Edição 1 648- 10/5/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo

POLÍTICA

O preferido
Saiu do forno há alguns dias uma secretíssima pesquisa eleitoral encomendada pelo alto comando do PFL. A pergunta era: qual desses nomes deve ser o candidato do partido em 2002? Deu Silvio Santos na cabeça, com boa folga, seguido de Roseana Sarney e ACM. Quem entende do riscado, porém, já avisou aos caciques pefelistas que SS tem características que fazem dele um puro-sangue na largada e um pangaré na chegada.

Até quando
Agora que o governo fechou um acordo com o PFL para a votação do salário mínimo, a questão é saber por quanto tempo ACM se agüentará na dissidência. (Na votação que ocorrerá na quarta-feira, ele arrastará debaixo de seu guarda-chuva basicamente a bancada baiana – esse é seu poder de fogo no momento.)

 

ECONOMIA

Tempo quente

O clima entre as cinco famílias que controlam a Ipiranga, que não era bom há séculos, anda insuportável nestes tempos que antecedem a venda do grupo.

Aliança
O que hoje compõe a divisão petroquímica do grupo Ipiranga pode acabar nas mãos da Odebrecht e de parte da família Gouvêa Vieira.

Aquisições à vista
A Vale do Rio Doce está mirando no mercado externo. Nos Estados Unidos, o alvo será uma mineradora. No Oriente Médio, uma usina de beneficiamento de minério de ferro.

Vem coisa aí
A discretíssima agitação que costuma anteceder os grandes negócios é evidente na cúpula do Unibanco. Aliás, as ações do banco controlado pelos Moreira Salles subiram 23% só neste ano.

Interesses elevados
As eleições para a diretoria da poderosa Previ, dona de um patrimônio de 32 bilhões de reais, têm custos dignos de grandes campanhas para deputado federal. Estima-se que uma das três chapas concorrentes esteja gastando 2 milhões de reais e as duas outras 1,5 milhão cada uma. De onde sai tanta grana? Simples: os tesoureiros de campanha passam o chapéu entre empresários que fazem (ou querem fazer) negócios com a Previ. A cota de cada um desses desinteressados capitalistas fica em torno de 40.000 reais. Como ninguém é bobo, quase todos preferem ser ecumênicos: pingam um dinheirinho nas três chapas.

Ainda bem
Em tempos de enxugamento de pessoal, algumas notícias razoáveis viram boas novas formidáveis. Um levantamento feito pela consultoria Arthur Andersen com as 500 maiores empresas da América Latina revela que 75% delas vão manter ou aumentar seu quadro de funcionários.

 

GOVERNO

Cada um por si
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, tinha na semana passada duas ocupações que preenchiam seu pesado expediente. A primeira era tentar esvaziar a greve dos caminhoneiros. E a outra era falar mal do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Padilha estaria até montando um dossiê contra seu colega de ministério.

E agora Itamar
Os mimos que Itamar Franco vem dando aos militares desde o início de seu governo não estão sendo suficientes para fazê-lo um herói da categoria. Cerca de 200 oficiais da PM mineira estão ameaçando fazer uma barulhenta greve no início do mês que vem, a menos que seus vencimentos tenham reajuste de quase 100%. Há três anos, uma paralisação de PMs transformou Belo Horizonte numa praça de guerra. A diferença é que, em 1997, o protesto foi iniciado pelos praças; agora, quem está no pelotão de frente são os oficiais de alta patente.

 

INTERNET

Mina de ouro
Os controladores do iG estão negociando 10% do portal com um fundo de investimentos americano. Uma operação de 70 milhões de dólares, a ser anunciada até o fim de maio. É impressionante: há apenas dois meses, a Brasil Telecom entrou como sócia do iG e pagou 2,8 milhões de dólares por 11% da empresa.

 

LEÃO

Sem sair de casa mesmo
Agora que 90% dos contribuintes brasileiros já declaram seu imposto de renda pela internet (nos EUA, a meca da tecnologia, apenas 10% fazem o mesmo), a Receita promete um conforto a mais para o ano que vem: permitir que os brasileiros paguem o IR por cartão de crédito via internet.


Bola fora


Eduardo Monteiro


Craque nos gramados, o jogador Romário precisará de muita habilidade para driblar a Justiça. O Ministério Público Federal o denunciará, nesta semana, por ter sonegado o imposto de renda nos cinco anos que morou na Europa. Nesse período, não alimentou o Fisco com um centavo sequer dos milhões que ganhou com investimentos no Brasil. Há também a suspeita de que tenha montado, paralelamente, uma operação de lavagem de dinheiro. O esquema contaria com uma empresa sediada nas Ilhas Virgens, da qual o atacante e um empreiteiro carioca seriam sócios. Se o processo emplacar, Romário corre sério risco de trocar as redes pelas garras do Leão.

 
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Colaborou: José Edward Lima