Edição 1955 . 10 de maio de 2006

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Carta ao leitor
O eixo do bom senso

Brasil, Chile, Uruguai e México fariam um bem a si próprios e à região caso se alinhassem para contrabalançar o avanço do populismo, da demagogia e da ideologização representados pelo venezuelano Hugo Chávez e seus fantoches na América Latina. Em graus variados, os quatro países são os únicos da região aderentes à maioria dos princípios universalmente aceitos de governabilidade e de condução civilizada da vida econômica. São também aqueles que, por sua força econômica, tradição político-cultural e maturidade institucional, parecem menos suscetíveis de sofrer a influência nefasta de Chávez. Unidos, Brasil, Chile, Uruguai e México formariam um eixo de bom senso capaz de reduzir o fenômeno da "revolução bolivariana" a sua estatura real, populismo movido com o dinheiro do farto petróleo venezuelano.

Os eventos da semana passada na Bolívia teriam sido mais fáceis de evitar, ou suas conseqüências seriam muito menos graves, caso o brasileiro Lula, a chilena Michelle Bachelet, o uruguaio Tabaré Vázquez e o mexicano Vicente Fox tivessem agido em conjunto, de forma organizada. Infelizmente, diversos fatores ainda contribuem para impedir que esse eixo do bom senso funcione. Trabalha bem azeitado, porém, o outro eixo, o do populismo expansionista venezuelano. Chávez ajudou o indígena Evo Morales, eleito presidente na Bolívia, a planejar a nacionalização das empresas de gás e petróleo do país. Chávez instrumentou-o sobre como explorar o episódio do ponto de vista da propaganda interna e externa. Antes a dupla se consultou com Fidel Castro, em Cuba.

Uma reportagem da presente edição mostra que o presidente Lula ficou a ver navios em todo o episódio, sabendo tarde demais da decisão boliviana, de cujas reservas de gás natural o Brasil depende quase totalmente. Soube tarde, reagiu mal e erraticamente, alternando sua posição da manhã para a tarde. Ora a favor, ora contra, ora neutro. Lula não é tolo. Precisa só de melhores conselheiros e companhias. O eixo do bom senso faria um bem enorme ao presidente brasileiro, agora que os países que ele pensava liderar o consideram apenas mais um dos liderados de Chávez.

 
 
 
 
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