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Sociedade
Um
casamento em chamas
Em
processo de separação, Luma acumula
surpresas. Primeiro, não está grávida.
Segundo: o bombeiro existe, sim

Daniela Pinheiro
Ari Lago
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Paulo Jares
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ALEGRIA
EM FAMÍLIA
Retratos de um casamento: Luma com Eike, apaixonada
e grávida, e um momento discreto para os padrões
da mulher que radicalizou o exibicionismo |
Para
uma mulher que transformou a exposição em público
numa atividade-fim, Luma de Oliveira atingiu o ápice nas
últimas semanas: nunca se falou tanto sobre ela. Desde que
se soube que estava se separando litigiosamente do marido, o empresário
Eike Batista, dias antes do Carnaval, ela virou o centro das especulações
mais alucinadas. Em meio à enxurrada de boatos está
ou esteve grávida, foi proibida por Eike de desfilar na Sapucaí,
pediu a separação porque o marido tem outra família
, um pelo menos tem lastro: há, de fato, um bombeiro
na história. Madrinha do calendário da corporação,
condecorada com faixa e sorrisos transbordantes há um ano,
Luma aproximou-se na mesma época do capitão José
Albucacys de Castro Júnior. Carioca de 27 anos, 1,80 metro
de altura e 80 quilos, ele raspa os pêlos do peito, usa calça
justa, é bronzeadíssimo e tem olhos azul-piscina.
Foi merecidamente tratado como a maior estrela do dito calendário.
VEJA teve acesso às mensagens de texto guardadas no celular
de Albucacys. Essas mensagens são uma febre entre jovens
e adolescentes. Elas são recebidas automaticamente mesmo
que a pessoa não possa atender ao telefone e deixam registrado
o número do aparelho que as produziu. No celular de Albucacys
estão arquivados mais de quinze recados enviados por Luma
a ele, de dezembro até o mês passado. As ligações
foram feitas de dois números de celular. Um deles é
de Eike Batista. O segundo pertence a Jocimar Pereira Paiva, astrólogo
e amigo da musa carnavalesca desde a adolescência em Niterói.
"Ela ficou com meu celular por um tempo para pegar uns recados para
mim", disse Paiva a VEJA. As mensagens de Luma para Albucacys têm
um tom carinhoso e mostram como ambos tratavam a crise desencadeada
desde o momento em que ela anunciou que não ia desfilar no
Carnaval porque estava grávida, depois confirmou a separação,
depois desmentiu que estivesse grávida e culpou Eike pelo
imbróglio todo.
Antonio Ribeiro
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Paulo Jares
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res
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EXPLOSÃO
EM PÚBLICO
Outros carnavais: inesquecível visão de
sensualidade e graça no primeiro desfile, em 1987, e
os afagos ao marido, nos últimos tempos |
Em
uma das mensagens, enviada em 31 de dezembro passado, às
12h59, Luma diz que Albucacys "foi a melhor coisa que aconteceu"
em sua vida em 2003. Em outra, de 20 de fevereiro, às 10h43
quando surgiram boatos de que a suposta gravidez seria de
um eventual amante , ela o orienta sobre como proceder caso
jornalistas lhe perguntassem se tinham algum relacionamento: "Você
nem precisa dizer que somos amigos, apenas fale que fez o calendário,
como os outros". Cinco minutos depois, ela, aparentemente em resposta
a uma mensagem dele, escreve: "Seu apoio me interessa sim. Eu quiz
(sic) me separar. Tenho esse direito". O relacionamento foi
testemunhado por várias pessoas do círculo de Albucacys.
Segundo elas, a história começou em São Paulo
e continuou no Rio com encontros esporádicos em um apartamento
no bairro de Botafogo. O relacionamento desabou há três
semanas, quando Luma, no meio do furacão conjugal, fez ameaças
ao bombeiro caso ele se pusesse a falar sobre o assunto. "Isso é
tudo mentira. Ela não tem o telefone desse sujeito. Ela nem
sabe passar mensagem pelo celular", contesta o advogado de Luma,
Michel Assef. Vinte minutos depois da declaração do
advogado, na noite de quinta-feira, VEJA constatou uma ligação
de um terceiro número de celular de Luma para o aparelho
de Albucacys.
