Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Radar

GOVERNO

O bombeiro Garotinho
Desde a semana passada, Anthony Garotinho tem sido acarinhado pelo governo e passou a atuar, discretamente, como bombeiro da crise política. Seus contatos com o governo têm sido frutíferos. Um encontro entre ele e o ministro José Dirceu está sendo articulado.

O bufão e o prejuízo
Na ponta do lápis, a fanfarronice do senador Almeida Lima (PDT/SE) custou ao Brasil 4 milhões de reais. Foi esse o valor pago a mais pelo governo no leilão de títulos do Tesouro ocorrido pouco antes do patético discurso em que o senador prometera fazer revelações que comprometeriam José Dirceu.

Nordeste em chamas
Pegou fogo uma audiência entre o ministro Ciro Gomes e o governador de Sergipe, João Alves, na semana passada, em Brasília. Houve gritos e dedos em riste. A divergência tinha nome e sobrenome: a ajuda aos flagelados nas enchentes de janeiro.

Gato escaldado
O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, baixou uma norma: os lobistas não podem mais circular pelo ministério. Quem quiser examinar os processos em andamento receberá o material numa salinha determinada no ministério, mas não poderá mais perambular pelas secretarias.

 

As fixas mais perto da Embratel


Ricardo Benichio
Xavier, da Telefônica: reunião secreta num hotel de luxo no Rio de Janeiro
Na tarde de quarta-feira passada, no Caesar Park do Rio de Janeiro, houve uma reunião-chave para a venda da Embratel. Sob sigilo absoluto, três diretores da americana MCI (controladora da Embratel), liderados pelo executivo Douglas Webster, negociaram com pesos-pesados das empresas de telefonia fixa – Fernando Xavier Ferreira, presidente da Telefônica; Octavio Azevedo, presidente do conselho de administração da Telemar; e Arthur Carvalho, diretor da Brasil Telecom. A conversa durou uma hora e meia. E o resultado é que o meganegócio está bem encaminhado, embora ainda vá demorar a ser anunciado. Agora, resta a aprovação da Anatel. Há uma série de discussões jurídicas sobre se as empresas de telefonia fixa podem mesmo comprar a Embratel. Mas a posição do governo é favorável à transação.

 

PSDB

Vida de ex-presidente
FHC está na muda – não quer botar lenha na fogueira da crise política –, mas já está despachando diariamente em seu novo gabinete no Instituto FHC, no centro de São Paulo.

 

MINAS GERAIS

Conta que não fecha
O governador Aécio Neves vem fazendo descobertas inusitadas depois que decidiu olhar com lupa os gastos da máquina do Estado. Um exemplo: os carros que servem a uma das secretarias do governo mineiro chegam a apresentar uma diferença de até 8 quilômetros por litro no consumo de combustível, apesar de serem do mesmo modelo e do mesmo ano.

 

BRASIL

Linha dura na lavanderia
Da série "o paraíso não é mais ali": os bancos suíços resolveram mesmo limpar alguns escândalos potenciais de suas carteiras de clientes. Nos dois primeiros meses deste ano, um grande banco suíço fechou vinte contas correntes de políticos de Santa Catarina numa penada só.

 

ECONOMIA

A Coca-Cola contra-ataca
A Coca-Cola está processando a Dolly Refrigerantes por danos morais e materiais. Alega que vem sofrendo uma campanha difamatória da polêmica concorrente brasileira.

Racha na Anfavea
A GM e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que teoricamente se encontram no mesmo barco, estão batendo de frente. O centro da discórdia são os motores bi-combustíveis (que podem ser usados com álcool e gasolina). A Anfavea não quer brigar pela manutenção da redução de impostos para os carros fabricados com esse tipo de motor, alegando que nem todas as montadoras detêm essa tecnologia. A GM reage. "Estão tentando padronizar a concorrência", ataca José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors.

No olho do furacão
Marcel Telles, Beto Sicupira e Jorge Paulo Lemann, o trio de co-controladores da InterBev, devem a partir de agora passar mais tempo no exterior que no Brasil. O objetivo é ficar perto do centro de decisões da nova gigante das cervejas. A mudança maior será na rotina de Telles e Sicupira. Lemann há dois anos já se divide entre a Suíça (onde moram sua mulher e seus filhos) e o Brasil.

As cartas do Skaf

O industrial Paulo Skaf, candidato oposicionista à presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), tem um trunfo em mãos: oitenta cartas de presidentes de sindicatos patronais aceitando o convite para integrar sua chapa. O total de votos na Fiesp é 126. Agora, o outro lado só pensa em derrubar esses apoios.

 

CULTURA

Incentivo sem conflito
A Companhia das Letras publicou recentemente livros com as principais letras de dois astros da MPB. Um deles, Letra Só, apresenta as mais importantes composições de Caetano Veloso. O outro, Todas as Letras, traz 470 canções de Gilberto Gil. Há uma diferença entre as duas obras. O livro do ministro foi produzido com base em incentivos fiscais concedidos pelo ministério comandado por Gil. Mas o Ministério da Cultura esclarece: embora só tenha chegado às livrarias neste ano, o projeto foi aprovado em 2002, quando Gil ainda não era ministro.

 

FUTEBOL

Em partes iguais
O carinho da Petrobras/BR é igual para brasileiros e argentinos. O valor do patrocínio que a estatal banca para os times do Flamengo e do Racing é rigorosamente igual: 12 milhões de reais por ano.

 

TELEVISÃO

Mais Ana Maria
A Globo renovou o contrato de Ana Maria Braga. Ela fica até o fim de 2007.

 

Lágrimas de crocodilo

Ana Araujo
Fernando Collor: com "pena" do PT


Acredite se quiser: a um interlocutor, na semana passada, o ex-presidente Fernando Collor de Mello disse "sinceramente" lamentar muito a crise política que explodiu no colo do governo Lula. "Fiquei triste com o caso Waldomiro, em que o ministro José Dirceu foi alvejado de modo irreversível", afirma. "Logo agora que o país poderia começar a crescer."

 

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
Colaboraram Felipe Patury e Alexandre Oltramari

 



Foto: André Penner


 
 
 
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