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VEJA Recomenda
DVDs Crooklyn (Estados Unidos, 1994. Universal)
No bairro nova-iorquino do Brooklyn, nos anos 70, um casal ela professora
e ele músico desempregado educa os cinco filhos, briga com os vizinhos
e quebra a cabeça para pagar as contas. E, como em tantos outros filmes
americanos, no espaço de um verão tudo que era dado como certo resultará
radicalmente diverso. O semi-autobiográfico Crooklyn, no entanto,
escrito por Spike Lee em parceria com sua irmã Joie e seu irmão
Cinqué, não tem nada de comum. Ele se destaca não apenas
pela crônica deliciosamente observada da vida em família, mas também
pela verve com que recria a década do "black is beautiful" e pelos
excelentes desempenhos de Alfre Woodard e Delroy Lindo. Em tempo: a distorção
de imagem que aparece lá pelos oitenta minutos de filme é um truque
de Lee, e não defeito do seu DVD. The
King (Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Focus) Gael García
Bernal, com um sotaque americano impecável, interpreta aqui Elvis, um rapaz
que, ao deixar a Marinha, vai procurar seu pai biológico, o pastor evangélico
David Sandow (William Hurt). Não é escolha casual do roteiro que
Sandow viva com a mulher e um casal de filhos na texana Corpus Christi: tranqüila
e sonolenta, a cidade é uma espécie de paraíso terrestre
e Elvis é a serpente aparentemente educada e bem-apessoada que vai
se insinuar nele. O diretor inglês James Marsh é conhecido por seus
documentários sobre o modo de vida americano (um deles, aliás, sobre
os hábitos alimentares de Elvis Presley). Mas, em seu primeiro trabalho
de ficção, mostra levar jeito para a coisa.
LIVROS O
Último Homem em Berlim, de Gaylord Dold (tradução
de Alda Porto e Cristina Laguna; Best Seller; 378 páginas; 39,90 reais)
Ex-advogado e editor, o americano Gaylord Dold já escreveu catorze
livros policiais. Em O Último Homem em Berlim, o grande charme é
o cenário: os crimes acontecem no ambiente decadentista de Berlim durante
a República de Weimar, com suas brigas de rua entre comunistas e nazistas
e seus atrevidos cabarés e bordéis. O herói é Harry
Wulff, detetive que persegue um assassino serial e namora uma psicanalista judia.
Aos poucos, ele vai desvendando as relações do assassino com o emergente
partido nazista. As investigações atingem seu ponto crítico
às vésperas da ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933.
Leia
trecho. Hulton
Arquive/Getty Images
 |  | | O'Brien:
Lost reavivou a fama do irlandês | |
O
Terceiro Tira, de Flann O'Brien (tradução de Luis Fernando
Brandão; L± 224 páginas; 14 reais) O irlandês
Flann O'Brien (1911-1966) era o típico autor cult, conhecido apenas por
um círculo restrito de admiradores, entre os quais se incluíam figurões
como James Joyce, Dylan Thomas e Graham Greene. Essa situação se
reverteu quando O Terceiro Tira, um de seus melhores (e mais estranhos)
romances, foi citado na segunda temporada do seriado-sensação Lost.
Nos Estados Unidos, o livro chegou a vender 10.000 exemplares em apenas dois dias
logo após a exibição do episódio em questão.
O livro é uma história policial, narrada por um assassino, na qual
se misturam bem-humorados elementos de ficção científica
como a teoria de que o universo teria a forma de uma salsicha. Collection
Roger-Viollet/AFP
 |  | | Goethe:
maestria em todas as formas | |
O
Aprendiz de Feiticeiro, de Johann Wolfgang von Goethe (tradução
de Mônica Rodrigues da Costa; Cosac Naify; 32 páginas; 36 reais)
Ao lado de obras monumentais como o poema dramático Fausto e
o romance Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, o alemão Goethe
(1749-1832) demonstrava maestria também em poemas breves e singelos. Composto
a partir de uma lenda popular, O Aprendiz de Feiticeiro é um bom
exemplo. A história tornou-se ainda mais célebre quando o camundongo
Mickey fez o papel do aprendiz desastrado em Fantasia, desenho animado
de 1940. Com belas ilustrações de Nelson Cruz, essa nova edição
bilíngüe é um daqueles livros infantis que os adultos também
têm prazer em ler. Leia
trecho. DISCOS Divulgação
 |  | | O
mineiro Freire: Brahms com a orquestra Gewandhaus | |
Brahms: the Piano Concertos, Nelson Freire e
Riccardo Chailly (Universal) O pianista mineiro Nelson Freire nunca escondeu
seu desconforto em relação aos estúdios de gravação.
Ele os acha frios e solitários, e sente falta de uma platéia que
admire seus dedilhados precisos. Pois esse disco duplo satisfaz tanto o exigente
Freire como seu público. Gravado ao vivo na sede da orquestra Gewandhaus,
da cidade alemã de Leipzig, ele traz Freire numa de suas especialidades:
o romântico Brahms (na visão dos críticos europeus, a origem
latina do pianista é que tornaria sua interpretação dos concertos
particularmente acalorada, uma rematada bobagem). Vale notar ainda que a regência
do italiano Riccardo Chailly que assumiu a orquestra no início do
ano passado deu novo ânimo aos instrumentistas da Gewandhaus, que
soam aqui mais inspirados do que em gravações anteriores. Divulgação
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Pearl Jam: a mesma energia dos velhos tempos | |
Pearl
Jam (Sony/ BMG) O grupo americano é um dos poucos que combinam
o talento com uma atitude ética. Logo após o sucesso de Ten
(1991), o quinteto encabeçado pelo vocalista Eddie Vedder preferiu o exílio
aos holofotes. Deu poucas entrevistas, não apareceu mais em videoclipes
e se dedicou a causas políticas e sociais mas também nunca
mais demonstrou a energia do seu trabalho de estréia. Esse novo lançamento
recupera a força do grupo. As letras de Vedder ainda procuram salvação
para o mundo, mas agora ele também se preocupa em soar como um autêntico
cantor de rock'n'roll um bom exemplo está na faixa Big Wave.
Outro destaque é a dobradinha do baterista Matt Cameron e do baixista Jeff
Ament, que brilham tanto nas faixas pesadas como em Parachutes, uma bela
canção pop. |