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A
última de Antinori
Jornal noticia que o médico italiano
criou um clone e o implantou no
útero de uma mulher
O
ginecologista italiano Severino Antinori, o médico que no ano passado
provocou uma gritaria entre cientistas do mundo inteiro ao anunciar que
pretende clonar um ser humano, voltou a provocar confusão. Na última
semana, um jornal do Oriente Médio publicou a notícia de
que suas pesquisas estão caminhando e que um embrião clonado
já teria até sido implantado em uma mulher, que estaria
na oitava semana de gravidez. Citando o próprio Antinori como fonte,
a reportagem afirma que o médico fez o anúncio ao responder
a uma pergunta durante uma reunião sobre ética e genética
realizada em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos. A história
do jornal Gulf News sobre Antinori foi reproduzida por diversas
agências noticiosas e pela internet. A clínica do
médico em Roma não confirmou nem desmentiu a notícia.
Em entrevista a VEJA, em agosto, Antinori prometeu para 2003 o nascimento
do primeiro bebê clonado produzido em seus laboratórios.
O principal argumento contra as pesquisas de Antinori é que não
há conhecimento científico suficiente para evitar que embriões
clonados sejam portadores de graves defeitos e malformações.
O anúncio por meio de um jornal como o Gulf News deixou
indignados outros pesquisadores. "É a prova de que já é
hora de termos leis internacionais que proíbam aventureiros como
Antinori de fazer coisas que a sociedade vê com restrições",
disse Richard Nicholson, editor do Boletim de Ética Médica
britânico. "Ele não está nem um pouco interessado
no bem-estar das crianças que vão nascer. Só lhe
interessa sua notoriedade." O professor de genética Steve Jones,
do University College London, também desconfia da veracidade da
notícia e a atribui ao gosto de Antinori pelos holofotes. "O fato
de essa informação ter saído pelo serviço
de notícias e não por uma revista científica nos
dá a dimensão de como esse senhor procura promoção
publicitária", avalia Jones. Antinori não apareceu para
comentar o que foi publicado no Gulf News. No passado, ele costumava
rebater as críticas com argumentos grandiloqüentes. "Não
adianta ficarmos receosos porque, se tivermos medo, a ciência e
a medicina se estagnarão", diz o médico, que já se
comparou a Galileu Galilei, o astrônomo perseguido pela Igreja Católica
no século XVII.
Os cientistas têm motivos de sobra para não confiar em Antinori.
Suas pesquisas vêm sendo conduzidas na semiclandestinidade. O médico
não revela o nome dos patrocinadores de sua empreitada, avaliada
em mais de 300.000 dólares. Diz apenas que são investidores
árabes e asiáticos. Antinori também se recusa a dizer
quem são os vinte pesquisadores de diferentes nacionalidades que
trabalham no projeto e mantém segredo sobre as clínicas
envolvidas no processo. A exceção é Panayiotis Zavos,
médico americano que tem um centro de pesquisa em reprodução
artificial no Estado do Kentucky, Estados Unidos. Zavos é o único
parceiro de Antinori que aceitou aparecer publicamente. Um mês depois
de revelar seu projeto, Antinori foi expulso da Associação
Internacional de Clínicas e Laboratórios Privados de Reprodução
Artificial (Apart), entidade da qual chegou a ser vice-presidente. O motivo
da expulsão foi "má conduta a respeito de clonagem para
fins de reprodução". A Associação Médica
Italiana também está nos calcanhares de Antinori e ameaça
revogar seu registro profissional caso ele não desista de seus
planos. O médico não tem nenhuma intenção
de fazer isso. Ele diz que a iniciativa apresenta bom prognóstico
e que mais de 600 casais italianos e outros 6.000 americanos já
se inscreveram como cobaias. A questão é saber até
que ponto esses números são verdadeiros.
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