Edição 1 648 -10/5/2000

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DISCOS


Community Music, Asian Dub Foundation (London/WEA) – Mais do que simples banda, este quinteto parece uma verdadeira ONG movida a rock, reggae, dance music e ritmos asiáticos. Explicando melhor: formado em Londres por filhos de imigrantes indianos, o Asian Dub Foundation reza pela cartilha do "rock com mensagem". Seu terceiro disco é recheado de protestos contra o racismo, os políticos corruptos e a violência policial. Mas o que diferencia o ADF de milhares de roqueirinhos revoltados é que eles realmente praticam o que pregam. Atualmente, o grupo se empenha na libertação do indiano Satpal Ram, condenado pelo assassinato de um skinhead que ameaçava transformá-lo em churrasquinho.

Is There Anybody Out There?, Pink Floyd (EMI Music) – Atenção: este CD não tem nada a ver com as armações caça-níqueis que o Pink Floyd tem despejado nas lojas de discos nos últimos treze anos. Is There Anybody Out There? remete aos tempos de glória do grupo inglês, quando suas letras-cabeça e seu refinamento instrumental eram usados como antídoto contra a praga da disco music. O CD traz na íntegra dois concertos da turnê de The Wall (1979), que por pouco não levou o Pink Floyd à falência. O grupo torrou rios de dinheiro na confecção dos cenários. Havia penduricalhos como bonecos infláveis e um muro gigantesco, que se erguia à medida que os músicos executavam as pedradas do LP. A baixa bilheteria não afetou o rendimento da banda. Is There Anybody Out There? tem versões definitivas de hinos como Another Brick In The Wall - Part 2, Mother e Comfortably Numb, além de duas canções inéditas que ficaram de fora do celebrado álbum. Uma audição que se torna ainda mais saborosa graças ao bom momento do guitarrista David Gilmour, autor dos solos mais elegantes do mundo do rock.

Kaleidoscope, Kelis (Virgin) – Ex-vocalista de apoio de astros da soul music e do rap, Kelis mostra que soube tirar o máximo proveito dos anos de labuta. Kaleidoscope, CD de estréia dessa nova-iorquina de 20 anos, aproveita o que esses dois gêneros musicais têm de melhor. Às vezes o álbum soa como um disco de música negra dos anos 70, com baladas que poderiam até figurar num LP de Marvin Gaye. Mas, para não deixar seu trabalho datado demais, a moça enfiou uma batida rap em todas as composições. O resultado agrada tanto a admiradores da velha-guarda quanto aos que morrem de amores por um rapper insolente. Kelis também se mostra abusadinha nas letras. Em Caught Out There, por exemplo, ela passa um pito no ex-namorado ao descobrir que ele a traía com uma sirigaita. Imagine se Diana Ross, em seus tempos de moça casta, teria tanta coragem...

 

LIVROS

Clube da Luta, de Chuck Palahniuk (tradução de Vera Caputo; Nova Alexandria; 219 páginas; 22 reais) – O americano Chuck Palahniuk é um mecânico que adora fazer musculação. Sua maior força reside, entretanto, na imaginação extremamente fértil. Dela saiu este petardo violento e perturbador, que deu origem ao polêmico filme estrelado por Brad Pitt e Edward Norton. Mas cuidado: é programa só para quem se amarra em literatura pop e tem estômago resistente. Assim como na fita, a narrativa mais se assemelha a um pesadelo. Num ritmo esquizóide, movido pela repetição de bordões, o livro exibe um protagonista às voltas com crises de insônia e alucinações. Ele acaba encontrando um perigoso interlocutor, que o incentiva a fundar uma liga de homens dispostos a expiar suas neuroses em embates físicos – o clube do título. Daí emana uma trama cujo desenlace causa surpresa e inquietação.

Enciclopédia do Cinema Brasileiro (Senac; 664 páginas; 68 reais) – Desde que há cinema no Brasil, está em falta uma obra de referência que tenha a preocupação da precisão e da abrangência – e, principalmente, que se contenha no ímpeto de exaltar esta ou aquela figura. Esta enciclopédia se propõe a preencher tal lacuna de forma admirável. Contando com a colaboração de 45 autores, os organizadores apresentam 706 verbetes, em texto claro e conciso. Eles cobrem desde diretores e atores até técnicas cinematográficas (como "animação"), funções (por exemplo, "assistente de direção") e movimentos (caso de "cinema novo"). Há ainda verbetes dedicados a escritores cuja obra inspirou filmes, como Jorge Amado e José de Alencar – que, injustamente, serviu de base para o infame O Guarani de Norma Bengell. Para completar, 190 fotos ilustram a edição.

 

FILME

October Films
Anjelica (centro), em Anges Browne: drama em Dublin


Agnes Browne
(Estados Unidos, 1999. Estréia nesta sexta-feira) – Viúvas irlandesas pobres e desesperadas, com pencas de filhos, são candidatas imbatíveis a um bom dramalhão. Mas não quando quem está atrás da câmara é Anjelica Huston. Atriz de primeira linha, ex-mulher de Jack Nicholson e filha de um dos maiores diretores do cinema americano, John Huston, Anjelica imprime à história da protagonista Agnes Browne um sensato tom de crônica. A trama se passa na Dublin dos anos 60, quando as senhoras de respeito tinham quantos filhos a natureza lhes mandasse sem nem sonhar que a concepção pudesse vir acompanhada de algum tipo de prazer. Com a morte de seu marido jogador e beberrão, Agnes (interpretada pela própria Anjelica) vê seus problemas se multiplicarem. Mas ganha também a oportunidade de descobrir que a vida pode ter algo mais a oferecer. A diretora tem ótimo olho para retratar tipos provincianos (alguns muito cruéis, como o agiota local) e para pintar as mazelas da vida com sentimento. Um daqueles raros filmes sobre a Irlanda em que não há sinal de bombas do IRA ou tentativas de glorificar a pobreza.

 

TELEVISÃO

Malcolm in the Middle (domingos às 19h30, na Fox. Estréia prometida para dia 7) – A série americana está anos-luz à frente dos enlatados previsíveis que se encontram aos montes nos canais por assinatura. Seu segredo é subverter, na base do humor, situações típicas de seriados infanto-juvenis. Focaliza um garoto de 9 anos cuja rotina vira pelo avesso quando se descobre algo extraordinário: seu QI é 165. Ou seja, trata-se de um geniozinho que precisa ser enviado o mais rápido possível a uma escola para superdotados. Sempre de olhos arregalados, o pequeno Frankie Muniz arrasa no papel. Mas o elenco secundário, incluindo seus estranhos pais e um coleguinha deficiente, não fica devendo. Programa para toda a família.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano. Esta lista não inclui livros vendidos em bancas.