Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Sociedade
Um casamento em chamas

Em processo de separação, Luma acumula
surpresas. Primeiro, não está grávida.
Segundo: o bombeiro existe, sim


Daniela Pinheiro


Ari Lago
Paulo Jares
ALEGRIA EM FAMÍLIA
Retratos de um casamento: Luma com Eike, apaixonada e grávida, e um momento discreto para os padrões da mulher que radicalizou o exibicionismo

Para uma mulher que transformou a exposição em público numa atividade-fim, Luma de Oliveira atingiu o ápice nas últimas semanas: nunca se falou tanto sobre ela. Desde que se soube que estava se separando litigiosamente do marido, o empresário Eike Batista, dias antes do Carnaval, ela virou o centro das especulações mais alucinadas. Em meio à enxurrada de boatos – está ou esteve grávida, foi proibida por Eike de desfilar na Sapucaí, pediu a separação porque o marido tem outra família –, um pelo menos tem lastro: há, de fato, um bombeiro na história. Madrinha do calendário da corporação, condecorada com faixa e sorrisos transbordantes há um ano, Luma aproximou-se na mesma época do capitão José Albucacys de Castro Júnior. Carioca de 27 anos, 1,80 metro de altura e 80 quilos, ele raspa os pêlos do peito, usa calça justa, é bronzeadíssimo e tem olhos azul-piscina. Foi merecidamente tratado como a maior estrela do dito calendário. VEJA teve acesso às mensagens de texto guardadas no celular de Albucacys. Essas mensagens são uma febre entre jovens e adolescentes. Elas são recebidas automaticamente mesmo que a pessoa não possa atender ao telefone e deixam registrado o número do aparelho que as produziu. No celular de Albucacys estão arquivados mais de quinze recados enviados por Luma a ele, de dezembro até o mês passado. As ligações foram feitas de dois números de celular. Um deles é de Eike Batista. O segundo pertence a Jocimar Pereira Paiva, astrólogo e amigo da musa carnavalesca desde a adolescência em Niterói. "Ela ficou com meu celular por um tempo para pegar uns recados para mim", disse Paiva a VEJA. As mensagens de Luma para Albucacys têm um tom carinhoso e mostram como ambos tratavam a crise desencadeada desde o momento em que ela anunciou que não ia desfilar no Carnaval porque estava grávida, depois confirmou a separação, depois desmentiu que estivesse grávida e culpou Eike pelo imbróglio todo.


Antonio Ribeiro
Paulo Jares
res
EXPLOSÃO EM PÚBLICO
Outros carnavais: inesquecível visão de sensualidade e graça no primeiro desfile, em 1987, e os afagos ao marido, nos últimos tempos

Em uma das mensagens, enviada em 31 de dezembro passado, às 12h59, Luma diz que Albucacys "foi a melhor coisa que aconteceu" em sua vida em 2003. Em outra, de 20 de fevereiro, às 10h43 – quando surgiram boatos de que a suposta gravidez seria de um eventual amante –, ela o orienta sobre como proceder caso jornalistas lhe perguntassem se tinham algum relacionamento: "Você nem precisa dizer que somos amigos, apenas fale que fez o calendário, como os outros". Cinco minutos depois, ela, aparentemente em resposta a uma mensagem dele, escreve: "Seu apoio me interessa sim. Eu quiz (sic) me separar. Tenho esse direito". O relacionamento foi testemunhado por várias pessoas do círculo de Albucacys. Segundo elas, a história começou em São Paulo e continuou no Rio com encontros esporádicos em um apartamento no bairro de Botafogo. O relacionamento desabou há três semanas, quando Luma, no meio do furacão conjugal, fez ameaças ao bombeiro caso ele se pusesse a falar sobre o assunto. "Isso é tudo mentira. Ela não tem o telefone desse sujeito. Ela nem sabe passar mensagem pelo celular", contesta o advogado de Luma, Michel Assef. Vinte minutos depois da declaração do advogado, na noite de quinta-feira, VEJA constatou uma ligação de um terceiro número de celular de Luma para o aparelho de Albucacys.

