desportivos, sobretudo porque perpetuado por uma escola amolecedora do caráter.
Kurt Mendonça
Natal, RN

Não me lembro de ter lido antes uma síntese tão bem elaborada sobre o comportamento dos brasileiros e suas conseqüências. Acredito que somente depois de adquirirmos uma consciência social dessa realidade conquistaremos nosso espaço no cenário mundial. Análises como essa têm de ser repetidas em todas as mídias, nas escolas e dentro das casas. Não é possível realizar melhorias profundas e definitivas sem diagnósticos sinceros e precisos.
Luiz Carlos Bonelli
São José dos Campos, SP

 

Tocantins

Em relação às recentes nomeações no Diário Oficial de funcionários já falecidos ("Emprego até para morto", Holofote, 3 de setembro), a Secretaria de Estado da Comunicação esclarece que: 1) Diante da necessidade de cumprir a determinação do Supremo Tribunal Federal, de demitir os funcionários, os procedimentos adotados no processo de exoneração e posterior nomeação tiveram como prioridade o quesito agilidade; 2) Já adotou, antes mesmo da publicação da nota na revista VEJA, as medidas necessárias para reparar o ocorrido, através da publicação no Diário Oficial de ato anulando as referidas nomeações; 3) As nomeações foram feitas considerando a hipótese de haver possíveis ajustes, a exemplo desse, já reparado tão logo percebido pelo cruzamento de informações da Secretaria da Administração e da Casa Civil; 4) Essas nomeações não ocasionaram danos financeiros ao estado.
Sebastião Vieira de Melo
Secretário da Comunicação do Governo do Tocantins
Palmas, TO 

 

Lya Luft

O artigo de Lya Luft tocou num ponto essencial. Normalmente, só cobramos vitórias dos nossos atletas e nos esquecemos de que, do outro lado, ou seja, do concorrente, também há uma torcida que chora, um atleta que quer e precisa vencer, que olha para os céus e pede a Deus que o ajude, que é cobrado por seu país, que quer dedicar o resultado à sua família. Portanto, num dia se ganha, no outro se perde. Faz parte da beleza do esporte, que por isso move multidões.
Tarcísio Beserra Filho
Sobral, CE

 

Aborto

A entrevista que a jornalista Adriana Dias Lopes fez com o ministro Marco Aurélio Mello é extraordinária. Ele é um homem culto, de rara sensibilidade e muito inteligente. Fico um pouco preocupado com seu otimismo. Preciso reconhecer, entretanto, que ele tem uma visão ampla do país e do STF ("Pelo fim da hipocrisia", 3 de setembro).
Thomaz Rafael Gollop
Professor livre-docente em genética médica pela Universidade de São Paulo
São Paulo, SP

A posição do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), com relação à interrupção da gestação em casos comprovados de anencefalia é consistente tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista ético. O método de diagnóstico por imagem utilizado para detectar a anencefalia é a ultra-sonografia. Do ponto de vista técnico, pode-se afirmar que, nos rastreamentos por exames ultra-sonográficos realizados entre dez e catorze semanas e repetidos entre dezesseis e vinte semanas, todos os casos de acrania/anencefalia observados foram diagnosticados no primeiro exame. Portanto, a possibilidade de que a anencefalia não seja diagnosticada durante a gestação é remota.
Doutor Omar Gemha Taha
Especialista em diagnóstico por imagem
Membro do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Londrina, PR

 

Chocolates

A reportagem "Um doce monopólio" (27 de agosto) retratou muito bem a questão da aquisição da Wrigley, ainda em fase de aprovação final pelas autoridades competentes. Entretanto, ressalto que nossos chocolates são mais robustos e justamente por isso mais resistentes ao calor. Dessa forma, as condições das estradas brasileiras e do calor nunca representaram um problema para nós.
Sheila van der Zeijden Rodriguez
Corporate Affairs – Mars Brasil
Por e-mail

 

História

Sobre a reportagem "Quem dá mais por Rothschild?" (20 de agosto), informo que sou um Goldschmidt-Rothschild. Não tenho nenhum direito, ou participação, à fortuna da família Rothschild, como muitos estão pensando. Sou uma pessoa que na infância teve uma vida de conforto, mas no Brasil passei e passo por dificuldades financeiras, como qualquer pessoa. Sou mais um na multidão, tirando o peso do nome que carrego. Não herdei nenhuma fortuna. Aliás, possuo muitas dívidas que não tenho nem condições de pagar. Estou sofrendo perseguições e até ameaças por acharem que sou milionário.
Cyril R. de Goldschmidt-Rothschild
São Paulo, SP

 

Correção: a seção VEJA Recomenda da edição de 16 de julho é ilustrada por uma foto cuja legenda diz tratar-se do falsário Van Meegeren, citado na resenha do livro Eu Fui Vermeer. Na verdade, a foto publicada é do escritor John Berger, autor do livro Aqui Nos Encontramos, resenhado na mesma seção.

 

Para se corresponder com a redação de VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redação, VEJA – Caixa Postal 11079 – CEP 05422-970 – São Paulo – SP;
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Por motivos de espaço ou clareza, as cartas poderão ser publicadas resumidamente. Só poderão ser publicadas na edição imediatamente seguinte as cartas que chegarem à redação até a quarta-feira de cada semana.

 



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