Seções
• VEJA.comPanorama
• Imagem da SemanaBrasil
• Justiça: Aberta a caixa-preta do esquema BancoopInternacional
• Chile: Um terremoto avassaladorGeral
• Educação: O Brasil ficou longe de atingir as metas para 2010Artes e Espetáculos
• Cinema: Entrevista: Sandra BullockTelevisãoO estraga-prazeresEstava tudo programado para a décima
edição do Big Brother
Brasil
|
Frederico Rozario/Tv Globo![]() |
FALOU O BRUCUTU O lutador Marcelo Dourado: em sua lógica absurda, os heterossexuais não transmitem aids |
VEJA TAMBÉM |
| • Em profundidade: BBB10 |
Toda madrugada, uma legião de mulheres gruda os olhos na transmissão em pay-per-view do Big Brother Brasil para acompanhar o banho do lutador Marcelo Dourado. "Tanto as meninas quanto as senhoras ficam enlouquecidas", diz Lilian Novaes, carioca que comanda o Tevescopio, blog que defende Dourado. Feioso e com cara de poucos amigos, o lutador não se enquadra no perfil de galã. Ainda assim, as fãs conseguem enxergar até esse atributo no marmanjo. Para outra parcela do público, porém, Dourado é um monstro. Com a escalação de um emo gay, uma drag queen, uma lésbica e heterossexuais simpatizantes, a décima edição do BBB era destinada a ser uma celebração da "diversidade", para usar a palavra em voga entre os politicamente corretos. Mas Dourado, de 37 anos (e que teve passagem apagada por uma versão anterior do BBB), estragou a festa. Militantes acusam-no de homofobia por declarações como a de que só os gays transmitiriam aids que levou a Procuradoria da República em São Paulo a instaurar um inquérito contra a Globo. Há duas semanas, irritado com as fofocas da lésbica Morango, Dourado deu outra baixaria. Em meio a palavrões, vociferou que quebraria seus dedos e a despacharia para um hospital "se ela fosse homem".
Era de esperar que Dourado fosse defenestrado, já que esse tipo de agressividade não costuma dar ibope. "O Brasil teria de mudar para que alguém que não seja pobre ou bonzinho triunfe no BBB", diz o diretor Boninho. Essa percepção, no entanto, foi posta em xeque. Dourado bateu a lésbica num paredão com recorde de 77 milhões de votos. Na semana passada, a marca voltou a ser rompida: numa eleição de 92 milhões, ele venceu a namoradinha de seu maior desafeto, o modelo Eliéser. Ao que tudo indica, sua santificação não decorre de uma inclinação do público contra as minorias, e sim o oposto disso. Há a sensação de que ele está sofrendo uma discriminação às avessas uma espécie de "heterofobia". É patente que a franca maioria na casa preferiria vê-lo pelas costas. Dourado se beneficia ainda da falta de outras figuras masculinas fortes. Seu contraponto, o também fortão Cadu, é fofo demais para ser macho alfa.
Há, por fim, a influência das torcidas organizadas gente que passa o dia participando de correntes de votações. Na semana passada, a animosidade entre comunidades pró e contra Dourado atingiu nível crítico. A niteroiense Susan Mello, autora de um blog que desanca o rapaz, o De Cara pra Lua, denunciou ameaças. "Falaram até que vão dar um tiro em mim", diz ela. A vida não está nada dourada neste BBB.