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Home  »  Revistas  »  Edição 2155 / 10 de março de 2010


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Conversa com Martinho da Vila

Um sambista na Academia

Com a morte do bibliófilo José Mindlin, ocorrida na semana
passada, abriu-se uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL).
Um dos nomes cogitados entre os acadêmicos para ocupar
a cadeira é um sambista: Martinho da Vila. Seria uma indicação
inédita na centenária história da instituição


André Eler

Divulgação
Martinho: o Machado de Assis dos nossos tempos

O senhor será candidato à Academia?
Ainda não estou totalmente decidido. Mas admito ter uma certa intimidade com aquela casa. Volta e meia, dou uma chegadinha por lá...

O que o senhor faz na ABL?
Vou tomar chá. O pessoal sempre me convida para o chá, servido às quintas-feiras. É um encontro que serve para discutir ideias. Essa é a minha praia.

O senhor já escreveu algum livro?
Tenho dez livros publicados. Comecei com um infantojuvenil, chamado Vamos Brincar de Política?, e peguei o hábito.

Qual é seu estilo literário?
É difícil de definir, não tenho uma influência muito clara. Não tem alguém em quem eu me espelhe. Quem mais me influenciou talvez tenha sido Machado de Assis. Tem um livro que eu fiz inspirado nele: Memórias Póstumas de Teresa de Jesus, que faz paralelo com o Memórias Póstumas de Brás Cubas. E também já fiz um samba-enredo sobre o Machado.

Como era a letra?
"De Dom Casmurro foi autor,/ da Academia de Letras foi sócio-fundador;/ depois, alcançou a presidência,/ tendo demonstrado grande competência."

 
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