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Sem
"esperrança"
Ana Paula Arosio teve de
atenuar o
sotaque
de sua
personagem na novela das 8
Marcelo
Marthe
Divulgação
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Ana
Paula e Gianecchini:
até
parecia Casseta
& Planeta
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Nas
novelas brasileiras, personagens com sotaque estrangeiro (ou nordestino)
foram sempre um convite à caricatura. Nada se compara, no entanto,
ao que vem acontecendo no novo folhetim das 8 da Rede Globo, Esperança.
Além de metade do elenco falar um italiano que não serve
nem para comercial de macarrão, há um núcleo espanhol
que parece piada de argentino. Mas o mais impressionante é mesmo
o sotaque de Camille, a personagem judia de Ana Paula Arosio. Ele é
tão absurdo que, na semana passada, a direção da
novela resolveu promover um ajuste em suas falas. "É evidente que
ficou estranho", reconhece o diretor Luiz Fernando Carvalho. Ainda mais
porque, nascida no Brasil, Camille tem um sotaque mais carregado nos erres
que seus pais, nascidos no exterior. Do jeito que a coisa estava indo,
chegaria o dia em que as conversas de Camille com Toni (Reynaldo Gianecchini)
seriam transpostas integralmente para o programa humorístico Casseta
& Planeta. "Eu adorro ouvirr você tocarr essa música",
disse Camille a Toni, num dos capítulos. "Mio papá odiava",
respondeu ele. Na sala de edição da novela, foi difícil
segurar o riso nessa hora.
Ana Paula Arosio não tirou esse sotaque do nada. Contou com a ajuda
de uma professora de iídiche, que lhe dá aulas há
um mês e meio. "Ela se encantou com o meu erre, mas em cena exagerou",
esquiva-se a profissional em questão, a israelense Ahuva Flit.
O ajuste nas falas da atriz foi rápido. Já nesta semana,
Camille começará a se expressar num português menos
arrevesado. Em compensação, usará mais expressões
em iídiche como "Ich hob dir lib" (eu te amo) e "Main Goot!"
(meu Deus!). No núcleo italiano, nada deverá mudar. O autor,
Benedito Ruy Barbosa, escreve os diálogos do jeito que eles vão
ao ar. "É uma língua inventada, mistura de italiano com
caipira do interior de São Paulo", tenta justificar o diretor Luiz
Fernando Carvalho, esquecendo-se, aliás, de que alguns italianos
que aparecem na trama nunca puseram os pés no Brasil. Para complicar
ainda mais o quadro lingüístico, Gianecchini confunde italiano
com espanhol. Volta e meia, solta um "nuestra" em vez de "nostra". Mas
isso até o cantor João Gilberto faz na sua versão
de Estate.
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