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Carta
ao leitor
Para
onde foi a renda
Diomicio Gomes/O Popular/AE
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| Desempregados:
a face trágica da queda de renda |
O gigantismo
do Estado está na raiz das grandes distorções
da sociedade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) divulgou um estudo mostrando que as famílias brasileiras
experimentaram no ano que passou a mais abrupta queda de renda em
uma década e meia. Em doze meses, elas perderam 14% de seu
poder de compra. Quando se levam em conta os últimos sete
anos, descobre-se que a renda dos brasileiros ocupados, sejam eles
empregados, empresários ou trabalhadores da economia informal,
foi podada em 25%. Enquanto as pessoas ficavam um quarto mais pobres,
o Estado aumentava na mesma proporção sua gula por
mais recursos. Nas duas últimas décadas não
houve dois anos seguidos de estabilidade ou de diminuição
das despesas do governo. Elas só tenderam a aumentar. Como
um aspirador de pó gigante, Brasília suga para seus
cofres uma quantidade desproporcional de renda que poderia estar
sendo usada pela sociedade para consumir, ativar a economia e gerar
empregos.
Uma
reportagem desta edição de VEJA mostra que esse processo
está fragilizando ano a ano a base material da democracia,
a economia de mercado. Todos perdem. Com a diminuição
do nível de emprego e a estagnação econômica,
os pobres estão dependendo cada vez mais do que os especialistas
chamam de "mendicância institucional", a rede governamental
e privada de programas assistencialistas que garante condições
de sobrevivência mínima mas não dá a
eles nenhuma esperança de progresso material. O estudo do
IBGE que embasa a reportagem da revista mostra também um
alarmante empobrecimento da classe média. Além da
carga crescente de impostos, da escassez e do custo do crédito
bancário, a classe média paga mais por produtos e
serviços. Enquanto o custo de vida subiu 72% em sete anos,
as despesas com saúde da classe média elevaram-se
147% e as com educação, 92%. Nenhum país do
mundo se viabilizou como nação próspera sufocando
o consumo e a atividade produtiva. Com o Brasil não será
diferente. Por isso, é urgente inverter essa lógica
cruel que nos condena a taxas medíocres de crescimento econômico.
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