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VEJA
Recomenda
LIVROS
Middlesex,
de Jeffrey Eugenides (tradução de Paulo Reis;
Rocco; 567 páginas; 54 reais) "Eu nasci duas vezes:
primeiro como uma menininha, num dia excepcionalmente despoluído
de Detroit, em janeiro de 1960; e depois outra vez como um rapaz
adolescente, num ambulatório de emergência perto de
Petoskey, Michigan, em agosto de 1974." Assim a personagem Calliope
começa a narrar sua vida nesse romance que garantiu o Prêmio
Pulitzer ao americano Jeffrey Eugenides (de As Virgens Suicidas).
Calliope que, assim como o autor, descende de imigrantes
gregos foi criada como mulher. Sua vida transforma-se, no
entanto, ao ser informada de que, geneticamente, é um hermafrodita.
Passa então a se chamar Cal e tenta reconstruir sua vida
como homem. Essa descoberta e suas conseqüências dão
mote à trama, mas Middlesex oferece muito mais. É
uma saga familiar que percorre a história dos Estados Unidos
no século XX. É também uma abordagem curiosa
e nada amarga do amor e da reprodução
sob a ótica evolucionista. O tema central de Middlesex,
no fundo, é universal: o drama do ser humano que se debate
entre o destino e sua própria vontade. Leia
trecho do livro.
Jim Cooper/AP
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| Bourdain:
prosa bem temperada |
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Em
Busca do Prato Perfeito, de Anthony Bourdain (tradução
de Luiz Henrique Horta; Companhia das Letras; 352 páginas;
41 reais) O chef americano Anthony Bourdain virou best-seller
com seu relato de bastidores Cozinha Confidencial. Nesse
seu novo volume, o assunto é o que o título já
explica: uma viagem por vários países, da França
à Rússia e ao Vietnã, à procura da refeição
ideal. Bourdain não maneja bem só as panelas. Sua
prosa é rápida, ligeira e sempre divertida
como ele deixa claro desde o primeiro capítulo, em que vai
a Portugal e testemunha pela primeira vez (com horror) uma matança
de porco. "Em toda a minha carreira, fui como Michael Corleone em
O Poderoso Chefão 2, ordenando assassinatos por telefone",
descobre Bourdain, com seu humor característico.
DVDs
Universal Pictures

Palavras
ao Vento:
ótimo melô |
Palavras ao Vento (Written on the Wind, Estados Unidos,
1956. Classicline) Rock Hudson e Lauren Bacall são
ambos trabalhadores e íntegros. E ambos chegarão também
muito perto da destruição por se envolverem com as
pessoas erradas no caso, o playboy dissoluto interpretado
por Robert Stack e sua irmã ninfomaníaca (Dorothy
Malone, que é ruim à beça, mas ganhou um Oscar
pelo papel). O diretor Douglas Sirk era não só o rei
do melodrama, como também um mestre em contrabandear, para
dentro de seus enredos, críticas corrosivas à hipocrisia
e à corrupção do modo de vida americano. Mas,
como ninguém é de ferro, ele cuidava de embalá-las
em figurinos que são uma atração à parte
e num tecnicolor nunca menos do que fulgurante.
Egberto Nogueira

McCartney,
na turnê de 1993: velhos hits e vida em família |
Paul Is Live, Paul McCartney (Multimidia) Entre os
ex-beatles, Paul McCartney sempre foi o que mais se preocupou em
documentar cada passo de sua carreira. Por causa disso, suas turnês
se transformam em discos ao vivo e vídeos especiais para
alimentar os fãs. Paul Is Live é o registro
da New World Tour, que passou pelo estádio paulistano
do Pacaembu, em 1993, com uma banda de primeira linha (tão
boa que a mulher de McCartney, a suposta tecladista e vocalista
Linda, nem se fazia notar). O show traz sucessos dos Beatles misturados
a clássicos do rock como a versão acústica
de Good Rockin'Tonight, imortalizada por Elvis Presley. Nos
extras, uma curiosidade: clipes que mostram Paul com a família,
e que eram exibidos antes do início dos shows da New World
Tour.
TELEVISÃO
Divulgação

Manchild:
o sexo e o cinqüentão
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Manchild (segundas, às 21h30, no Eurochannel)
Imagine uma versão da série Sex and the City na
qual, em vez de trintonas, os protagonistas sejam quatro cinqüentões
às voltas com suas desventuras amorosas. Produzida pela rede
inglesa BBC, Manchild é exatamente isso, e não
fica nada a dever ao sucesso americano em matéria de voltagem
sexual. Seus personagens o solteirão Patrick (Don
Warrington), o casado Gary (Ray Burdis) e os divorciados Terry (Nigel
Havers) e James (Anthony Stewart Head) estão numa
idade crítica. Mais do que prazer, buscam no sexo e no consumo
de motos potentes e jaquetões de couro uma forma de auto-afirmação.
Impotência, filhos rebeldes e ex-mulheres que adoram se meter
em suas vidas viram, claro, motivo de riso.
DISCOS
Divulgação
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| Bosco:
em songbook
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Songbook
João Bosco, vários intérpretes (Lumiar)
Essa compilação é uma espécie
de testamento musical do produtor Almir Chediak. Em maio deste ano,
ele tinha acabado de concluir o projeto quando foi morto a tiros
em um assalto. Songbook João Bosco traz três
CDs com 46 criações do compositor mineiro, interpretadas
por nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil e Milton Nascimento.
O ponto alto está na reunião de Bosco com Aldir Blanc,
com quem criou Linha de Passe e De Frente pro Crime.
Eles romperam nos anos 80 por causa de uma desavença até
hoje mal explicada, e nunca mais haviam se falado. Bosco e Blanc
retomam a parceria numa interpretação emocionada de
O
Bêbado e a Equilibrista, canção
que fez sucesso na voz de Elis Regina.
Divulgação

Bob
Dylan: pague dois e leve três |
Série 3Pak, vários intérpretes (Sony
Music) A coleção consiste em caixas dedicadas
a artistas do primeiro time da música pop, cada uma com três
discos e, o que é melhor, vendidas ao preço
de um CD duplo. Entre os destaques está um trio de clássicos
do bluesman Muddy Waters (1915-1983). Um deles é Hard
Again, que traz Mannish Boy e outras canções
que ainda integram o repertório das bandas de blues. O pacote
de Bob Dylan inclui Blonde on Blonde (1966) e Blood on
the Tracks (1974), discos que havia muito tempo não existiam
em edição nacional. Eles fazem companhia a Time
out of Mind (1997), um dos melhores trabalhos recentes do cantor.
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