Edição 1917 . 10 de agosto de 2005

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Roberto Pompeu de Toledo
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VEJA Recomenda

CINEMA

Divulgação
Jane Fonda (à esq.) e J-Lo, em A Sogra: um tapa, um assopro


A Sogra
(Monster-in-Law
, Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira em circuito nacional) – Depois de mais de uma década de aposentadoria, Jane Fonda volta à cena num tom pouco explorado em sua carreira: o da comédia rasgada. Jane é aqui o arquétipo da sogra implacável, uma esnobe que acha que mulher nenhuma – e em especial a sem-carreira Charlie (Jennifer Lopez) – é boa o suficiente para seu filho cirurgião (Michael Vartan, da série Alias). Apesar do roteiro sem grande originalidade, fazem o filme valer a pena a ótima química entre Jane e a comediante negra Wanda Sykes e o tratamento na base do "um tapa, um assopro" que o diretor Robert Luketic, de Legalmente Loira, dá ao personagem de J-Lo. Veja cenas.

 

TELEVISÃO

Morte na Escadaria (Estréia na quarta-feira, às 21h, no GNT) – Há quatro anos, o que parecia ser uma morte acidental – a queda de uma mulher da escadaria de sua casa, na Carolina do Norte – desdobrou-se numa investigação de homicídio que mobilizou a opinião pública americana. O caso é mote dessa série em oito episódios dirigida pelo francês Jean-Xavier de Lestrade (que ganhou o Oscar em 2002 com o documentário Murder on a Sunday Morning). O ponto de partida do programa é o julgamento do suspeito pelo crime – o marido da vítima, Michael Peterson. Lestrade arma a narrativa de tal maneira que ela se transforma num quebra-cabeça criminal e também num retrato do sistema judicial americano.

 

DVD

Warner Bros
McQueen: machão americano


Coleção Steve McQueen
(Warner) – Steve McQueen (1930-1980) foi menos um ator do que um símbolo – o de quintessência da masculinidade americana, razão pela qual se tornou um dos maiores ícones dos anos 60 e início dos 70. À parte o fraco Quando Explodem as Paixões, sua personalidade magnética está em evidência nos três outros filmes desse pacote: o excelente Os Implacáveis, de Sam Peckinpah, em que McQueen contracena com sua futura mulher Ali McGraw, o faroeste Tom Horn e o excitante Mesa do Diabo, em que o astro desafia uma lenda da sinuca. A distribuidora está lançando ainda, de forma avulsa, uma edição em disco duplo de Bullitt, talvez o melhor filme de perseguição de automóveis já feito.

 

LIVROS

O Inventor do Papel, de Janet Gleeson (tradução de Talita M. Rodrigues; Rocco; 302 páginas; 39,50 reais) – O escocês John Law (1671-1729) não poderia ser considerado uma boa companhia: era um jogador inveterado, um bon vivant irresponsável que teve de fugir da Inglaterra por ter matado um homem num duelo. Na França, porém, ele se tornou um dos grandes inovadores do mundo das finanças, ao introduzir no país um banco central que emitia papel-moeda, ainda uma novidade no início do século XVIII. Os esquemas arrojados de Law levantaram fortunas, mas fracassaram em seguida. O escocês teve de fugir da França em 1720, acossado pelos investidores que quebraram ao seguir suas idéias. Em O Inventor do Papel, a historiadora Janet Gleeson traça uma extraordinária biografia desse pioneiro da especulação financeira. Leia trecho.

 
Marcelo Tasso/AE
Millôr Fernandes: humor perene  

Todo Homem É Minha Caça, de Millôr Fernandes (Record; 208 páginas; 29,90 reais) – Essa reedição de um livro de 1981 confirma a perenidade do humor do colunista de VEJA Millôr Fernandes. A coletânea de textos contém pérolas com a irônica proposta de um "código de ética mínimo", no qual se lêem regras que parecem talhadas para a atual crise política: "Ladrão do erário, apanhado em flagrante, não pode alegar posição ideológica como atenuante". O livro inclui um caderno ilustrado com charges, no qual Millôr propõe, na trilha dos movimentos de emancipação feminina, outras bandeiras de liberação: o gago's lib, o defunto's lib e, claro, o burro's lib (já que, como nota a mordacidade sempre certeira do autor, os burros são maioria e sempre tiveram "representantes nos mais altos postos do país"). Leia trecho.

O Adeus à Rainha, de Chantal Thomas (tradução de Jorge Bastos; A Girafa; 210 páginas; 39 reais) – A francesa Chantal Thomas foi aluna do crítico Roland Barthes e é uma grande conhecedora do século XVIII, com estudos históricos publicados sobre Sade e Maria Antonieta. Foi com essas credenciais que ela se arriscou na ficção: O Adeus à Rainha é um envolvente romance sobre os últimos dias do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta, às vésperas da Revolução Francesa. A história é contada da perspectiva de uma dama da corte que tinha a função de ler livros para a rainha – e que rememora o ocaso da monarquia em 1810, na Viena invadida por Napoleão, figura que ela despreza com o esnobismo de que só os aristocratas decaídos são capazes. Leia trecho.

 

DISCO

 

Jim Cooper/AP
Benson: volta por cima  

Alternative to Love, Brendan Benson (Sum Records) – O roqueiro americano é um caso curioso de artista que passou por um redirecionamento de carreira. Descoberto por uma grande gravadora em 1996, ele foi vendido a princípio como cantor de rock pesado. A experiência foi um fracasso e Benson demorou seis anos para voltar à cena. Mas ele deu a volta por cima – hoje, tem artistas como Jack White (dos White Stripes) e Beck entre seus fãs. Alternative to Love é o segundo álbum da nova fase do cantor, que se revela um excelente criador de melodias. As canções trazem corinhos típicos de grupos pop dos anos 60 e letras sobre desilusão amorosa. Ou então bebem da psicodelia – caso da faixa The Pledge, em que Benson "ensina", ironicamente, como fazer sucesso na indústria de discos.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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