Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Cartas

 

"Emoção, identificação e poesia foi o que me inspirou o relato em torno dessa mulher, de quem sou companheira anônima de 'transgressões'."
Maria das Graças Targino
Teresina, PI


Lya Luft

A reportagem "No mundo da Lya" (3 de março) revela a admirável capacidade do ser humano de se superar e surpreender. É gratificante ler a respeito dessa figura notável e conhecer sua intimidade. Está de parabéns a autora da matéria por ter conseguido transmitir, sem exageros nem sensacionalismos, as faces de Lya que ainda não conhecíamos.
Chieko Aoki
Presidente da Blue Tree Hotels

Contrariando o "mito da Amélia", Lya, a mulher que não cozinha, não borda nem se submete, mostra o que é ser a mulher de verdade. Cartilha a ser seguida por todas que conjugam o verbo pensar.
Chaja Freida Finkelsztain
Rio de Janeiro, RJ

No fim do ano passado, comentava com uma grande amiga acerca do livro Perdas e Ganhos, de Lya Luft, que eu gostaria de ter escrito, tamanha minha empatia com as idéias da autora. Meu entusiasmo foi tanto que comprei vários exemplares para presentear no Natal. Pensei: seria muito egoísmo não socializar tantas idéias boas sobre assuntos que interessam a todos nós, como amor, família, envelhecimento, felicidade, recomeços.
Maria Laura de Castro Cardoso Macedo
Teresina, PI

Já era tempo de prestar uma homenagem a essa mulher que tem falado de uma forma tão compreensível sobre a necessidade de repensarmos nossas atitudes, o que contribui para nosso amadurecimento no processo de transformação, e não de "deterioração e apagamento".
Edite Paulina dos Santos
Natal, RN

O ser humano tem pouco tempo e muito receio de voltar-se para dentro de si mesmo, o que é uma pena. Somente no âmago de cada um se pode encontrar o que nossa espécie tem de melhor. Inútil procurar em outro lugar.
Levi Rodrigues de Castro
Santo Antonio do Monte, MG

Achei linda a história de Lya Luft. Sua leitura fez suscitar a admiração por este sentimento: a paixão. A habilidade de Isabela Boscov mais uma vez se fez presente, e ela nos presenteou com um texto inteligente e à altura da grande pessoa e escritora que é Lya Luft.
Marcelo de Oliveira
Barretos, SP

 

Patrick Guerriero

O que realmente importa para a sociedade não é se somos gays ou heterossexuais, mas se somos equilibrados, centrados como pessoas capazes de exercer uma profissão ou um cargo, seja de maior ou menor importância social. Excelente a entrevista com Patrick Guerriero (Amarelas, 3 de março).
Doutor Luciano Sardinha
Goiânia, GO

Fiquei muito surpreso e satisfeito com a entrevista. Achei extremamente importante o esclarecimento do casamento gay, já que a população brasileira tem um preconceito enorme em relação a essa questão. Eu, um adolescente homossexual, sei o que é viver reprimido pela sociedade. São muitas as dificuldades. Espero que tenhamos um retorno satisfatório nessa questão nos Estados Unidos e, quem sabe, um dia no Brasil.
João M.
Bragança Paulista, SP

Daqui a um mês ocorrerá em Genebra a sexagésima sessão anual da Comissão dos Direitos Humanos (CDH) da ONU e nela poderá ser decidido o futuro próximo de centenas de milhões de gays, lésbicas e transgêneros ao redor do planeta. Apesar de até agora o governo federal ter feito muito pouco para defender os direitos dos homossexuais no Brasil, a delegação brasileira na CDH de 2003 surpreendeu ao apresentar uma resolução histórica proibindo em todo o mundo a discriminação com base na orientação sexual. A resolução reconhece a existência de discriminação e afirma que ela contraria a Declaração Universal de Direitos Humanos, convocando todos os governos a promover e a proteger os direitos humanos e civis das pessoas, independentemente da orientação sexual. Se aprovada, será a primeira resolução da ONU a estabelecer relação entre direitos humanos e orientação sexual.
João Paulo Borges
Brasília, DF

