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Home  »  Revistas  »  Edição 2151 / 10 de fevereiro de 2010


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Imagem da Semana

Os meninos perdidos da China

A política do filho único e acorrentado: pai amarra menino
para resguardá-lo de possível sequestro


Vilma Gryzinski

Chinafotopress/Zumapress.com

A foto do pequeno Lao Lu acorrentado a um poste numa rua de Pequim foi de cortar o coração – e de chamar atenção como poucas imagens conseguiriam sobre os inesperados desdobramentos da política de filho único. O pai do menininho, Chen Chuanliu, condutor de riquixá clandestino, disse que acorrentou o filho como último recurso para mantê-lo a salvo: a mãe, deficiente mental, não consegue tomar conta dele, e a filhinha do casal, de 4 anos, desapareceu recentemente. Será verdade? O sequestro de crianças na China é mais do que a costumeira lenda urbana – as estimativas variam de 10 000 a 70 000 casos por ano. As pequenas vítimas destinam-se a um mercado clandestino alimentado por pais desesperados pela falta do filho homem que 2 500 anos de confucionismo consagraram como obrigação familiar suprema. Ou, no caso das meninas, famílias rurais que não acham esposa para os filhos. Este, um problema demograficamente comprovado: a disparidade decorrente do controle populacional mandatório e da preferência pelos meninos projeta para 2020 um déficit feminino que produzirá 24 milhões de solteiros sem chance de casamento. Por causa do limite imposto com a política do filho único, a população chinesa começará a declinar por volta de 2026, quando nascerá o bebê que baterá a marca de 1,4 bilhão de pessoas. Será menino?
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