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Tales
Alvarenga Lula "Jatobá" da Silva
"Lula
é o nosso Jatobá barbudo. O país está
metido no maior escândalo político da história e ele continua
cego às evidências. Delúbio Soares, Silvio Pereira
e José Dirceu também não viram nada. Nesta terra
de cegos, Jefferson poderia ser rei"
Se em terra de cegos quem tem um olho é rei, devemos eleger Roberto Jefferson
rei do Brasil. Sobre a quadrilha montada nos altos escalões do PT para
beneficiar com doações um número imenso de petistas e aliados,
o presidente Luiz Inácio "Jatobá" da Silva não viu nada,
não ouviu nada, não percebeu nada, segundo afirma diariamente em
seus discursos cheios de brio. O Jatobá original, personagem cego da novela
América, da Rede Globo, é um desses tipos que sofrem de otimismo
panglossiano. É cego, mas vê tudo cor-de-rosa. Lula é também
um otimista sem causa. Para o presidente, o seu é o melhor dos governos
possíveis, sua honestidade pessoal é a mais alta entre a de todos
os brasileiros, e se a imprensa pensa diferente é porque ela só
gosta de notícia ruim. Lula
é o nosso Jatobá barbudo. O país está metido no maior
escândalo político da história e ele continua cego às
evidências. Na terça-feira passada, seu ex-braço-direito José
Dirceu era apontado pelo deputado Roberto Jefferson, na Comissão de Ética
da Câmara, como o chefe da quadrilha que operava o mensalão. Pois
nesse exato momento de vexame para o governo petista, Lula aparece dizendo que
a imprensa é culpada pelo baixo-astral do país. Por quê? "Como
minha mãe dizia, coisa ruim sempre tem privilégio sobre coisa boa
no noticiário", explica o presidente. Se o otimismo de Lula for verdadeiro,
ele é alienado. Se for falso, é desonesto.
O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares também não viu
nada de anormal acontecendo. Apenas pagamento de dívidas de campanha eleitoral,
afirmou ele na CPI dos Correios. Como se esse fosse um álibi para qualquer
tipo de transação criminosa com dinheiro de "doadores" ou com contribuição
extorquida por meio de tráfico de influência em órgãos
do governo. Também nada viram de excepcional Silvio Pereira, que se demitiu
da secretaria-geral do PT, Marcelo Sereno, expelido da Casa Civil, e Paulo Rocha,
ex-líder do partido na Câmara, que recebeu "doações"
da conta do publicitário Marcos Valério.
Diante dessa enxurrada de petistas cegos, aos quais se somam dezenas de outros
políticos, entre petistas e não petistas, o deputado Roberto Jefferson,
do PTB, viu até demais. Denunciou a roubalheira, deu nomes e disse quem
fazia o que na quadrilha. Nada do que Roberto Jefferson revelou foi desmentido
até agora. Até mesmo contra si próprio Roberto Jefferson
depôs. Nunca alguém denunciou tanto e com tamanha eficácia.
Nem Pedro Collor conseguiu detalhar o mapa da corrupção com as minúcias
apresentadas agora por Roberto Jefferson.
Jefferson tem excelente domínio de palco. É destruidor no conteúdo,
irônico no tom, melodramático nas pausas, quando dá tempo
aos cérebros ouvintes de captar o alcance do que acaba de dizer. No silêncio,
abaixa o tronco e a cabeça, eleva os olhos para seu alvo e faz com que
aqueles olhos sombrios mostrem o tamanho de seu desprezo e a falta de limites
de sua determinação. Na terça-feira passada, seu alvo era
o deputado José Dirceu, que nada viu, nada fez. Jefferson, que também
não é flor que se cheire, dá conta do panorama com pelo menos
um olho confiável, aquele que não mente. O outro olho de Jefferson
esteve pousado nas piores práticas políticas deste país,
sem que ele fizesse denúncias. Não importa. Nesta terra de cegos,
com apenas um olho bom, Jefferson poderia ser coroado rei. |