Ser notícia faz parte da genética de Luma desde que desfilou no Carnaval pela primeira vez, maravilhosamente bela, com os seios nus – ainda não turbinados. A modelo-e-atriz incipiente alcançou outro patamar de celebridade ao se casar com Eike numa atmosfera de escândalo só superada agora pela separação. Ele estava de casamento marcado quando, apaixonado, desfez tudo para ficar com Luma, igualmente apaixonada – e grávida de verdade. Ela deixou a carreira nada brilhante, à exceção do Carnaval, para virar a senhora Eike Batista. À sua exibidíssima maneira, claro. Aonde fosse – festa, estréia, inauguração de hidrelétrica –, vestia-se de quase nada para ser o foco de todos os olhares e câmeras, com um pezinho (equilibrado em salto altíssimo) na sensualidade brejeira e outro na pura vulgaridade. Seu momento de glória incontestada, a cada ano, acontecia no Carnaval, à frente da bateria de alguma escola: lá, virava rainha, poderosa, linda, plenamente integrada e senhora de um público embasbacado. Os problemas recentes começaram em janeiro, quando ela anunciou que não ia poder estrear em sua nova escola, a Mocidade Independente (tinha sido defenestrada da Viradouro), porque estava grávida e o médico havia proibido. Depois, aflorou a notícia da separação, pedida por ela, num clima misterioso. E, em seguida, o choroso desmentido da gravidez. Ao jornal O Globo, Luma disse que a história havia sido inventada, por sugestão de Eike, para abafar o fato de que ele se recusava terminantemente a deixá-la desfilar neste ano. Fingindo-se de grávida, tudo ficaria bem. Como se viu, tudo ficou mal.

Segundo pessoas próximas ao ex-casal, por trás de tudo existe uma crise pessoal de grandes proporções, que vai além de eventuais encantamentos. Dizem os amigos que Luma e o marido passaram treze anos relativamente bem casados; quando o ímpeto exibicionista dela passava dos limites, lá vinha uma amostra do compromisso (à moda Luma, diga-se: a abusada coleira com o nome Eike, o inacreditável broche na calcinha com as iniciais EB em strass), e a coisa se arranjava. Nos últimos meses, porém, o casamento andava mal e o suposto ciúme dele teve papel muito pequeno, se é que teve algum, nas desavenças conjugais. Afinal, qualquer um que visse as fotos do casal podia notar em Eike um ar de orgulho em posar ao lado de Luma vestida de Luma: fendas, decotes, transparências, vestidos justos e curtos – e até um usado com uma simples meia-calça entre ela e o resto do mundo. Até os 150.000 reais da impressão do segundo calendário (em que Albucacys também marca presença) foram pagos por Eike. Quando Luma desistiu do Carnaval neste ano, o marido desembolsou quase 200.000 reais para acalmar os ânimos dos patronos da Mocidade.

A fase conturbada vivida por ela, dizem os conhecidos, tem sua origem na proximidade dos 40 anos, que vai completar em dezembro, um marco que pode ser devastador para uma mulher incensada pela beleza há mais de duas décadas. Nos últimos tempos, não pára de reclamar que engordou e implica com as constantes viagens do marido. Também ficou mortificada por ter sido desligada da escola de samba Viradouro, onde brilhou por cinco anos. Solitária, com poucos amigos, Luma ainda teve o consolo de ser o centro das atenções quando anunciou a gravidez fictícia, mas a situação rapidamente ficou incontrolável. Agora, amarga a sensação, não rara entre esposas em crise, de que o marido estragou sua vida. "Ele tirou dela as coisas de que ela mais gostava: a profissão de modelo e o prazer de ir para o Carnaval", diz o irmão dela, Mem de Oliveira. Dono de um grupo com negócios nas áreas de energia, águas e mineração, Eike Batista tem um patrimônio estimado em quase 1 bilhão de reais. O fim do casamento sacramentado no regime de comunhão parcial de bens pode render a Luma e família uma fortuna capaz de sustentar sua vida até a terceira geração. Se ela quiser, pode ir para uma ilha curar as feridas, recompor o espírito, refletir sobre a passagem do tempo e a efemeridade da fama... e outras fantasias. Ou alguém imagina Luma levando uma vida de recolhimento?

 
 
 
 
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