Mas que conceito é esse que a sociedade ainda tem do casamento? Promessa de amor fiel no altar e respeito até o fim da vida? Que ritual é esse que a Igreja mantém até hoje? Que promessa é essa que poucos estão dispostos a cumprir? O que vemos é traição total! Por que impedir a união civil entre dois homens, quando homens e mulheres se juntam sem lenço, sem documento, sem bênção e fazem filhos para passar fome ou ser adotados, muitas vezes pelos próprios homossexuais?
Antonio Marcos Ribeiro
Sorocaba, SP

Perguntas e respostas de grande força. A repórter e o entrevistado deixaram bem claro para o leitor que a discriminação e a humilhação impostas a nossos irmãos homossexuais têm de ter um fim logo.
Moisés Neto
Recife, PE

O senhor Patrick Guerriero se mostrou um católico praticante de araque. Ser católico é aceitar os ensinamentos da Igreja. As práticas do aborto e do homossexualismo são graves rompimentos com a vontade de Deus. Não basta ir à missa e rezar o pai-nosso e a ave-maria para ser um católico autêntico.
Jorge Antônio Jaeger de Sant'Anna
Porto Alegre, RS

 

Governo Lula

É com especial interesse que acompanhamos o desenrolar do escândalo dos bingos através da revista VEJA. A paralisação do governo comentada no último artigo reflete o poder de "eminência parda" do senhor José Dirceu, que, para muitos, é efetivamente o presidente do Brasil. Lula foi eleito pela sua popularidade, mas quem governa, de fato, parece ser o senhor José Dirceu. É com perplexidade que assistimos à medida provisória para o fechamento dos bingos, como se aí estivesse a causa do escândalo. A causa do escândalo é simplesmente a alegação de corrupção contra membros do governo. Caso o mesmo fato tivesse ocorrido no governo Fernando Henrique Cardoso, o PT seria o primeiro partido a pedir a instalação de uma CPI, e seria aquela barulheira.
Luís Flávio Gonçalves
Troy, Michigan, Estados Unidos

Cumprimento o governo pelo fechamento dos bingos e jogos eletrônicos, por qualquer que seja a razão, e rezo para que não sejam reabertos. Trata-se de extorsão branca, em que os extorquidos não têm a noção exata da perda: financeira, física, psíquica, social e espiritual. Fico indignado quando alguns governadores falam em perda de receita nesse segmento. Acredito que existem formas mais dignas de geração de empregos e de recursos.
D. R. (um viciado que já perdeu muito)
Goiânia, GO

O escândalo em que se meteram o governo do PT e seu ministro mais influente mostra o tamanho do golpe eleitoral a que a população brasileira foi submetida. Chega de corrupção e tamanha falta de vergonha dos políticos em tentar tapar o sol com a peneira. Fica claro que só sabem fazer promessas quando querem chegar ao poder. Após a conquista, eles mudam o discurso. O governo do PT e seus aliados estão confirmando que são todos iguais, farinha do mesmo saco.
Marlon Alves Silva
Salvador, BA

Na excelente matéria, a repórter transcreve manifestação de um "amigo" do ministro José Dirceu: "Um homem que fica casado quatro anos com uma mulher sem revelar sua identidade é um cara forte". Minha avaliação é outra. Quem escondeu, durante quatro anos, da mulher que escolheu para ser mãe de seus filhos sua verdadeira identidade e seu passado não mostra força, mas hipocrisia e pouco caráter.
Leonides de Carvalho Filho
Belo Horizonte, MG

 

Contexto

O "pseudo-sábio" (assessor direto do presidente Lula), ao avisar que "Se ele (Lula) levar a mão à barba, recomendo a quem esteja à sua frente que mude de assunto ou saia da sala", enganou-se. É bom que ele saiba que nós, mulheres, ao sermos contrariadas, costumamos alisar a (falsa) barba desde o canto da boca até o queixo. O tal assessor, parece, pintou o "monstro" mais feio do que ele é, e quem fala demais dá bom-dia a cavalo, diz um conhecido ditado ("O humor e o gesto do presidente", Contexto, 3 de março).
Mirna Machado
Guarulhos, SP

Na importante questão sobre o modo como Lula cofia sua barba, eu, barbado que sou, poderia aconselhar o nobre colega a colocá-la mesmo é de molho. Com o PT se apresentando como está, o molho ideal seria mesmo o rosé. De preferência, frio.
Robinson Damasceno dos Reis
Belo Horizonte, MG

