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Edição 1 759 - 10 de julho de 2002
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Na China é ainda
mais barato

Em busca de salários menores,
fábricas americanas trocam
o México pela Ásia

 
AP

Linha de montagem numa maquiladora mexicana: 280 000 demissões

O México descobriu um lado amargo de seu abraço econômico com os Estados Unidos. Na última década, graças à fartura de mão-de-obra barata e ao Nafta, acordo de livre comércio com aquele país, instalaram-se em território mexicano centenas de fábricas americanas cuja produção é totalmente exportada para o rico vizinho do norte. Em 1970, eram apenas 120 "maquiladoras", como são chamadas essas indústrias, já que de mexicanos seus produtos só têm o rótulo. Há dois anos chegaram a ser 3.700 fábricas. Parecia que o norte do México, favorecido pela fronteira com o país mais rico do mundo, tinha descoberto uma mina de ouro. A economia da região prosperou e os salários começaram a subir, acompanhando a melhor capacitação dos trabalhadores. Essa soma de boas notícias causou preocupação entre as maquiladoras. Elas se tinham instalado por lá exatamente pela mão-de-obra barata. Entenderam que, se os salários estavam melhorando, era hora de buscar empregados de remuneração mais baixa em outro lugar. Resultado: nos últimos 24 meses, 350 maquiladoras fecharam e 280.000 trabalhadores perderam o emprego.

A recessão nos Estados Unidos é uma das culpadas, pois a queda na demanda no mercado americano afetou a linha de montagem na fronteira. Mas o grande vilão dos novos desempregados mexicanos é o salário baixíssimo pago em muitos países asiáticos. Enquanto a remuneração inicial média de um operário mexicano numa maquiladora é de 400 dólares, o dobro do que foi há dez anos, pagam-se apenas 60 dólares no Vietnã e na Tailândia. Em certas regiões da China os salários não ultrapassam 50 dólares. As despesas com o transporte marítimo da Ásia para os Estados Unidos podem ser maiores que as geradas pelo transporte por caminhão do México para os Estados Unidos, mas o baixíssimo custo trabalhista compensa em muitos casos. No último ano, os salários cresceram 7% nas maquiladoras, mas a quantidade de empregos caiu 15%.

 

A indústria maquiladora representa um setor muito importante da economia mexicana: emprega 1,1 milhão de trabalhadores e responde por quase 40% das exportações, que totalizam 155 bilhões de dólares por ano. Graças a essas fábricas, o México se tornou o maior produtor mundial de televisores e de jeans. Vale tudo para mantê-las por lá: impostos mais leves, isenção fiscal no primeiro ano, terrenos a preços camaradas e até cursos de formação profissional para trabalhadores não qualificados financiados pelo governo. O governo do Estado de Yucatán arcou com metade do custo de treinamento dos empregados de uma fábrica americana de peças de aviação, instalada há quatro meses. "Não há como competir com a Ásia em salários baixos", diz o economista Mario Cerutti, professor da Universidade de Nuevo León. "A saída é investir em qualificação e atrair empresas de produtos mais sofisticados, o que já acontece em Monterrey." A taxa de desemprego no país é reduzida, de apenas 2,8%. A razão do modesto índice reside no fato de que os novos desempregados não voltam ao mercado de trabalho. Em vez disso, tomam o rumo tradicional de quem não tem emprego no México: a imigração clandestina e a ocupação ilegal nos Estados Unidos.

   
 
   
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