Edição 1955 . 10 de maio de 2006

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DVDs

Crooklyn (Estados Unidos, 1994. Universal) – No bairro nova-iorquino do Brooklyn, nos anos 70, um casal – ela professora e ele músico desempregado – educa os cinco filhos, briga com os vizinhos e quebra a cabeça para pagar as contas. E, como em tantos outros filmes americanos, no espaço de um verão tudo que era dado como certo resultará radicalmente diverso. O semi-autobiográfico Crooklyn, no entanto, escrito por Spike Lee em parceria com sua irmã Joie e seu irmão Cinqué, não tem nada de comum. Ele se destaca não apenas pela crônica deliciosamente observada da vida em família, mas também pela verve com que recria a década do "black is beautiful" – e pelos excelentes desempenhos de Alfre Woodard e Delroy Lindo. Em tempo: a distorção de imagem que aparece lá pelos oitenta minutos de filme é um truque de Lee, e não defeito do seu DVD.

The King (Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Focus) – Gael García Bernal, com um sotaque americano impecável, interpreta aqui Elvis, um rapaz que, ao deixar a Marinha, vai procurar seu pai biológico, o pastor evangélico David Sandow (William Hurt). Não é escolha casual do roteiro que Sandow viva com a mulher e um casal de filhos na texana Corpus Christi: tranqüila e sonolenta, a cidade é uma espécie de paraíso terrestre – e Elvis é a serpente aparentemente educada e bem-apessoada que vai se insinuar nele. O diretor inglês James Marsh é conhecido por seus documentários sobre o modo de vida americano (um deles, aliás, sobre os hábitos alimentares de Elvis Presley). Mas, em seu primeiro trabalho de ficção, mostra levar jeito para a coisa.

 

 

LIVROS

O Último Homem em Berlim, de Gaylord Dold (tradução de Alda Porto e Cristina Laguna; Best Seller; 378 páginas; 39,90 reais) – Ex-advogado e editor, o americano Gaylord Dold já escreveu catorze livros policiais. Em O Último Homem em Berlim, o grande charme é o cenário: os crimes acontecem no ambiente decadentista de Berlim durante a República de Weimar, com suas brigas de rua entre comunistas e nazistas e seus atrevidos cabarés e bordéis. O herói é Harry Wulff, detetive que persegue um assassino serial e namora uma psicanalista judia. Aos poucos, ele vai desvendando as relações do assassino com o emergente partido nazista. As investigações atingem seu ponto crítico às vésperas da ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933. Leia trecho.

 
Hulton Arquive/Getty Images
O'Brien: Lost reavivou a fama do irlandês  

O Terceiro Tira, de Flann O'Brien (tradução de Luis Fernando Brandão; L± 224 páginas; 14 reais) – O irlandês Flann O'Brien (1911-1966) era o típico autor cult, conhecido apenas por um círculo restrito de admiradores, entre os quais se incluíam figurões como James Joyce, Dylan Thomas e Graham Greene. Essa situação se reverteu quando O Terceiro Tira, um de seus melhores (e mais estranhos) romances, foi citado na segunda temporada do seriado-sensação Lost. Nos Estados Unidos, o livro chegou a vender 10.000 exemplares em apenas dois dias logo após a exibição do episódio em questão. O livro é uma história policial, narrada por um assassino, na qual se misturam bem-humorados elementos de ficção científica – como a teoria de que o universo teria a forma de uma salsicha.

 

Collection Roger-Viollet/AFP
Goethe: maestria em todas as formas  

O Aprendiz de Feiticeiro, de Johann Wolfgang von Goethe (tradução de Mônica Rodrigues da Costa; Cosac Naify; 32 páginas; 36 reais) – Ao lado de obras monumentais como o poema dramático Fausto e o romance Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, o alemão Goethe (1749-1832) demonstrava maestria também em poemas breves e singelos. Composto a partir de uma lenda popular, O Aprendiz de Feiticeiro é um bom exemplo. A história tornou-se ainda mais célebre quando o camundongo Mickey fez o papel do aprendiz desastrado em Fantasia, desenho animado de 1940. Com belas ilustrações de Nelson Cruz, essa nova edição bilíngüe é um daqueles livros infantis que os adultos também têm prazer em ler. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Divulgação
O mineiro Freire: Brahms com a orquestra Gewandhaus  

Brahms: the Piano Concertos, Nelson Freire e Riccardo Chailly (Universal) – O pianista mineiro Nelson Freire nunca escondeu seu desconforto em relação aos estúdios de gravação. Ele os acha frios e solitários, e sente falta de uma platéia que admire seus dedilhados precisos. Pois esse disco duplo satisfaz tanto o exigente Freire como seu público. Gravado ao vivo na sede da orquestra Gewandhaus, da cidade alemã de Leipzig, ele traz Freire numa de suas especialidades: o romântico Brahms (na visão dos críticos europeus, a origem latina do pianista é que tornaria sua interpretação dos concertos particularmente acalorada, uma rematada bobagem). Vale notar ainda que a regência do italiano Riccardo Chailly – que assumiu a orquestra no início do ano passado – deu novo ânimo aos instrumentistas da Gewandhaus, que soam aqui mais inspirados do que em gravações anteriores.

 

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Pearl Jam: a mesma energia dos velhos tempos  

Pearl Jam (Sony/ BMG) – O grupo americano é um dos poucos que combinam o talento com uma atitude ética. Logo após o sucesso de Ten (1991), o quinteto encabeçado pelo vocalista Eddie Vedder preferiu o exílio aos holofotes. Deu poucas entrevistas, não apareceu mais em videoclipes e se dedicou a causas políticas e sociais – mas também nunca mais demonstrou a energia do seu trabalho de estréia. Esse novo lançamento recupera a força do grupo. As letras de Vedder ainda procuram salvação para o mundo, mas agora ele também se preocupa em soar como um autêntico cantor de rock'n'roll – um bom exemplo está na faixa Big Wave. Outro destaque é a dobradinha do baterista Matt Cameron e do baixista Jeff Ament, que brilham tanto nas faixas pesadas como em Parachutes, uma bela canção pop.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.

 

 
 
 
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