Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Carta ao leitor
Para onde foi a renda


Diomicio Gomes/O Popular/AE
Desempregados: a face trágica da queda de renda

O gigantismo do Estado está na raiz das grandes distorções da sociedade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um estudo mostrando que as famílias brasileiras experimentaram no ano que passou a mais abrupta queda de renda em uma década e meia. Em doze meses, elas perderam 14% de seu poder de compra. Quando se levam em conta os últimos sete anos, descobre-se que a renda dos brasileiros ocupados, sejam eles empregados, empresários ou trabalhadores da economia informal, foi podada em 25%. Enquanto as pessoas ficavam um quarto mais pobres, o Estado aumentava na mesma proporção sua gula por mais recursos. Nas duas últimas décadas não houve dois anos seguidos de estabilidade ou de diminuição das despesas do governo. Elas só tenderam a aumentar. Como um aspirador de pó gigante, Brasília suga para seus cofres uma quantidade desproporcional de renda que poderia estar sendo usada pela sociedade para consumir, ativar a economia e gerar empregos.

Uma reportagem desta edição de VEJA mostra que esse processo está fragilizando ano a ano a base material da democracia, a economia de mercado. Todos perdem. Com a diminuição do nível de emprego e a estagnação econômica, os pobres estão dependendo cada vez mais do que os especialistas chamam de "mendicância institucional", a rede governamental e privada de programas assistencialistas que garante condições de sobrevivência mínima mas não dá a eles nenhuma esperança de progresso material. O estudo do IBGE que embasa a reportagem da revista mostra também um alarmante empobrecimento da classe média. Além da carga crescente de impostos, da escassez e do custo do crédito bancário, a classe média paga mais por produtos e serviços. Enquanto o custo de vida subiu 72% em sete anos, as despesas com saúde da classe média elevaram-se 147% e as com educação, 92%. Nenhum país do mundo se viabilizou como nação próspera sufocando o consumo e a atividade produtiva. Com o Brasil não será diferente. Por isso, é urgente inverter essa lógica cruel que nos condena a taxas medíocres de crescimento econômico.

 
 
 
 
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