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Um século
de sabedoria
Charles Ford
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| Jacques
Barzun: infância com Apollinaire e Gide |
O entrevistado
das páginas amarelas
de VEJA nesta semana é um sábio de raras qualidades. Educador,
crítico cultural, ensaísta e historiador, Jacques Barzun
é uma espécie de cápsula do tempo que concentrou
boa parte do conhecimento e da sabedoria do século XX. Francês
de nascimento, passou quase toda a vida adulta nos Estados Unidos. Aos
94 anos, ele se retirou no ano passado da cátedra que manteve por
décadas na Universidade Colúmbia, em Nova York. Atualmente
vive em San Antonio, no Texas, de onde conversou por telefone com Carlos
Graieb, editor de Artes e Espetáculos de VEJA. "A lucidez dele
é espantosa. Falou durante mais de uma hora com correção
e beleza sobre os mais diversos assuntos", comenta Graieb. Barzun lembrou
sua infância, quando a casa dos pais era freqüentada por gênios
da literatura e da pintura. Ele se recorda de ter convivido com o romancista
André Gide (1869-1951) e de ter aprendido a ler as horas com a
ajuda do poeta Guillaume Apollinaire (1880-1918). "Foi um dos grandes
períodos criativos de nossa cultura", diz Barzun, que estudou português
para ler Camões e agora se prepara para enfrentar a obra do padre
Antônio Vieira.
As entrevistas
de VEJA firmaram uma tradição de qualidade no jornalismo
brasileiro. Graieb mesmo já entrevistou diversos outros autores
consagrados internacionalmente, como o americano Tom Wolfe, o peruano
Vargas Llosa e o inglês Paul Johnson. As páginas amarelas
são uma seção em que chefes de Estado, líderes
empresariais, pensadores e cientistas brasileiros e estrangeiros de renome
se revezam com outros personagens que se qualificam como entrevistados
menos por seu saber e mais por sua personalidade única. Nos últimos
meses, VEJA entrevistou gente de peso, como Shimon Peres, ministro das
Relações Exteriores de Israel, Horst Koehler, diretor-geral
do FMI, e Tony Blair, primeiro-ministro britânico. Mesmo numa galeria
dessas, Jacques Barzun consegue se destacar.
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