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metal, The Story of Anvil
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Divulgação![]() |
| CONTRA
A CORRENTE Lips e Robb Reiner (no centro), os líderes do Anvil: empresários atrapalhados, shows pagos com um prato de comida e famílias que pedem a eles que desistam do sonho de se tornar astros do rock |
Steve
Kudlow e Robb Reiner são dois canadenses fracassados. Kudlow, mais conhecido
pelo apelido de Lips, é entregador de merenda escolar e Reiner faz pequenos
consertos. A única alegria de Lips e Reiner é sua banda, Anvil,
que nos anos 80 foi candidata ao primeiro escalão do heavy metal. O pouco
conforto dos dois cinquentões é tocar em qualquer buraco que lhes
seja oferecido no sonho de poder, ao menos, transformar a música em ganha-pão.
As memórias, as aventuras e, acima de tudo, as decepções
da dupla fazem de The Story of Anvil (Estados Unidos, 2008) imperdível.
A produção, que será exibida nos dias 19 e 28 em São
Paulo, é o principal destaque do In-Edit Brasil, que apresenta documentários
musicais. Apesar de a Anvil ser uma banda de heavy metal, o filme dirigido por
Sacha Gervasi não é uma produção sobre o gênero.
É uma história sobre amizade, persistência e a dificuldade
de aceitar o próprio fracasso.
Onde quer que seja exibido, The Story of Anvil provoca reações emocionadas. O ator Dustin Hoffman, por exemplo, chorou e pendurou-se no pescoço do baterista Reiner após assistir à produção. "É o cara do filme Papillon?", perguntou em seguida o baterista (pois é, a única referência de Dustin Hoffman é de um filme lançado há 37 anos: Lips e Reiner são o estereótipo do metaleiro desconectado da realidade). O choro de Hoffman tem razão de ser. Em uma hora e meia de documentário, a dupla do Anvil vive todo tipo de humilhação. A família os aconselha a largar o sonho de viver de rock; a empresária é uma italiana que mal sabe balbuciar uma frase completa em inglês e não faz reservas de trem e avião (o resultado são horas de espera em estações e aeroportos); numa apresentação na cidade de Praga, o contratante quer pagar o cachê deles com goulash; e a mulher de Lips vai trabalhar como atendente de telemarketing para bancar a gravação de um novo CD. Sucesso, para eles, é tocar no Japão, de tarde, para uma plateia minguada.
O cineasta Gervasi é um velho amigo da banda. Nos anos 80, trabalhou como assistente de palco do Anvil (e, segundo confissão do próprio, perdeu a virgindade com uma fã do grupo). Gervasi tocou bateria em grupos de rock pesado, mas só tomou rumo na vida quando foi estudar cinema na Universidade da Califórnia. Anos mais tarde, tornou-se roteirista de O Terminal, produção dirigida por Steven Spielberg. Em 2004, Gervasi retomou contato com os amigos do Anvil. "Eu sabia que eles não tinham feito sucesso, mas desconhecia a situação desesperadora na qual se encontravam", diz ele, em entrevista a VEJA. Decidido a fazer um documentário sobre seus amigos de adolescência, Gervasi convidou Lips para jantar com a produtora Rebecca Yeldham. Ela se convenceu a bancar o projeto depois de Lips dizer à dupla que jamais havia entrado naquele restaurante pela porta da frente mas trabalhara como entregador para o estabelecimento, apanhando as sacolas na porta dos fundos.
Gervasi acompanhou o Anvil por dois anos. Ele teve o bom senso de não maquiar os piores momentos da banda e captou, com rara sensibilidade, a indivisível amizade de Lips e Reiner (durante uma briga, Lips, com o rosto empapado de lágrimas, diz um "eu te amo" capaz de emocionar até o pior detrator do heavy metal). A repercussão de Story of Anvil rendeu frutos ao cineasta. Ele vai dirigir dois projetos, sendo que um deles, My Dinner with Hervé, fala do jantar "felliniano" (as aspas são de Gervasi) que teve com Hervé Villechaize, o Tattoo do seriado A Ilha da Fantasia. Já o Anvil... Bem, eles continuam tentando. Em 2009, abriram os shows da turnê do AC/DC nos Estados Unidos. "Recentemente, passei duas horas em Nova York e fui cumprimentado por 27 fãs!", diz Lips. Mas nada é garantido.