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Liberdade tem preço
Montar
a própria casa exige
investimento
planejado e cálculo
cuidadoso das contas mensais
Adriana
Negreiros
Sim. É
verdade que os jovens estão saindo cada vez mais tarde da casa
dos pais. Mas nada mudou naquele sonho de ter um espaço próprio,
longe do olhar vigilante deles e daquela decoração que,
convenhamos, é do século passado. Com o primeiro emprego
e algum dinheiro no bolso, muitos se aventuram nessa experiência,
sozinhos, com amigos ou formando um casal. Aí vem a barra de enfrentar
as contas domésticas e pior o risco de, meses depois de dar
o grito de independência, voltar para a casa dos pais. Para evitar
essa situação, é melhor conter o ânimo e realizar
algumas contas antes de procurar o apartamento. Quem não tem o
hábito de fazer compras, de pagar conserto de vazamento nem de
manter em dia a taxa do condomínio costuma tomar um susto na hora
de analisar o primeiro fechamento do caixa doméstico, no fim do
mês.
O primeiro
passo para a mudança sem trauma é investir de forma planejada
na infra-estrutura. Para montar uma casa básica para duas pessoas,
num padrão próximo ao de classe média, não
se gastam menos de 5 000 reais. A conta inclui móveis essenciais
e utensílios domésticos, além de ser o primeiro banho
de água fria em quem acredita que é possível sobreviver
apenas com uma TV e um colchão. Hoje, nem mesmo quem passa alguns
dias numa barraca de camping tolera um ambiente tão espartano.
O passo seguinte é colocar na ponta do lápis as despesas
mensais, incluindo siglas e nomes estranhos ao vocabulário de quem
acaba de sair da adolescência coisas como IPTU, o imposto predial
e territorial urbano, conta telefônica e preço do gás.
Para quem quer um pouco mais de sofisticação e conforto,
há ainda a assinatura da TV a cabo e o provedor de internet
sem falar na diária da faxineira. O preparador físico baiano
Cláudio Almeida, de 24 anos, seguiu com cuidado a receita para
deixar sem riscos a casa da mãe, no próximo mês. Já
tem a televisão e utensílios da cozinha, além de
lençóis e toalhas, e vai usar uma economia de 3.000
reais para comprar cama, geladeira e uma estante para os livros. Como
não come em casa, não comprará o fogão, por
enquanto. Em lugar de sofá, terá almofadas. Almeida pretende
adquirir móveis aos poucos, investindo na qualidade, uma atitude
elogiada pelos decoradores e por quem já teve a experiência
de objetos que desmoronam no primeiro esbarrão. "Em lugar de comprar
vários móveis ruins, é melhor adquirir uma peça
boa de cada vez", reza a arquiteta Eliane Kruschewsky. No começo,
ela sugere que o morador apele para a criatividade. Empilhar os livros
e colocar uma luminária no topo, por exemplo, resolve ao mesmo
tempo a falta de estante e de criado-mudo e dá um clima de criatividade
ao ambiente.
Quem não
gosta de improvisos tem a alternativa de comprar pelo menos o básico
e ir trocando peças mais tarde. O casal de publicitários
Priscila Paiva, de 23 anos, e Jean Pierre Silveira, de 25, investiu 11
000 reais na primeira mobília de um apartamento em Fortaleza e
tem praticamente tudo, incluindo itens que muitos considerariam um luxo
para quem está começando, como máquina de lavar,
DVD, ar-condicionado, computador, scanner e TV de 29 polegadas. Eles passaram
um ano e meio economizando para o casamento e, mesmo com tanto planejamento,
ainda foram surpreendidos com as contas de fim de mês. Pagam 370
reais de aluguel e quase o dobro com imposto, energia, supermercado e
faxineira. Além de acreditarem na sobrevivência sem o mínimo
de conforto, os donos-de-casa de primeira viagem também se equivocam
ao crer que o telefone celular é suficiente. Na primeira conta,
vão descobrir que, só de ligações para pedir
entrega de comida, gastaram mais que com a contratação de
uma linha fixa para a residência. Veja no fichário os custos
que devem ser levados em conta antes de proclamar a própria independência.
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