Imagem da Semana
Os
meninos perdidos da China
A política
do filho único e acorrentado: pai amarra menino
para
resguardá-lo de possível sequestro

Vilma Gryzinski
Chinafotopress/Zumapress.com
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A foto do pequeno Lao Lu acorrentado
a um poste numa rua de Pequim foi de cortar o coração
e de chamar atenção como poucas imagens conseguiriam sobre
os inesperados desdobramentos da política de filho único. O
pai do menininho, Chen Chuanliu, condutor de riquixá clandestino, disse
que acorrentou o filho como último recurso para mantê-lo a salvo:
a mãe, deficiente mental, não consegue tomar conta dele, e a filhinha
do casal, de 4 anos, desapareceu recentemente. Será verdade? O sequestro de crianças na China é mais do que a costumeira
lenda urbana as estimativas variam de 10 000 a 70 000 casos
por ano. As pequenas vítimas destinam-se a um mercado clandestino alimentado
por pais desesperados pela falta do filho homem que 2 500 anos de confucionismo
consagraram como obrigação familiar suprema. Ou, no caso das meninas,
famílias rurais que não acham esposa para os filhos. Este, um problema
demograficamente comprovado: a disparidade decorrente do controle populacional
mandatório e da preferência pelos meninos projeta para 2020 um déficit
feminino que produzirá 24 milhões de solteiros sem chance de casamento.
Por causa do limite imposto com a política do filho único, a população
chinesa começará a declinar por volta de 2026, quando nascerá
o bebê que baterá a marca de 1,4 bilhão de pessoas. Será
menino? |