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Bancos Que Opportunity!Como a
Previ fez negócio com o banco As conversas grampeadas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, que levaram à demissão de cinco funcionários do governo, mostram como o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, agiu em favor do Opportunity, um banco de investimento do Rio de Janeiro, no leilão da Telebrás inclusive forçando a Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, a fazer parceria com o Opportunity. Na semana passada, descobriu-se que os negócios da Previ com o Opportunity são mais estranhos do que se depreende das fitas do BNDES. No início de fevereiro, um diretor do fundo, Arlindo de Oliveira, mandou uma carta ao presidente da Previ. São três páginas, e o tom é de indignação, expresso em frases que se encerram com três pontos de exclamação. Na carta, o diretor relata que a diretoria da Previ, reunida em julho do ano passado, decidiu que não faria parceria com o Opportunity no leilão das teles tendo de pagar ao banco 7 milhões de reais por ano de "taxa de administração". A diretoria achou o valor descabido e decidiu só fazer o negócio se não tivesse de pagar a taxa. O estranho é que essa decisão foi ignorada. A Previ associou-se ao Opportunity na compra de três teles (Tele Centro Sul, Telemig Celular e Tele Norte Celular) e comprometeu-se a arcar com os 7 milhões de reais por ano, apesar da decisão contrária da diretoria. Além disso, a Previ, na sociedade com o Opportunity, queria poderes para apitar na gestão das três teles, mas, como até hoje o contrato não foi assinado, o fundo está pagando os 7 milhões de reais e não tem nenhum poder de decisão na administração das teles. "Tais fatos vão flagrantemente de encontro ao decidido pela diretoria executiva!!!", acusa o diretor Arlindo de Oliveira em sua carta. "É prejuízo para os funcionários e para o Banco do Brasil, que sustentam a Previ", acusa o deputado Ricardo Berzoini, que presidiu o Sindicato dos Bancários de São Paulo por seis anos. O mesmo negócio, com as mesmas taxas, foi feito no caso da Telemar, a tele que o então ministro Mendonça de Barros achava de bom alvitre vender ao Opportunity. No caso da Telemar, o negócio também foi selado à revelia da diretoria da Previ, mas não foi executado, pois a Telemar acabou sendo arrematada por outro consórcio. Auditoria Como pode a diretoria do maior fundo de pensão da América Latina reunir-se, tomar uma decisão e ser solenemente ignorada? Quem é o responsável? São essas respostas que quatro conselheiros da Previ, eleitos pelos funcionários do Banco do Brasil, irão buscar a partir desta segunda-feira. Eles farão uma reunião do conselho deliberativo, apresentarão a carta do diretor Arlindo de Oliveira e pedirão auditoria. O banco Opportunity explica que a cobrança da taxa é regular, pois não prestaria um serviço à Previ sem cobrar por ele, e afirma que nem sabia que a diretoria do fundo tomara decisão contrária. Nesta semana, o deputado Aloizio Mercadante, do PT de São Paulo, levará o caso ao Ministério Público. "É preciso saber a relação entre as pressões de Mendonça de Barros em favor do Opportunity e o acerto que só prejudica a Previ", questiona o deputado.
Felipe Patury
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