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Moda
O lugar de Emanuela

É o 11º, na lista de maiores faturamentos da Forbes, mas
a modelo não vai entrar nos 10% para negros propostos
pelo Ministério Público para a semana de moda de São Paulo


Bel Moherdaui

G. Prado
BOM EXEMPLO
Emanuela concorda com a cota nos desfiles: "Mais mistura na passarela"


Quem começa a olhar para Emanuela de Paula demora um pouco para desgrudar os olhos – são l,77 metro de altura, 52 quilos e os obrigatórios e elegantes 89 centímetros de quadris. As suas mais que evidentes qualidades insuflaram uma ascensão estonteante. A lista das modelos mais bem pagas do mundo nos últimos doze meses feita pela revista Forbes é previsivelmente encabeçada por Gisele Bündchen (25 milhões de dólares de faturamento anual), e dela também constam a baiana Adriana Lima (8 milhões) e a gaúcha Alessandra Ambrosio (6 milhões), todas com mais de uma década de carreira. A surpresa está no 11º lugar ocupado pela pernambucana de 20 anos, na passarela há apenas quatro, com ganhos atribuídos de 2,5 milhões de dólares. "Liguei para a agência para saber onde estava esse dinheiro todo", brinca a modelo, que não faz tanto tempo assim cobrava 100 reais para posar em campanhas publicitárias no Recife. O apartamento lotado de modelos iniciantes em que morou nos primeiros tempos de Nova York foi substituído por um dúplex próprio de dois dormitórios com vista para a Ponte do Brooklyn. A vida de dinheiro contado com o pai radialista, que a criou depois da separação, ficou para trás. Detalhe: Emanuela tem a pele negra, a cor que o Ministério Público de São Paulo resolveu implantar por decreto nos desfiles sob sua jurisdição.

"Não é nem cota, nem obrigação. Por enquanto, é uma sugestão de que haja pelo menos 10% de negros, afrodescendentes ou indígenas nos desfiles", explica a promotora Deborah Kelly Affonso, do grupo de atuação especial de inclusão social do MP paulista, sobre o Termo de Ajustamento de Conduta assinado pela empresa que administra a São Paulo Fashion Week, marcada para começar no dia 17. Nesse documento, que constitui uma espécie de promessa de bom comportamento vigiado, a empresa se compromete a recomendar às grifes que sigam a determinação e a posteriormente encaminhar vídeos comprovando o cumprimento ou justificativas cabíveis. "Se alguma grife quiser fazer um desfile temático sobre a Escandinávia e só usar modelos loiras de olhos azuis, tudo bem. Só precisa enviar essa justificativa", diz a promotora. Do alto do seu sucesso, Emanuela se manifesta a favor das cotas. "O Brasil é um país negro e falta uma mistura nas passarelas", afirma a exemplarmente misturada modelo, filha de mãe loira de olhos azuis (de origem holandesa), pai negro e avó descendente de índios.

"Sempre fui tratada da mesma forma que as outras. Mas é comum ser a única ou uma das únicas negras nos desfiles", relata a modelo, que hoje está no catálogo da marca de lingerie Victoria’s Secret. No ano passado, estrelou o celebrado calendário da Pirelli. "Além de ser lindíssima, ela tem personalidade, estilo próprio e uma versatilidade incrível: funciona bem com roupa sofisticada, jeans ou lingerie", elogia o estilista Carlos Miele, que contratou Emanuela para sua última campanha. Na semana de moda de São Paulo, infelizmente, ela não estará disponível para o preenchimento da cota – tem contrato de exclusividade com uma grande marca do varejo e não vai desfilar em nenhuma passarela.



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