Pocotó, pocotó

Em seu novo filme, Redford banca o terapeuta eqüino

Robert Redford:
dando bom-dia a cavalo

O Encantador de Cavalos (The Horse Whisperer, Estados Unidos, 1998), em cartaz no Brasil, mostra um eqüino em crise existencial. O animal é o puro-sangue Pilgrim, traumatizado após um grave acidente. E Robert Redford, de 60 anos, agora dá bom-dia a cavalo. Faz o papel de um terapeuta eqüino, um ramo da psicanálise com o qual Freud jamais sonhou. Ao ver o bicho deprimido, dá conselhos, enquanto lhe alisa a crina. Bem treinado, o Édipo de quatro patas faz que "sim" com meneios de cabeça. Há, digamos, todo um processo de discutir a relação entre homem e animal. Uma coisa assim de pele que termina em muito pocotó, pocotó.

Com um argumento desses, só restou o caminho da propaganda enganosa. No cartaz do filme que também dirige, Robert Redford passou por uma verdadeira plástica fotográfica para parecer mais jovem e, desse modo, atrair as antigas fãs a seu consultório de estrebaria. Qual não é a decepção quando se depara com um Redford ainda mais enrugado do que em Proposta Indecente! Não há lifting que resolva: o tempo foi inclemente com um dos rostos mais bonitos de Hollywood. Apesar do papel ingrato que reservou para si próprio, Redford continua sendo um bom ator. Mas nem ele nem as belas paisagens do oeste americano salvam o filme. Ao menos Pilgrim não precisa ficar com complexo de culpa — seus olhares são mais expressivos que os de Sylvester Stallone.

Celso Masson




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