DISCOS
Community Music,
Asian Dub Foundation (London/WEA) Mais do que simples
banda, este quinteto parece uma verdadeira ONG movida a
rock, reggae, dance music e ritmos asiáticos. Explicando
melhor: formado em Londres por filhos de imigrantes indianos,
o Asian Dub Foundation reza pela cartilha do "rock com mensagem".
Seu terceiro disco é recheado de protestos contra
o racismo, os políticos corruptos e a violência
policial. Mas o que diferencia o ADF de milhares de roqueirinhos
revoltados é que eles realmente praticam o que pregam.
Atualmente, o grupo se empenha na libertação
do indiano Satpal Ram, condenado pelo assassinato de um
skinhead que ameaçava transformá-lo em churrasquinho.
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Is There Anybody
Out There?, Pink Floyd
(EMI Music) Atenção: este CD não
tem nada a ver com as armações caça-níqueis
que o Pink Floyd tem despejado nas lojas de discos nos últimos
treze anos. Is There Anybody
Out There? remete aos tempos
de glória do grupo inglês, quando suas letras-cabeça
e seu refinamento instrumental eram usados como antídoto
contra a praga da disco music. O CD traz na íntegra
dois concertos da turnê de The
Wall (1979), que por pouco
não levou o Pink Floyd à falência. O
grupo torrou rios de dinheiro na confecção
dos cenários. Havia penduricalhos como bonecos infláveis
e um muro gigantesco, que se erguia à medida que
os músicos executavam as pedradas do LP. A baixa
bilheteria não afetou o rendimento da banda. Is
There Anybody Out There?
tem versões definitivas de hinos como Another
Brick In The Wall - Part 2, Mother
e Comfortably Numb,
além de duas canções inéditas
que ficaram de fora do celebrado álbum. Uma audição
que se torna ainda mais saborosa graças ao bom momento
do guitarrista David Gilmour, autor dos solos mais elegantes
do mundo do rock.
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Kaleidoscope,
Kelis (Virgin) Ex-vocalista de apoio de astros da soul
music e do rap, Kelis mostra que soube tirar o máximo
proveito dos anos de labuta. Kaleidoscope,
CD de estréia dessa nova-iorquina de 20 anos, aproveita
o que esses dois gêneros musicais têm de melhor.
Às vezes o álbum soa como um disco de música
negra dos anos 70, com baladas que poderiam até figurar
num LP de Marvin Gaye. Mas, para não deixar seu trabalho
datado demais, a moça enfiou uma batida rap em todas
as composições. O resultado agrada tanto a
admiradores da velha-guarda quanto aos que morrem de amores
por um rapper insolente. Kelis também se mostra abusadinha
nas letras. Em Caught Out
There, por exemplo, ela passa
um pito no ex-namorado ao descobrir que ele a traía
com uma sirigaita. Imagine se Diana Ross, em seus tempos
de moça casta, teria tanta coragem...
LIVROS
Clube da Luta,
de Chuck Palahniuk (tradução de Vera Caputo;
Nova Alexandria; 219 páginas; 22 reais) O americano
Chuck Palahniuk é um mecânico que adora fazer
musculação. Sua maior força reside,
entretanto, na imaginação extremamente fértil.
Dela saiu este petardo violento e perturbador, que deu origem
ao polêmico filme estrelado por Brad Pitt e Edward
Norton. Mas cuidado: é programa só para quem
se amarra em literatura pop e tem estômago resistente.
Assim como na fita, a narrativa mais se assemelha a um pesadelo.
Num ritmo esquizóide, movido pela repetição
de bordões, o livro exibe um protagonista às
voltas com crises de insônia e alucinações.
Ele acaba encontrando um perigoso interlocutor, que o incentiva
a fundar uma liga de homens dispostos a expiar suas neuroses
em embates físicos o clube do título. Daí
emana uma trama cujo desenlace causa surpresa e inquietação.
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Enciclopédia
do Cinema Brasileiro
(Senac; 664 páginas; 68 reais) Desde que há
cinema no Brasil, está em falta uma obra de referência
que tenha a preocupação da precisão
e da abrangência e, principalmente, que se contenha
no ímpeto de exaltar esta ou aquela figura. Esta
enciclopédia se propõe a preencher tal lacuna
de forma admirável. Contando com a colaboração
de 45 autores, os organizadores apresentam 706 verbetes,
em texto claro e conciso. Eles cobrem desde diretores e
atores até técnicas cinematográficas
(como "animação"), funções (por
exemplo, "assistente de direção") e movimentos
(caso de "cinema novo"). Há ainda verbetes dedicados
a escritores cuja obra inspirou filmes, como Jorge Amado
e José de Alencar que, injustamente, serviu de
base para o infame O Guarani
de Norma Bengell. Para completar, 190 fotos ilustram a edição.
FILME
October Films
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| Anjelica (centro), em Anges
Browne: drama em Dublin |
Agnes Browne (Estados
Unidos, 1999. Estréia nesta sexta-feira) Viúvas
irlandesas pobres e desesperadas, com pencas de filhos,
são candidatas imbatíveis a um bom dramalhão.
Mas não quando quem está atrás da câmara
é Anjelica Huston. Atriz de primeira linha, ex-mulher
de Jack Nicholson e filha de um dos maiores diretores do
cinema americano, John Huston, Anjelica imprime à
história da protagonista Agnes Browne um sensato
tom de crônica. A trama se passa na Dublin dos anos
60, quando as senhoras de respeito tinham quantos filhos
a natureza lhes mandasse sem nem sonhar que a concepção
pudesse vir acompanhada de algum tipo de prazer. Com a morte
de seu marido jogador e beberrão, Agnes (interpretada
pela própria Anjelica) vê seus problemas se
multiplicarem. Mas ganha também a oportunidade de
descobrir que a vida pode ter algo mais a oferecer. A diretora
tem ótimo olho para retratar tipos provincianos (alguns
muito cruéis, como o agiota local) e para pintar
as mazelas da vida com sentimento. Um daqueles raros filmes
sobre a Irlanda em que não há sinal de bombas
do IRA ou tentativas de glorificar a pobreza.
TELEVISÃO
Malcolm in the Middle
(domingos às 19h30, na Fox. Estréia prometida
para dia 7) A série americana está anos-luz
à frente dos enlatados previsíveis que se
encontram aos montes nos canais por assinatura. Seu segredo
é subverter, na base do humor, situações
típicas de seriados infanto-juvenis. Focaliza um
garoto de 9 anos cuja rotina vira pelo avesso quando se
descobre algo extraordinário: seu QI é 165.
Ou seja, trata-se de um geniozinho que precisa ser enviado
o mais rápido possível a uma escola para superdotados.
Sempre de olhos arregalados, o pequeno Frankie Muniz arrasa
no papel. Mas o elenco secundário, incluindo seus
estranhos pais e um coleguinha deficiente, não fica
devendo. Programa para toda a família.