Ser
notícia faz parte da genética de Luma desde que desfilou
no Carnaval pela primeira vez, maravilhosamente bela, com os seios
nus ainda não turbinados. A modelo-e-atriz incipiente
alcançou outro patamar de celebridade ao se casar com Eike
numa atmosfera de escândalo só superada agora pela
separação. Ele estava de casamento marcado quando,
apaixonado, desfez tudo para ficar com Luma, igualmente apaixonada
e grávida de verdade. Ela deixou a carreira nada brilhante,
à exceção do Carnaval, para virar a senhora
Eike Batista. À sua exibidíssima maneira, claro. Aonde
fosse festa, estréia, inauguração de
hidrelétrica , vestia-se de quase nada para ser o foco
de todos os olhares e câmeras, com um pezinho (equilibrado
em salto altíssimo) na sensualidade brejeira e outro na pura
vulgaridade. Seu momento de glória incontestada, a cada ano,
acontecia no Carnaval, à frente da bateria de alguma escola:
lá, virava rainha, poderosa, linda, plenamente integrada
e senhora de um público embasbacado. Os problemas recentes
começaram em janeiro, quando ela anunciou que não
ia poder estrear em sua nova escola, a Mocidade Independente (tinha
sido defenestrada da Viradouro), porque estava grávida e
o médico havia proibido. Depois, aflorou a notícia
da separação, pedida por ela, num clima misterioso.
E, em seguida, o choroso desmentido da gravidez. Ao jornal O
Globo, Luma disse que a história havia sido inventada,
por sugestão de Eike, para abafar o fato de que ele se recusava
terminantemente a deixá-la desfilar neste ano. Fingindo-se
de grávida, tudo ficaria bem. Como se viu, tudo ficou mal.
Segundo
pessoas próximas ao ex-casal, por trás de tudo existe
uma crise pessoal de grandes proporções, que vai além
de eventuais encantamentos. Dizem os amigos que Luma e o marido
passaram treze anos relativamente bem casados; quando o ímpeto
exibicionista dela passava dos limites, lá vinha uma amostra
do compromisso (à moda Luma, diga-se: a abusada coleira com
o nome Eike, o inacreditável broche na calcinha com as iniciais
EB em strass), e a coisa se arranjava. Nos últimos meses,
porém, o casamento andava mal e o suposto ciúme dele
teve papel muito pequeno, se é que teve algum, nas desavenças
conjugais. Afinal, qualquer um que visse as fotos do casal podia
notar em Eike um ar de orgulho em posar ao lado de Luma vestida
de Luma: fendas, decotes, transparências, vestidos justos
e curtos e até um usado com uma simples meia-calça
entre ela e o resto do mundo. Até os 150.000
reais da impressão do segundo calendário (em que Albucacys
também marca presença) foram pagos por Eike. Quando
Luma desistiu do Carnaval neste ano, o marido desembolsou quase
200.000 reais para acalmar os ânimos
dos patronos da Mocidade.
A
fase conturbada vivida por ela, dizem os conhecidos, tem sua origem
na proximidade dos 40 anos, que vai completar em dezembro, um marco
que pode ser devastador para uma mulher incensada pela beleza há
mais de duas décadas. Nos últimos tempos, não
pára de reclamar que engordou e implica com as constantes
viagens do marido. Também ficou mortificada por ter sido
desligada da escola de samba Viradouro, onde brilhou por cinco anos.
Solitária, com poucos amigos, Luma ainda teve o consolo de
ser o centro das atenções quando anunciou a gravidez
fictícia, mas a situação rapidamente ficou
incontrolável. Agora, amarga a sensação, não
rara entre esposas em crise, de que o marido estragou sua vida.
"Ele tirou dela as coisas de que ela mais gostava: a profissão
de modelo e o prazer de ir para o Carnaval", diz o irmão
dela, Mem de Oliveira. Dono de um grupo com negócios nas
áreas de energia, águas e mineração,
Eike Batista tem um patrimônio estimado em quase 1 bilhão
de reais. O fim do casamento sacramentado no regime de comunhão
parcial de bens pode render a Luma e família uma fortuna
capaz de sustentar sua vida até a terceira geração.
Se ela quiser, pode ir para uma ilha curar as feridas, recompor
o espírito, refletir sobre a passagem do tempo e a efemeridade
da fama... e outras fantasias. Ou alguém imagina Luma levando
uma vida de recolhimento?
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