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Elvis, o retorno

O cantor volta ao topo das
paradas, graças
a um comercial
e a um desenho animado

Sergio Martins

 
O cantor em Lilo & Stitch: ele morreu, sim, mas não para o marketing


Veja também
Para ouvir: A Little Less Conversation, o novo sucesso de Elvis

Há muito tempo isso não acontecia: Elvis Presley angariando novos fãs. Há três semanas, o cantor americano, morto em agosto de 1977, encabeça a parada inglesa com a canção A Little Less Conversation. Para chegar lá, ele bateu concorrentes de peso, como os Beatles e o Oasis. Ao mesmo tempo, a trilha sonora do desenho animado Lilo & Stitch, da Disney, se tornou uma das onze mais vendidas nos Estados Unidos, trazendo como prato principal seis canções do pioneiro do rock. Os dois fatos, é claro, não se deram por acaso. O retorno do cantor vem sendo planejado há tempos pela gravadora BMG, que detém boa parte de seu catálogo. Pesquisas da companhia mostravam que os adolescentes conheciam muito pouco de Elvis e o consideravam um artista ultrapassado. Mesmo seu contingente de fãs incondicionais parecia estar diminuindo. Sim, marmanjos nostálgicos (e um tanto amalucados) ainda vestem perucas com topete e macacões com lantejoulas para tomar parte em concursos de imitadores do ídolo. Mas, no ano passado, o número de visitantes de Graceland, mansão onde Elvis morou e que se transformou em museu, foi 15% menor que a média histórica. "Era urgente reverter essa situação até por uma questão de justiça, já que Elvis foi, sem dúvida nenhuma, um grande músico", diz Adam Bradley, executivo da BMG.

O sucesso de A Little Less Conversation – canção gravada em 1968 que nunca esteve entre as mais famosas de Elvis – deveu-se a uma ótima jogada de marketing. Ela foi cedida para a marca esportiva Nike, como trilha sonora de um comercial especialmente gravado para a época da Copa do Mundo de Futebol. Além de contar com a direção do badalado cineasta americano Terry Gilliam, a propaganda é estrelada por ídolos do esporte, como o brasileiro Roberto Carlos, o português Figo e o francês Zidane. A voz e a interpretação de Elvis permaneceram intactas. O resto da música sofreu uma remixagem, que ficou a cargo do DJ holandês JXL (originalmente ele assinava como Junkie XL, mas a família de Elvis pediu que ele trocasse de nome: junkie em inglês quer dizer drogado, e o cantor morreu de ataque cardíaco depois de abusar de tranqüilizantes e anfetaminas). Impulsionada pelo comercial, A Little Less Conversation tornou-se a 18ª composição de Elvis Presley a atingir o topo da parada inglesa. Nenhum outro artista ou grupo chegou lá tantas vezes – os Beatles tem dezessete campeãs.

Segundo Adam Bradley, foi a própria Disney que procurou a BMG para usar músicas de Elvis em Lilo & Stitch. Mais que depressa, o pedido foi aceito. O desenho tem por cenário o Havaí, onde o roqueiro filmou bobagens como Feitiço Havaiano, ainda hoje reprisadas em tardes modorrentas da televisão. Lilo, a heroína da história, é uma menina rebelde que faz de Elvis seu modelo de comportamento. Mas o esforço para reviver a reputação do roqueiro não pára aí. Nos próximos meses, serão lançados DVDs com shows antológicos, caixas de CDs e novos remixes de canções clássicas. Para aqueles que não abrem mão do lado cafona de Elvis, uma canja: uma versão do jogo Banco Imobiliário será posta no mercado, toda ilustrada com as propriedades do cantor.

   
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