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Medicina
Maconha na farmácia
A
Holanda é o primeiro país do
mundo a aprovar a venda da
droga para fins terapêuticos

Paula
Neiva
Reuters
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| O
Ministério da Saúde holandês adverte: fumar faz mal. Inalar
e beber pode |
A Holanda,
que tem uma longa tradição de tolerância, tornou-se
na semana passada o primeiro país do mundo a autorizar a
venda de maconha para fins terapêuticos. Os primeiros lotes
da erva chegaram às farmácias e aos hospitais já
na segunda-feira. Por determinação do Ministério
da Saúde holandês, a maconha só deve ser prescrita,
como última alternativa, para o tratamento de dores crônicas,
náuseas, falta de apetite, rigidez muscular e espasmos que
acometem pacientes de câncer, Aids, esclerose múltipla
e síndrome de Tourette, doença caracterizada por tiques
e movimentos involuntários do corpo. Pelos cálculos
das autoridades, cerca de 7.000 pessoas
devem ser beneficiadas pela medida.
Dois
tipos de maconha foram colocados à venda. O pote com 5 gramas
da versão mais fraca da erva custa 44 euros (o equivalente
a 145 reais). A mesma quantidade da mais potente sai por 50 euros
(165 reais, em média). Esses preços são mais
altos que os da maconha vendida nos cafés autorizados pelo
governo a comercializar a droga. Isso porque a maconha de farmácia
é fornecida apenas por dois produtores e leva o selo de qualidade
do governo holandês. A recomendação é
que a droga seja diluída em água e inalada ou consumida
sob a forma de chá. Com isso, os especialistas pretendem
evitar que os doentes sejam expostos aos malefícios da fumaça
do cigarro de maconha, que contém cerca de 400 substâncias,
algumas delas cancerígenas.
O
uso da maconha para tratamento médico está longe de
ser um consenso. Os críticos da idéia argumentam que
as propriedades terapêuticas da erva ainda não foram
comprovadas cientificamente. E que, em alguns casos, a droga pode
levar à dependência e deflagrar quadros graves de depressão
e de esquizofrenia em pessoas com propensão a esses distúrbios
psiquiátricos. Os defensores afirmam que a maconha, uma droga
que age sobre os centros cerebrais responsáveis por diminuir
a saciedade e aumentar a fome, pode ser eficaz para a recuperação
de peso de pacientes terminais de câncer e Aids. Quanto ao
suposto mecanismo de ação da erva no combate a náuseas,
espasmos e dores crônicas, há mais dúvidas do
que certezas. Mas a liberalíssima Holanda não quis
esperar a chancela da ciência.
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