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Edição 1990 . 10 de janeiro de 2007

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Televisão
Astro-problema

Charlie Sheen é o ator mais bem pago
das sitcoms
americanas. E para fazer
o papel dele mesmo


Marcelo Marthe

Divulgação
Sheen, como o abominável solteirão da série: qualquer semelhança não é coincidência


Meses atrás, o ator Charlie Sheen teve um final de casamento barra-pesada. Sua ex, a atriz Denise Richards, o acusou de ser violento e viciado em pornografia. Declarou ainda que temia por ela e pelas duas filhas em razão de suas paranóias. Sheen mantinha um revólver a seu alcance, por medo de estranhos invadirem sua mansão. A gota d'água foi sua obsessão pelo assassinato da mulher do ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson – colecionava fotos de sua autópsia. Por menos roupa-suja, outros atores americanos viram a carreira ir para o brejo. Mas nada disso afetou seu cacife. Protagonista de Two and a Half Men, a série cômica de maior sucesso nos Estados Unidos atualmente, ele renovou seu contrato com a rede CBS em condições para lá de vantajosas. Com salário de 350.000 dólares por episódio, tornou-se o ator de comédia mais bem pago da TV americana. Enfim: de tão folclórico, seu mau comportamento passou a ser um trunfo. Em Two and a Half Men (exibida no Brasil pelo canal pago Warner), o ator interpreta uma paródia de si mesmo: um solteirão sexista, beberrão e mau-caráter que é obrigado a abrigar o irmão e o sobrinho em casa. Como o irmão é um zero à esquerda em matéria de mulher, Charlie cuida de dar dicas sórdidas de paquera ao sobrinho.

Sheen faz jus à fama de problemático. Nos anos 90, o ator afundou-se no álcool e nas drogas. Foi preso e quase morreu de overdose. Era também um mulherengo da pior estirpe. Quando o escândalo envolvendo astros de Hollywood e a cafetina Heidi Fleiss veio à tona, soube-se que ele havia dormido com 27 prostitutas agenciadas por ela. Filho de Martin Sheen, o intérprete do presidente americano na série The West Wing, ele teve um início de carreira meteórico, como protagonista de filmes como Platoon e Wall Street, mas depois se meteu numa série de fiascos de bilheteria. Em 2000, foi resgatado pela televisão. Ao assumir o posto do ator Michael J. Fox na série Spin City, foi tão bem-sucedido que a CBS decidiu dar-lhe um seriado próprio. O ator não deixa de se beneficiar da maré baixa das séries cômicas. A crise do gênero fica patente nos rankings de audiência, hoje dominados pelos dramas. Two and a Half Men diverte – mas, bem, chega a dar saudade da abilolada Friends. Nos tempos áureos das séries cômicas, aliás, um salário como o dele seria fichinha. Os astros de Friends ganhavam 1 milhão de dólares por episódio, quase três vezes mais que o astro-problema.

 
 
 
 
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