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Remédios Luta inglóriaO choro do fiscal que luta contra a máfia dos remédios Vender remédios falsificados é um grande negócio no Brasil. Uma estimativa da Abifarma, a entidade de classe da indústria farmacêutica, dá conta de que os falsários de remédios faturam 200 milhões de reais por ano. O negócio é explorado por uma máfia de distribuidores endinheirados, sediados nos Estados do sul do país, com organização eficiente e dinheiro para contratar advogados caros. Combater a falsificação é tarefa da Vigilância Sanitária, órgão ligado ao Ministério da Saúde e às secretarias da Saúde dos Estados. Na semana passada, com a sensação de que os criminosos estavam ganhando a guerra, o coordenador da Vigilância do Rio de Janeiro, Edimilson Migowski, explodiu em lágrimas. Ele esperava a liberação de uma verba de 450.000 reais reservada pelo Ministério da Saúde para o combate às quadrilhas, mas o dinheiro permanecia retido pela burocracia da máquina estadual. Migowski ameaçou pedir demissão, mas só conseguiu a promessa de que o processo seria acelerado. O fiscal, que foi ameaçado de morte várias vezes desde o início do ano, desabafou: "Não sou corajoso. Tenho medo. O que me move é o ódio contra essas pessoas que falsificam remédios e põem vidas em perigo". Com apenas 24 fiscais e três carros velhos, Edimilson faz o que pode. Em 35 dias de fiscalização, sua equipe fechou 34 farmácias, quatro distribuidoras e três pequenas indústrias no Estado. Quinze suspeitos foram presos. Mas, no final da semana passada, apenas dois deles continuavam na cadeia. Todas as farmácias haviam sido reabertas, depois de pagar uma multa. Falsificação de remédios pode parecer um crime raro, mas é mais comum do que se imagina. Em Porto Alegre, em dois dias de fiscalização na semana passada, foram apreendidos 19000 remédios falsos ou sem registros. "Os falsários imitam até marcas de antibióticos sofisticados", diz o subcoordenador da Vigilância carioca, Bruno Moreira. Mas a fiscalização já achou comprimidos cujo recheio não passava de farinha de trigo. Remédios fajutos dificilmente vão parar nas prateleiras das grandes redes de drogarias, mas acabam parando nos depósitos dos pequenos estabelecimentos do interior e da periferia, aos quais os comerciantes são atraídos pelo preço mais baixo dos produtos. Esses remédios também são vendidos com facilidade porque chegam ao consumidor pela metade do preço do medicamento original. Os laboratórios estão preocupados com as falsificações e contrataram empresas de investigação para identificar os responsáveis. "Uma ação mais efetiva do governo ajudaria a inibir essa prática criminosa", afirma o presidente da Abifarma, José Eduardo Bandeira de Mello. A entidade sugere, por exemplo, que o Ministério da Saúde obrigue os hospitais públicos a fazer testes dos produtos que compram para seus pacientes, o que não ocorre atualmente.
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