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Carta ao leitor O
eixo do bom senso Brasil, Chile, Uruguai e México
fariam um bem a si próprios e à região caso se alinhassem
para contrabalançar o avanço do populismo, da demagogia e da ideologização
representados pelo venezuelano Hugo Chávez e seus fantoches na América
Latina. Em graus variados, os quatro países são os únicos
da região aderentes à maioria dos princípios universalmente
aceitos de governabilidade e de condução civilizada da vida econômica.
São também aqueles que, por sua força econômica, tradição
político-cultural e maturidade institucional, parecem menos suscetíveis
de sofrer a influência nefasta de Chávez. Unidos, Brasil, Chile,
Uruguai e México formariam um eixo de bom senso capaz de reduzir o fenômeno
da "revolução bolivariana" a sua estatura real, populismo movido
com o dinheiro do farto petróleo venezuelano.
Os eventos da semana passada na Bolívia teriam sido mais fáceis
de evitar, ou suas conseqüências seriam muito menos graves, caso o
brasileiro Lula, a chilena Michelle Bachelet, o uruguaio Tabaré Vázquez
e o mexicano Vicente Fox tivessem agido em conjunto, de forma organizada. Infelizmente,
diversos fatores ainda contribuem para impedir que esse eixo do bom senso funcione.
Trabalha bem azeitado, porém, o outro eixo, o do populismo expansionista
venezuelano. Chávez ajudou o indígena Evo Morales, eleito presidente
na Bolívia, a planejar a nacionalização das empresas de gás
e petróleo do país. Chávez instrumentou-o sobre como explorar
o episódio do ponto de vista da propaganda interna e externa. Antes a dupla
se consultou com Fidel Castro, em Cuba. Uma reportagem
da presente edição mostra que o presidente Lula ficou a ver navios
em todo o episódio, sabendo tarde demais da decisão boliviana, de
cujas reservas de gás natural o Brasil depende quase totalmente. Soube
tarde, reagiu mal e erraticamente, alternando sua posição da manhã
para a tarde. Ora a favor, ora contra, ora neutro. Lula não é tolo.
Precisa só de melhores conselheiros e companhias. O eixo do bom senso faria
um bem enorme ao presidente brasileiro, agora que os países que ele pensava
liderar o consideram apenas mais um dos liderados de Chávez. |