|
|
Cinema
O
humor aos 50
A
atuação da veterana Diane
Keaton segura a onda na comédia
Alguém Tem que Ceder

Marcelo
Marthe
Divulgação
 |
| Diane
e Nicholson: choro e traseiro à mostra |
Durante
boa parte da comédia romântica Alguém
Tem que Ceder (Something's Gotta Give, Estados Unidos,
2003), em cartaz em circuito nacional a partir desta sexta-feira,
a protagonista da fita só faz uma coisa: chorar, chorar e
chorar por causa de suas dificuldades de mulher madura às
voltas com a redescoberta do amor. Seria uma pataquada sem fim,
não fosse o talento humorístico da atriz Diane Keaton,
que interpreta a personagem. Quanto mais a cinqüentona Diane
(de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) sofre, mais risos
ela provoca. É a atriz, afinal, quem segura a onda do filme
e isso não é pouco. Assim como em seu trabalho
anterior, Do que as Mulheres Gostam (2000), a diretora e
roteirista Nancy Meyers se ampara na reciclagem dos clichês
daquelas comédias dos anos 40 e 50 que exploravam a guerra
dos sexos. Afora o fato pouco usual de que o casal protagonista
já é bem passado dos 50 anos, o filme segue uma fórmula
previsível. Erica, a personagem vivida por Diane, é
uma dramaturga de sucesso que vê com ceticismo a possibilidade
de que algum homem possa se interessar por uma mulher na sua idade.
Jack Nicholson encarna Harry, um playboy da terceira idade que não
se deita com nenhuma mulher acima de 30 anos e tem um caso com a
filha de Erica. A hostilidade é mútua quando eles
se conhecem na casa de praia da dramaturga nos Hamptons, o balneário
chique nas imediações de Nova York. Mas bingo
isso logo cede lugar à atração.
O
roteiro de Nancy Meyers pode não ser um primor de criatividade,
mas é inegável que, como diretora, ela imprime um
ritmo satisfatório a uma fita que não tem outra pretensão
além de entreter. O maior senão da fita é a
atuação burocrática da ala masculina. Os atores
parecem se comportar como são na vida real. Nicholson, por
exemplo, dá a impressão de ter se baseado em sua própria
biografia para encarnar o sessentão ninfomaníaco.
O ator (ou o espectador, dependendo do ponto de vista) paga o grande
mico da fita: numa cena em que seu personagem, infartado, está
no hospital, ele aparece com um camisolão e de traseiro à
mostra. O galã Keanu Reeves, por sua vez, exala aquela mesma
"sensibilidade natural" que faz as mulheres se derreterem por ele.
Seu personagem é um jovem médico apaixonado pela dramaturga
de meia-idade. "Eu a-do-ro suas peças, já vi todas
elas", diz ele.
|