Edição 1917 . 10 de agosto de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
O presidente sumiu

 

Agliberto Lima/AE
Em Garanhuns: embora visível no palanque, Lula, como presidente, não governa

Afinal de contas, para que serve o presidente da República? Não há personalidade mais importante no país – e, no entanto, se confrontada com essa pergunta singela, talvez boa parte dos brasileiros se surpreendesse com as feições vagas, imprecisas, de suas respostas. Uma leitura do artigo 84 da Constituição é um bom começo para entender qual é a atribuição do presidente. Há ali uma quantidade de artigos que ultrapassa o número de estados da União: são 27 as prerrogativas presidenciais. Que outro cargo exige tantas responsabilidades? Compete ao supremo mandatário, para usar a expressão tão ao gosto dos magistrados, desde "nomear e exonerar os ministros de Estado" e "sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução" até "decretar o estado de defesa e o estado de sítio" e, imagine só, "conferir condecorações e distinções honoríficas". É um leque vasto, sem dúvida, mas, examinadas em conjunto, as 27 atribuições, ainda que desiguais em magnitude, confluem para uma só função: governar.

Essa é, então, a resposta: o presidente serve para governar. Uma tarefa que, no sistema político brasileiro, é tão mais complexa porque cabe ao presidente a maioria esmagadora das iniciativas legislativas. Governar, contudo, não tem sido a principal preocupação do presidente Lula, desde que estouraram os escândalos de corrupção que destroçaram seu partido, enxovalharam seus colaboradores íntimos e mergulharam a nação em estupor jamais experimentado. Enquanto, do alto dos palanques, Lula vocifera contra "as elites" e brame "que terão de engoli-lo" se vier a tentar a reeleição, aparentemente seu mais acalentado propósito, o governo vai entrando em paralisia. Como Lula não tomou medidas que dirimissem as dúvidas que pairam sobre a honestidade de sua administração, as comissões parlamentares de inquérito se sucedem e se arrastam, galvanizando a atenção de deputados e senadores e contribuindo para impedir a tramitação e votação de projetos de reformas que são vitais para o país. Existem hoje 66 projetos de lei parados no Senado e outros 68 na Câmara. Cinco medidas provisórias trancam as pautas de votação da Câmara e do Senado. Está ao alcance de Lula como presidente desanuviar esse cenário. Mas ele não sai dos palanques.

 
 
 
 
topovoltar