DISCOS
I
Am Not a Doctor, Moloko (Sum
Records) O duo formado pela cantora Roisin Murphy e pelo
DJ inglês Mark Brydon representa o lado mais saltitante
do trip hop. Esse gênero musical, surgido na Inglaterra
em meados dos anos 90, mistura batidas eletrônicas com a
habitual melancolia da Inglaterra. Os principais artistas de trip
hop, como Massive Attack e Portishead, capricham no ar de tédio
e nas melodias macambúzias. O Moloko é bem menos
sombrio. Não à toa, o duo já cedeu canções
para filmes como Batman & Robin
e comerciais de cigarro. Dos três
álbuns do Moloko que estão saindo no Brasil, I
Am Not a Doctor é o melhor.
Combina música experimental com belezinhas propícias
ao sacolejo casos de The
Flipside e Sing
It Back.
Intercontinental!
Quem Diria! Era Só o que Faltava!!!,
Itamar Assumpção (Atração Fonográfica)
O cantor e compositor paulista é uma espécie
de Carlinhos Brown que faz sentido. Suas letras podem ser percussivas
e baseadas em sonoridades, mas todos compreendem exatamente o
que ele está querendo dizer. Itamar também é
um dos poucos integrantes da vanguarda paulistana movimento
musical que chacoalhou a cidade nos anos 80 cuja obra não
envelheceu. Entre as cantoras que se renderam ao trabalho do compositor
estão intérpretes do quilate de Zélia Duncan
e Ná Ozzetti. Lançado originalmente em 1988, Intercontinental...
é um dos melhores trabalhos de Itamar. Transitando por
estilos como reggae, funk e samba, ele compõe pérolas
sobre o ciúme (Sutil), ecologia
(Adeus Pantanal) e
a vida cotidiana (Pesquisa de Mercado).
Divulgação/TV Cultura
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| Itamar:
obra que não envelhece |
LIVROS
Ali
e Nino, de Kurban Said (tradução
de Flávio Quintiliano; Nova Fronteira; 260 páginas;
33 reais) Publicado na Áustria em 1937, esse livro
foi um estouro na época de seu lançamento. Mas dois
anos depois, com o início da II Guerra, ele sumiu das prateleiras
em razão de sua temática, não muito cara
aos nazistas: o amor entre pessoas de religiões diferentes.
A obra só reapareceu na década de 70. É a
história do amor entre um muçulmano e uma católica,
que críticos já definiram como "tesouro escondido".
De leitura fácil e espantosamente atual em sua compreensão
do fundamentalismo islâmico, o livro tem um dado curioso:
a identidade de seu autor só foi descoberta há dois
anos. Said era pseudônimo de Lev Nussimbaum, um judeu que
usava nomes falsos para despistar os nazistas e circulava por
Berlim fantasiado de príncipe muçulmano.
Mefisto
Romance de uma Carreira,
de Klaus Mann (tradução de Erlon José Paschoal;
320 páginas; 32 reais) Levada às telas pelo
diretor húngaro István Szabó em 1981, essa
é a principal obra de Klaus e uma das mais importantes
da literatura alemã durante o período nazista. Escrito
em 1936, o livro conta a história de um ator disposto a
tudo para se dar bem na carreira até a fazer um
pacto com o diabo. A obra é inspirada na vida do ator e
diretor teatral Gustaf Gründgens. Homossexual, Klaus foi
apaixonado por ele. Mas levou um duplo golpe: Gründgens se
casou com sua irmã, Erika, e ainda acabou se aliando aos
nazistas. Filho do escritor alemão Thomas Mann, Klaus inicia
com Mefisto
o que seu pai terminaria brilhantemente, doze anos mais tarde,
com Doutor Fausto:
o aproveitamento da tradição literária alemã
na tentativa de compreender a barbárie do nazismo.
