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CABEÇA Elenita: citações de Clarice Lispector, jargão acadêmico e palavrões |
Depois do último paredão do Big Brother Brasil, o apresentador Pedro Bial especulou sobre as razões da eliminação de Tessália a dissimulada Twitess, microestrela do serviço de microblogs Twitter. "Você achava o programa um lixo. Mas, quando a gente entra no lixo, tem de meter a mão, pois o lixo é reciclável", pontificou. Pois bem: a julgar pela regra do sempre sábio Bial, já se pode divisar uma séria candidata a vencedora do programa. De todos os participantes, Elenita, doutora em linguística única e orgulhosa representante da classe acadêmica no confinamento , é a figura que mete a mão no lixo com mais desprendimento. "Elenita é um para-raios de barracos", diz o diretor Boninho. E nunca se viram tantos barracos como nesta décima edição. Com dois gays, uma lésbica, dois pitboys, uma policial e a tal doutora em linguística, o programa é vendido como o "BBB da diversidade" mas seria melhor rebatizá-lo de "BBB da animosidade".
Natural de Brasília, 30 anos, doutora pela Unicamp, Elenita envenena a atmosfera da casa com suas teorizações sobre o comportamento dos colegas (e o pior: sua presença é pretexto para Bial pirar ainda mais na maionese). Volta e meia, recorre a expressões do jargão das faculdades de letras como "intertexto", termo que a crítica búlgara Julia Kristeva consagrou. Quando os ânimos se exaltam, contudo, Elenita vira uma leoa em especial, se acha que estão insinuando que é gorda (quando, claro, seu problema é apenas usar roupas sempre um número menor do que o recomendado, daí as sobrinhas para lá e para cá). Num arranca-rabo com a dançarina Lia, a doutora trocou as citações de Clarice Lispector por uma fieira de palavrões. Ao tomar as dores da policial Maroca numa refrega com o ex-modelo Eliéser, teve um arroubo feminista. "Você enlouqueceu, surtou, botou seu peito para fora como um pavão. Não sei com que tipo de mulher você está acostumado, mas não é o meu tipo", afirmou. "Ainda bem", replicou o rapaz.
A tese de doutorado de Elenita ilustra um pendor esotérico vigente nos departamentos de ciências humanas. Intitulada "Descendo a toca do coelho: linguagem, ética e a questão da verdade", não cita Kristeva, mas parece escrita em búlgaro. A páginas tantas, lê-se a seguinte indagação: "Em um contexto de verdades diversas e teorias diversas, em um contexto em que a existência de instâncias desprovidas de representação são cada vez mais questionadas, qual o lugar de uma teoria que reserva espaço para momentos de impenetráveis?". Elenita é militante pró-gay: criou aquela que é apontada como a maior comunidade virtual brasileira contra a homofobia. Na semana passada, deixou escapar no programa que já namorou uma mulher. "Deve ter sido uma aventura passageira. A gente tem quase certeza de que a Elenita não é bi", diz seu irmão, Ítalo Rodrigues. A cada dia, a primeira impressão de Boninho sobre a doutora se reforça: "Essa mulher vai dar trabalho".