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Edição 1990 . 10 de janeiro de 2007

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
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VEJA Recomenda

CINEMA

Uma Noite no Museu (Night at the Museum, Estados Unidos, 2006. Estréia nesta sexta-feira no país) – Larry (Ben Stiller) arruma emprego como guarda-noturno no Museu de História Natural de Nova York, em substituição aos três velhinhos que ocupavam o posto. Acha que vai ser moleza. Mas, para sua surpresa (e pânico), descobre que, sempre que o sol se põe, todas as peças do acervo ganham vida, do esqueleto de dinossauro aos minúsculos personagens dos dioramas que mostram a conquista do Oeste. Os adultos podem se queixar (com razão) do entrecho previsível e sentimental – Larry precisa provar para o filho pequeno que não é um fracassado. Já as crianças não darão a mínima para esse defeito, e vão se divertir muito com a realização dessa fantasia infantil. Veja cenas.

O Planeta Branco (La Planète Blanche, França/Canadá, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no país) – As comparações entre esse documentário e o também francês A Marcha dos Pingüins são inevitáveis. Alguns fatos, então, a respeito: esse registro da vida das espécies árticas ameaçadas pelo aquecimento global já estava em progresso quando aqueles adoráveis imperadores seduziram a platéia; sua narração é bem menos melosa que a de seu "rival", e, do ponto de vista científico, ele é um bocado mais sólido; e certamente não faltam aqui imagens estupendas e criaturas encantadoras (como os ursos-polares) ou exóticas (como os narvais). A voz da narração pertence ao explorador Jean-Louis Étienne, o primeiro homem a chegar sozinho, e a pé (ou melhor, sobre esquis), ao Pólo Norte, em 1986.

 

LIVROS

Diários de Viagens ao Rio de Janeiro, de Oswald Brierly (tradução de Pedro da Cunha Menezes; Andrea Jakobsson Estúdio; 150 páginas; 49,50 reais) – O viajante inglês Oswald Brierly visitou o Brasil três vezes entre 1842 e 1867 e registrou suas impressões em diários. Descobertas pelo diplomata Pedro da Cunha Menezes numa biblioteca na Austrália, essas crônicas do Rio de Janeiro do século XIX são editadas pela primeira vez. Na primeira viagem, o navio de Brierly chega ao Rio durante o Carnaval. Nas viagens seguintes, o inglês conhece Dom Pedro II e toma um sorvete com a Princesa Isabel. Esses preciosos registros são complementados por desenhos e aquarelas de Brierly, um pintor especializado em paisagens marinhas.

 
Hulton Archive/Getty Images

Tolkien: as origens dos contos de fadas

Sobre Histórias de Fadas, de J.R.R. Tolkien (tradução de Ronald Kyrmse; Conrad; 120 páginas; 29,90 reais) – Pela época em que começava a compor O Senhor dos Anéis, obra-prima da fantasia no século XX, o inglês J.R.R. Tolkien (1892-1973) escreveu um ensaio breve, mas muito penetrante, sobre os contos de fadas. Acadêmico de Oxford, Tolkien foi buscar as origens do gênero em fontes ancestrais como o épico Beowulf – e também examinou a relação dos contos de fadas com a obra de Shakespeare e até com o Evangelho. Sobre Histórias de Fadas revela o domínio que Tolkien tinha das mais diversas mitologias – qualidade que ele usou em O Senhor dos Anéis. O livro traz ainda um conto, Folha para Niggle, sobre as dificuldades de um pintor em traduzir sua visão artística na tela.

 

DISCOS

 
AFP

Jamiroquai: coletânea de qualidade

High Times: Singles 1992-2006, Jamiroquai (Sony/BMG) – A banda liderada pelo vocalista e compositor Jason Kay é daquele tipo que lança discos "equilibrados": entre as doze faixas, três são divinas, cinco são medianas e quatro ficam abaixo da crítica. Esse é um problema quase totalmente superado em High Times, coletânea com dezessete sucessos do grupo. Surgido no auge do movimento acid jazz (termo com que os ingleses batizaram seus artistas de soul music), o Jamiroquai angariou fãs com músicas que traziam uma influência forte do funk (caso de When You're Gonna Learn, do álbum de estréia) e namoros com a disco music (Little L). Em High Times, elas dividem espaço com hits como Cosmic Girl, além das inéditas Radio e Runaway – que, para variar, são medianas.

One Day It Will Please Us to Remember Even This, New York Dolls (Hellion) – Precursor do movimento punk e há muito finado, o New York Dolls voltou à ativa literalmente a pedidos. O grupo surgiu em 1972, tendo como destaques o cantor David Johansen, dono de uma voz e de uma atitude insolentes, e o guitarrista Johnny Thunders, criador de fraseados de guitarra memoráveis. Sucesso de crítica, mas fiasco de vendas, a banda terminou em 1977. Vinte e sete anos depois, o cantor inglês Morrissey assumiu a curadoria de um festival de música e exigiu a presença do quinteto. Eles retornaram aos palcos e se animaram a lançar mais um disco. One Day não tem os riffs de Thunders, morto em 1991, mas mostra que os Dolls ainda são bons compositores – e, de quebra, aprenderam a tocar.

 

OS MAIS VENDIDOS
COMENTÁRIO

O Afeganistão foi o grande tema editorial do ano passado. É o que mostra a lista dos livros mais vendidos de 2006 publicada ao lado. Escrito por um afegão radicado nos Estados Unidos, o romance O Caçador de Pipas foi o campeão no ranking de ficção, com 610 000 exemplares comercializados. O fenômeno se estendeu também à não-ficção. A reportagem O Livreiro de Cabul, da jornalista norueguesa Asne Seierstad, atingiu 133 000 unidades vendidas. Só não chegou ao topo do filão porque, segundo os números levantados por VEJA, foi superada em pouco mais de 5 000 exemplares por outro best-seller mundial, Marley & Eu, em que o americano John Grogan trata de sua convivência com um cão de estimação. O ano reafirmou ainda a força de dois pesos-pesados. O americano Dan Brown manteve seu latifúndio na lista de ficção. Figura na lista com quatro títulos, entre os quais O Código Da Vinci – que, apesar de ter chegado às livrarias originalmente em 2004, teve fôlego renovado pelo lançamento em DVD do filme homônimo. Já o americano James Hunter foi o campeão de vendas da auto-ajuda – e dos livros em geral – com O Monge e o Executivo. Além de alcançar a marca de 660 000 exemplares com a obra, vendeu outros 230 000 de Como Se Tornar um Líder Servidor, o quarto da categoria.

 

 

 
 
 
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