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Um
papa brasileiro?
O nome do cardeal Cláudio Hummes, arcebispo de
São Paulo, está na lista
dos papáveis
Mario
Sabino
Epitacio Pessoa/AE
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AFP
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| Dom
Cláudio: prestígio na Cúria romana |
O
papa João Paulo II: dificuldade para andar
e falar |
Tudo
indica que o pontificado de João Paulo II está chegando
a seu epílogo. Aos 81 anos, o papa polonês é uma pálida
sombra do homem vigoroso e de sorriso largo que assumiu o comando da Igreja
Católica em 1978. Combalido pelo mal de Parkinson, com o joelho
direito corroído pela artrose, João Paulo II não
conseguiu desempenhar plenamente as suas funções nas cerimônias
litúrgicas da Semana Santa. Na tradicional via-crúcis realizada
ao lado do Coliseu, em Roma, ele só proferiu as palavras finais
– e com extrema dificuldade. Uma imagem da televisão italiana,
que mostrava o papa babando enquanto falava, causou constrangimento no
Vaticano. Como a saúde de João Paulo II piora a olhos vistos,
voltaram a circular, inclusive, rumores de que ele renunciaria – o que
mais uma vez foi desmentido pela Cúria romana. Naturalmente, as
especulações sobre quem será o novo papa também
ganharam espaço nos jornais nos últimos dias. E, entre os
papáveis citados pelos vaticanistas, figura o cardeal-arcebispo
de São Paulo, dom Cláudio Hummes.
O prelado brasileiro teria chance de ser eleito num conclave simpático
à idéia de a Igreja ser guiada por um representante do Terceiro
Mundo – hipótese que passou a ser cogitada a partir de meados da
década de 60, quando se encerrou o liberalizante Concílio
Vaticano II. Dom Cláudio substituiu dom Lucas Moreira Neves na
bolsa de apostas dos vaticanistas, desde que este ficou doente e praticamente
deixou de exercer suas atividades. A favor do cardeal-arcebispo de São
Paulo estão os 67 anos de idade (ideal para os padrões do
Vaticano), a boa saúde (sofre apenas de uma rinite alérgica
sem maiores conseqüências), a afinidade com as linhas gerais
adotadas por João Paulo II, o domínio de cinco línguas
e a ótima imagem que construiu entre os cardeais da Cúria
romana, eleitores com enorme influência nos conclaves. Um sinal
do prestígio de dom Cláudio na cúpula eclesiástica
é que ele faz parte de uma congregação e de seis
conselhos pontifícios. Outro é o fato de ter sido chamado
para dirigir os trabalhos no último retiro anual do papa, em fevereiro
passado. Sua atuação foi elogiada: nas 22 palestras que
realizou, todas em italiano, demonstrou clareza sobre os caminhos a ser
tomados pela Igreja, tanto no plano estritamente teológico, como
no das questões morais e sociais.
Contra dom Cláudio, no entanto, pesam alguns aspectos. Em primeiro
lugar, entre os papáveis do Terceiro Mundo, o nome de maior força
é o do nigeriano Francis Arinze. Ele é negro – o que se
reveste de grande simbolismo –, conta com o apoio de um eleitor peso-pesado,
o cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para
a Doutrina da Fé, e é proveniente da África, um continente
estratégico para a expansão da fé católica.
Além disso, a Igreja brasileira, verdade seja dita, não
goza de confiança integral no Vaticano. Seus laivos esquerdistas
e sua tendência ao sincretismo não constituem exatamente
um fermento para a candidatura de dom Cláudio. Outro fator contra
o brasileiro é que, na verdade, a escolha de um cardeal do Terceiro
Mundo num conclave continua a ser uma possibilidade algo remota. O mais
provável, segundo os analistas mais respeitados, é que o
sucessor de João Paulo II seja mesmo um italiano. Dionigi Tettamanzi,
arcebispo de Gênova, é tido como um dos favoritos.
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