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Home  »  Revistas  »  Edição 2151 / 10 de fevereiro de 2010


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Televisão

Prendas domésticas

Ao contrário das figurantes que só serviam café nas novelas
de antigamente, as empregadas põem pimenta em Viver a Vida


Marcelo Marthe

Fotos divulgação
Ê, LÁ EM CASA...
Dora (Giovanna Antonelli) se entrega ao patrão: "Se quer trabalhar aqui, tem de fazer todo o serviço"


Quando cruza com marmanjos na rua, Thaíssa Carvalho - a empregada Cida da novela Viver a Vida - escuta muita conversa mole. "Eles dizem: ‘Meu bem, vem fazer uma faxina lá em casa’", conta a atriz. Thaíssa, cujo currículo não ia além de algumas pontas, conquistou visibilidade na Globo como a empregada que chantageia e provoca Gustavo (Marcello Airoldi), o marido infiel da patroa. Há outra doméstica apimentando a trama de Manoel Carlos: Dora, vivida por Giovanna Antonelli. Depois de salvar Helena (Taís Araújo) de um afogamento, ela obteve uma promessa de emprego como babá. Como Helena sofreu um aborto, Dora foi realocada para a função de "secretária do lar". Até agora, sua única ocupação consistiu em prestar favores sexuais ao patrão, Marcos (José Mayer). Na semana passada, o cafajeste ameaçou-a com a demissão caso não cedesse às suas investidas. "Se quer trabalhar aqui, tem de fazer todo o serviço da casa", disse.

 

FORMAS SUBSTANCIOSAS
Cida (Thaíssa Carvalho): na rua, os homens pedem à atriz: "Vem fazer faxina lá em casa"

Até meados dos anos 70, as empregadas só entravam em cena para servir cafezinho. Isso começou a mudar depois do milagre econômico do regime militar. "Albertina, papel da atriz Ruth de Souza na novela O Grito, de 1975, foi a primeira empregada com personalidade", diz o especialista em novelas Mauro Alencar. Nesta nova era de ascensão das classes C e D, as empregadas da ficção estão crescendo e enriquecendo. Em Cama de Gato, atual novela das 6, a heroína é Rose (Camila Pitanga), ex-faxineira convertida em empresária. Manoel Carlos foi um dos responsáveis por essa valorização. O tom de crônica de costumes de suas histórias leva-o a dar voz às moças do lar. Aliás, voz e corpão: Manoel Carlos criou Ritinha, personagem que virava a cabeça do patrão em Laços de Família (2000) - e que deu fama à atriz Juliana Paes. "Nas minhas novelas, esses são bons papéis para boas atrizes", diz o noveleiro (deve ser por isso que até uma cunhada do diretor Jayme Monjardim ganhou uma boquinha: Roberta Almeida vive a empregada Nice).

As representantes reais da categoria não gostam de enredos eróticos. "Mostrar empregada flertando com patrão só estimula o assédio", diz Ione Oliveira, dirigente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Ainda que façam piquete e passeata, é improvável que as empregadas de Viver a Vida mudem de perfil. Afinal, os assanhamentos de Cida e Dora sacodem a placidez da novela. Em troca do silêncio sobre o caso extraconjugal do patrão, Cida já ganhou dele TV, geladeira e MP3. Embora atice Gustavo, a morena não se entrega a ele. Sua intérprete, Thaíssa, tem 27 anos e é nutricionista. "Usei meus conhecimentos para fazer uma dieta de engorda. A Cida tinha de ter formas substanciosas", diz. Já a personagem de Giovanna vive no bem-bom. Dora e a filha dormem em quarto de hóspedes e ceiam com os patrões. Só mesmo no realismo de Manoel Carlos, convenhamos, uma patroa com juízo botaria aviões assim dentro de casa.

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