CINEMA
Divulgação
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| Babilônia
2000: visão original do Brasil |
Babilônia 2000 (Brasil,
2000. Estreou sexta-feira em São Paulo e no Rio)
Num país tão "documentável" (e tão
mal documentado) como o Brasil, o diretor Eduardo Coutinho merece
destaque: autor dos excelentes Cabra
Marcado para Morrer e Santo
Forte, ele é um dos poucos
cineastas capazes de formular uma visão ao mesmo tempo
original e verdadeira dos brasileiros. Babilônia
2000 não foge a essa regra.
Filmado nas favelas cariocas Babilônia e Chapéu Mangueira
por cinco equipes, em 31 de dezembro de 1999, o documentário
usa a virada do calendário como pretexto para que os moradores
do morro revelem aspectos inesperados de sua vida e suas expectativas.
DVD
Caixa
Alien (Fox) Desde que
o diretor Ridley Scott lançou Alien
O Oitavo Passageiro, em
1979, a combinação terror-ficção científica
nunca mais foi a mesma. Amparado por artistas do primeiro time,
o cineasta imaginou um futuro claustrofóbico, em que os
pesadelos mais primitivos do ser humano ganham forma. Ainda hoje,
muita gente tenta imitá-lo, mas só dois filmes se
comparam: o segundo e o terceiro episódios da série,
dirigidos respectivamente por James Cameron, de Titanic,
e David Fincher, de Seven
(o quarto é um fiasco). Já não era sem tempo,
portanto, que a série toda fosse editada em DVDs. Completa
a caixa um quinto disco, com um ótimo documentário
sobre o trabalho de concepção do primeiro Alien.
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Os
mais vendidos de 2000 Comentário
A lista de mais vendidos que VEJA publica nesta edição
traz os livros mais lidos pelos brasileiros ao longo de
2000. Trata-se de um bom indicador do comportamento do mercado
editorial no ano que passou. O destaque indiscutível
é a série Harry
Potter. Os três livros
da escocesa J.K. Rowling, assim que lançados, foram
direto para a lista e não saíram mais, sempre
ocupando os primeiros lugares. Outro que confirmou sua condição
de bruxo das livrarias foi Paulo Coelho. Da mesma forma
que o primeiro livro de Rowling, Harry
Potter e a Pedra Filosofal,
O Demônio e a Srta.
Prym ultrapassou a casa dos
200 000 exemplares vendidos. A marca é altíssima
para os padrões brasileiros, e mostra que a ficção
voltou a ganhar a preferência do consumidor, papel
que nos últimos anos vinha sendo ocupado pelos livros
de auto-ajuda. A Arte da Felicidade
Um Manual para a Vida
e As 48 Leis do Poder,
os mais vendidos entre os livros dessa categoria, por exemplo,
não ultrapassaram os 120 000 exemplares. Este último,
aliás, é uma auto-ajuda no mínimo curiosa:
o livro ensina o leitor a se tornar um mau-caráter
e a se dar bem no emprego puxando o tapete dos colegas.
De
maneira geral, é possível dizer que 2000 foi
bom para as editoras. Para se ter uma idéia, nenhum
livro com vendagem inferior a 45 000 cópias entrou
na lista de mais vendidos do ano. Antes, cerca de 30 000
exemplares bastavam para que uma obra fizesse parte da lista.
Outro fenômeno que se pôde notar foi a permanência
de títulos lançados em anos anteriores. É
esse o caso, por exemplo, de Estação
Carandiru. Mesmo publicado
em junho de 1999, o livro de Dráuzio Varella conquistou
o segundo lugar. Outro fenômeno é O
Sucesso É Ser Feliz,
de Roberto Shinyashiki. Editado em 1997, vendeu mais de
70.000
exemplares em 2000. Há que se destacar, ainda, o
estouro de Corações
Sujos, de Fernando Morais,
que foi lançado no fim de novembro e já alcançou
a marca de 48 000 exemplares, e de A
Fantásti(sum)ca História de Silvio Santos,
biografia chapa-branca do apresentador escrita por Arlindo
Silva. Em menos de dois meses, o livro vendeu mais de 55
000 unidades. O papel aceita tudo e o mercado também.
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