 

Agricultura

O que mais chama atenção no agronegócio brasileiro não é apenas seu estágio atual de vanguarda, mas o fato de ele apresentar ainda o maior potencial de crescimento do planeta. Em contraposição a essa realidade, o setor vive momentos delicados e apreensivos, gerados especialmente pela total falta de sintonia das políticas públicas praticadas pelo governo federal (exceção feita ao Ministério da Agricultura). Nesta safra, corre-se o risco de sofrer uma espécie de "apagão no campo", em virtude da falta de investimentos em infra-estrutura básica para o escoamento e o armazenamento da nova colheita recorde que se aproxima ("O tamanho do Brasil que põe a mesa", 3 de março).
Wiliam Tabchoury
Piracicaba, SP

Não tenho um palmo de terra. Sou, portanto, um sem-terra. Também não tenho um canal de televisão (o governo não me dá). Não tenho emissora de rádio (o governo é quem as distribui). Mas sou dos que concordam em gênero, número e grau com o que está dito na reportagem "O tamanho do Brasil que põe a mesa". Acho que o governo precisa distribuir melhor o que possui e deixar as coisas dos outros.
Moacyr Serodio
www.agroin.com.br

O gráfico da reportagem está tão perfeito que sozinho bastaria para compreendê-la. Meus parabéns ao jornalista que o criou.
Dazilia M.A. Ribeiro
Vitória, ES

 

Inflamação crônica

Excelente a reportagem "A dorzinha que vira doença" (25 de fevereiro), sobre as inflamações crônicas que podem aumentar os riscos de infarto e câncer. Como sócio da Sociedade Brasileira de Periodontologia (Sobrape), fiquei contente ao perceber que uma revista tão séria como VEJA já considera as doenças periodontais inflamatórias (gengivite e periodontite) potenciais agravantes das doenças cardiovasculares.
Silvio Amadeu Nassar Pardo
São José do Rio Preto, SP

 
AGRADOU A PAIS E FILHOS

A reportagem de capa "A tirania adolescente" (18 de fevereiro), que defendeu a tese de que os pais devem impor limites aos filhos, recebeu um número expressivo de cartas dos leitores: 236. Num tema tão polêmico, o normal é que as opiniões se dividam, mas nesse caso a balança pendeu fortemente para um lado. Oitenta e quatro por cento dos comentários que chegaram à redação eram favoráveis ao conteúdo da matéria. Apenas 13% dos leitores discordaram das teses nela apresentadas. Suelly Maux, de Porto Alegre, por exemplo, é mãe de uma menina de 8 anos e ratificou o que foi publicado. "Penso que carinho, diálogo, firmeza e disciplina são norteadores para a criação de cidadãos neste mundo plastificado", diz ela.

 
COMO E QUANDO CANTAR O HINO


A respeito da nota da seção Pergunte ao Guia (3 de março) que tratou da postura adequada para ouvir a execução do Hino Nacional, o leitor Marcos Moreira Ferraz, de Adamantina, São Paulo, enviou correspondência curiosa à redação. "A forma de cantar o Hino Nacional como foi estabelecida pelo legislador é missão quase impossível para quem não é músico", diz Ferraz. Ele destaca as dificuldades que o leigo enfrentará, se quiser andar dentro da Lei nº 5700, de 1º setembro de 1971:

• "Deve ser mantida e adotada a adaptação vocal, em fá maior, do maestro Alberto Nepomuceno."
• "O Hino Nacional será sempre executado em andamento metronômico de uma semínima igual a 120."
• "É obrigatória a tonalidade de si bemol para a execução instrumental simples."
• "Far-se-á o canto sempre em uníssono."

"Portanto, para sabermos se devemos cantar ou não o Hino Nacional, é só ficarmos atentos à tonalidade da introdução. Se for em si bemol, não deveremos cantá-lo, pois não haverá repetição da melodia para a segunda parte do poema. Porém, se a introdução for em fá maior, deveremos acompanhar a melodia do hino após sua introdução. Viram como é simples?", observa Ferraz.

 
 
 
 
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