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Gente demais

Só Catherine Deneuve
não sobra em 8 Mulheres

Isabela Boscov

 
Divulgação
Catherine e suas colegas de cena: nem para francês ver


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Trailer do filme

A idéia do diretor François Ozon parecia infalível: juntar oito das melhores atrizes francesas – entre elas Catherine Deneuve, Fanny Ardant e Isabelle Huppert – e deixá-las trancadas numa casa, às voltas com um assassinato misterioso, que só pode ter sido cometido por uma delas. A esse enredo à moda de um mistério de Agatha Christie, Ozon decidiu ainda acrescentar números musicais e um colorido extravagante – no sentido real e no metafórico –, que parece diretamente decalcado dos filmes de Pedro Almodóvar. Os franceses adoraram. Até agora, já compraram mais de 4 milhões de ingressos para assistir a 8 Mulheres (8 Femmes, França, 2002), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio. Para eles, o apelo é semelhante ao de A Partilha no Brasil – ou seja, ver figuras conhecidas e queridas brigando pela primazia em cena. O resultado desse embate, porém, é desapontador. Para começar, Ozon precisa comer muito cassoulet antes de adquirir um humor e uma profundidade comparáveis aos de Almodóvar. No francês, essa exuberância tem o efeito de uma roupa bonita, mas apertada em todos os lugares errados. Seu desconforto com o gênero que escolheu é visível. Também as personagens são esquemáticas até o ponto da aflição, e as revelações que elas protagonizam no decorrer da trama carecem de um mínimo de originalidade. Para piorar, há as canções, entoadas com voz sofrível pelas atrizes. Só Catherine Deneuve não fere os ouvidos (ou a inteligência) da platéia. Feitas as contas, há sete mulheres sobrando no filme de Ozon.

   
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