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em Angola, Guillermo Fariñas
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Ernesto/EFE![]() |
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OSSOS E CONSCIÊNCIA Guillermo "Coco" Fariñas: "Há momentos na história em que é preciso haver mártires" |
Morrer pela liberdade e pela democracia é viver eternamente", dizia o pedreiro Orlando Zapata, com a força interior que nos momentos de trevas brilha em certas consciências, como um farol que salva a humanidade. Honrando da forma mais extrema suas convicções, Zapata morreu há duas semanas, depois de 85 dias de greve de fome. Enquanto a família velava o morto e a polícia prendia mais de100 cidadãos preventivamente para evitar protestos, cinco dissidentes quatro deles presos políticos iniciaram greves de fome como homenagem póstuma ao companheiro tombado. Temendo novas mortes, os mais influentes membros da oposição democrática ao regime comunista lançaram uma campanha para demovê-los da ideia. Quatro acataram os argumentos. Um persistiu: Guillermo Fariñas, o "Coco" (careca). Ele clama pela libertação de duas dezenas de presos políticos com problemas de saúde. Na quarta-feira 3, quando completava oito dias sem água nem comida, Fariñas, 48 anos, desmaiou e foi internado. Recebeu 4 litros de soro. Ao retomar a consciência, pediu que os tubos fossem arrancados, do mesmo jeito que já fizera outras tantas vezes, em suas 22 greves de fome anteriores. Negou-se a comer e foi expulso do hospital. "Quero morrer", disse ele, ecoando Zapata. "Há momentos na história em que é preciso haver mártires."
Enquanto Zapata se foi na escuridão das prisões e hospitais, Fariñas transformou-se numa denúncia ambulante que nem os de olhos bem fechados podem fingir que não enxergam. Sua trajetória, que vai de homem leal ao regime a uma voz cortante da dissidência, é um caso exemplar. Seguindo o caminho do pai, que lutou no Congo com Che Guevara, Fariñas foi militante da União de Jovens Comunistas e soldado das Forças Armadas. Em 1981, combateu em Angola. Ganhou duas medalhas por bravura e o direito de aprimorar seu treinamento na União Soviética. Começou aí o despertar de sua consciência. Desolação, corrupção e incompetência grassavam no país que o regime cubano queria emular. De volta a Havana, ele denunciou diretores de um hospital que desviavam lençóis e leite em pó das crianças. Foi preso. Em 1989, quando o general Arnaldo Ochoa foi fuzilado sob acusação de tráfico de drogas em um processo sumário até hoje misterioso, Fariñas discordou e caiu em desgraça no partido. Em busca de uma nova carreira, formou-se em antropologia e psicologia. Fundou uma agência de notícias independente, a Cubanacán, e começou a escrever textos para o exterior. Em 1997, iniciou a primeira das 23 greves de fome que transformaram seu corpo em pele sobre ossos dolorosamente protuberantes. A penúltima delas foi pelo prosaico direito de acessar a internet. Em sete meses de protestos perdeu 30 quilos e acabou numa cadeira de rodas. "Irei até o fim", diz agora. Como as pessoas honradas o ajudarão?