
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Na
China é ainda
mais barato
Em
busca de salários
menores,
fábricas americanas trocam
o México pela Ásia
AP

Linha de montagem numa maquiladora mexicana: 280 000 demissões |
O
México descobriu um lado amargo de seu abraço econômico
com os Estados Unidos. Na última década, graças à
fartura de mão-de-obra barata e ao Nafta, acordo de livre comércio
com aquele país, instalaram-se em território mexicano centenas
de fábricas americanas cuja produção é totalmente
exportada para o rico vizinho do norte. Em 1970, eram apenas 120 "maquiladoras",
como são chamadas essas indústrias, já que de mexicanos
seus produtos só têm o rótulo. Há dois anos
chegaram a ser 3.700 fábricas. Parecia que o norte do México,
favorecido pela fronteira com o país mais rico do mundo, tinha
descoberto uma mina de ouro. A economia da região prosperou e os
salários começaram a subir, acompanhando a melhor capacitação
dos trabalhadores. Essa soma de boas notícias causou preocupação
entre as maquiladoras. Elas se tinham instalado por lá exatamente
pela mão-de-obra barata. Entenderam que, se os salários
estavam melhorando, era hora de buscar empregados de remuneração
mais baixa em outro lugar. Resultado: nos últimos 24 meses, 350
maquiladoras fecharam e 280.000 trabalhadores perderam o emprego.
A recessão nos Estados Unidos é uma das culpadas, pois a
queda na demanda no mercado americano afetou a linha de montagem na fronteira.
Mas o grande vilão dos novos desempregados mexicanos é o
salário baixíssimo pago em muitos países asiáticos.
Enquanto a remuneração inicial média de um operário
mexicano numa maquiladora é de 400 dólares, o dobro do que
foi há dez anos, pagam-se apenas 60 dólares no Vietnã
e na Tailândia. Em certas regiões da China os salários
não ultrapassam 50 dólares. As despesas com o transporte
marítimo da Ásia para os Estados Unidos podem ser maiores
que as geradas pelo transporte por caminhão do México para
os Estados Unidos, mas o baixíssimo custo trabalhista compensa
em muitos casos. No último ano, os salários cresceram 7%
nas maquiladoras, mas a quantidade de empregos caiu 15%.

A
indústria maquiladora representa um setor muito importante da economia
mexicana: emprega 1,1 milhão de trabalhadores e responde por quase
40% das exportações, que totalizam 155 bilhões de
dólares por ano. Graças a essas fábricas, o México
se tornou o maior produtor mundial de televisores e de jeans. Vale tudo
para mantê-las por lá: impostos mais leves, isenção
fiscal no primeiro ano, terrenos a preços camaradas e até
cursos de formação profissional para trabalhadores não
qualificados financiados pelo governo. O governo do Estado de Yucatán
arcou com metade do custo de treinamento dos empregados de uma fábrica
americana de peças de aviação, instalada há
quatro meses. "Não há como competir com a Ásia em
salários baixos", diz o economista Mario Cerutti, professor da
Universidade de Nuevo León. "A saída é investir em
qualificação e atrair empresas de produtos mais sofisticados,
o que já acontece em Monterrey." A taxa de desemprego no país
é reduzida, de apenas 2,8%. A razão do modesto índice
reside no fato de que os novos desempregados não voltam ao mercado
de trabalho. Em vez disso, tomam o rumo tradicional de quem não
tem emprego no México: a imigração clandestina e
a ocupação ilegal nos Estados Unidos.
|
|
 |
|
 |

|
 |