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O amor e as suas variantes, o sucesso e o insucesso no amor, a fidelidade e a infidelidade, são temas eternos. O que muda é a forma de lidar com o sentimento amoroso. Nós, hoje, não nos orientamos por regras prefixadas e também não inventariamos os casos possíveis acreditamos, pelo contrário, que cada caso é único, por mais que guarde semelhanças com outros. Com a descoberta do inconsciente, a ideia da particularidade de cada indivíduo se impôs. Sabemos que ninguém vive o amor da mesma maneira.
Também sabemos que o amor se apresenta como um enigma e nunca se deixa decifrar inteiramente ele é indissociável do não saber. Assim, no começo dos anos 80, quando um editor me pediu que escrevesse um livro sobre o tema, eu aceitei a proposta escrevi, porém, que não há como definir o sentimento amoroso. Usei, como epígrafe do livro, uma frase do poeta português Fernando Pessoa: "Anjo... de que matéria é feita a tua matéria alada?".
O caráter enigmático do amor é uma das razões pelas quais nós o amamos e não estranhamos a frase "Se você já não me ama, prefiro morrer". O amor nos faz ver o mundo com olhos de criança, ao oferecer surpresas e nos transportar. Amar é surpreender-se e surpreender-se é viver. Quem se dá conta disso acaba por entender a frase "Navegar é preciso, viver não", que Fernando Pessoa usou como epígrafe da sua obra poética. Ele se apropriou desse lema da Liga Hanseática que, na Idade Média, reunia militar e comercialmente 150 cidades europeias para falar de um assunto que hoje diz respeito aos nórdicos, aos portugueses, a todos.
A psicanalista e escritora Betty Milan assina a coluna Consultório Sentimental em Veja.com. Uma vez por mês, ela publica em VEJA um artigo especialmente escrito para a revista impressa
Acompanhe a coluna de Betty Milan em www.veja.com/bettymilan