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Carta ao leitor
Crime sem castigo
Luludi/Ag. Luz
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| Parte da equipe* de VEJA: a impunidade é
o motor do banditismo |
Faz parte da tradição
de VEJA publicar, de tempos em tempos, um conjunto especial de reportagens
reunidas sobre um tema que sobressai pela relevância no presente
ou que aponta para mudanças de paradigmas para o futuro próximo.
Essas reportagens especiais proporcionam ao leitor uma visão
aprofundada das questões. Em agosto do ano passado, por exemplo,
a revista trouxe 97 páginas sobre a China, o país
que está para se tornar a maior economia do planeta. Neste
primeiro número de 2007, VEJA traz 41 páginas sobre
a mais avassaladora faceta da realidade urbana brasileira, o domínio
territorial de vastas porções das cidades e a superioridade
de fogo dos bandidos sobre os policiais.
A coordenação do
trabalho ficou a cargo de Mario Sabino, redator-chefe de VEJA. Ele
contou com a editora Thaís Oyama e uma equipe de nove repórteres.
O editor executivo Marcio Aith foi chamado a contribuir. Ao longo
de três meses, os jornalistas foram a campo conversar com
especialistas, ouvir histórias das vítimas e conhecer
melhor os próprios criminosos. Três repórteres
percorreram regiões de alto risco, como favelas cariocas
e as fronteiras ermas do Brasil com o Paraguai, a Colômbia,
o Peru, a Bolívia e o Suriname, por onde entram a droga e
as armas que alimentam facções como o PCC paulista
e o Comando Vermelho carioca. A revista enviou, ainda, um repórter
para visitar um presídio de segurança máxima
nos Estados Unidos que poderia servir de modelo aos congêneres
brasileiros.
Às vésperas do
fechamento do especial sobre crime, traficantes do Rio de Janeiro
desencadearam uma série coordenada de atentados na cidade.
Mais uma vez, os bandidos assombraram pela ousadia e crueldade.
Como sempre ocorre nesses episódios, uma maré de indignação
se levantou no país. Para que os índices de criminalidade
no Brasil baixem a patamares toleráveis, é preciso
erradicar a doença crônica da qual os atentados no
Rio são apenas manifestações esporádicas.
O nome dessa doença é impunidade. Seus males aparecem
junto com o despreparo e a leniência. Como mostra a reportagem
especial desta edição, o quadro ainda tem solução
desde que as autoridades passem a agir com inteligência, coragem
e persistência.
* De cima para baixo: Leonardo Coutinho
e Rafael Corrêa.
Thaís Oyama, Mario Sabino, Fábio Portela e Marcio
Aith.
Camila Pereira, Heloisa Joly e Érica Chaves
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