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A novela que hipnotiza o país

A ótima audiência de Laços de Família consagra
o estilo realista de Manoel Carlos, o craque
dos folhetins desbragados

João Gabriel de Lima e Marcelo Camacho

 
Divulgação/TV Globo
Vera Fischer e José Mayer: revivendo um amor do passado para salvar a filha doente

João Silva

Reprodução
A estrela com dois ex-namorados na trama, Tony Ramos (à esq.) e Reynaldo Gianecchini (à dir.): o primeiro ainda tem chances

A criança que Helena carrega no ventre é mesmo filha de Pedro, o Don Juan rural que se jacta de domar cavalos e mulheres no pasto de seu haras? Ou será do lamuriento Miguel, o livreiro sensível que quando fica deprimido vai para casa chorar na cama? Conseguirá Camila, que sofre de leucemia e precisa fazer um transplante de medula, encontrar um doador compatível? Quem será esse doador? Íris, a virgenzinha fogosa que está louca para conferir a maciez do gramado de Pedro? Ou o bebê de Helena, que ainda nem nasceu? E a prostituta Capitu? Entregará seu coração ao vacilante Fred, o grande amor de sua vida? Ou acabará nos braços do brucutu Orlando, o empresário que pode proporcionar-lhe uma vida de luxo e riqueza? Há várias receitas de novelas, mas a mais trivial – e antiga – é aquela que planta uma série de interrogações na cabeça do espectador para depois fornecer as respostas aos pouquinhos, ao longo de infinitos capítulos. É o caso de Laços de Família, o maior sucesso dos últimos tempos no horário das 8 mg slobo (na verdade, ao redor das 9 da noite). Mais de 32 milhões de brasileiros assistem a ela. Quanto mais o entrecho mirabolante se retorce, provocando surpresas, lágrimas e confusões, mais os índices de audiência sobem. A persistir nessa toada, Laços de Família, cujo final está previsto para 2 de fevereiro, deverá atingir a média final de 46 pontos no Ibope, tornando-se o folhetim de maior audiência da emissora desde 1997, quando A Indomada marcou 48 pontos de média. É um feito e tanto, já que a partir daquele ano o horário nobre se transformou em palco de disputa acirrada entre os canais de TV aberta, com a ascensão de Ratinho, hoje no SBT, e outros programas populares. A novela também proporcionou à Globo seu maior pico de audiência em 2000. No capítulo em que Camila teve seu cabelo raspado, exibido em 11 de dezembro, 79% dos televisores ligados do país estavam sintonizados no folhetim (veja quadro).

O êxito de Laços de Família é o triunfo de um gênero e do estilo de um autor. O gênero é o folhetinzão desbragado, aquele marcado pelos parentescos desconhecidos que só se revelam no final, pelas paixões em cadeia no gênero Pedro-que-amava-Tereza-que-amava-Raimundo e pelas epopéias médicas com jeito de seriado americano. Além disso, várias situações que fizeram sucesso em novelas recentes reapareceram em Laços de Família, às vezes em dose dupla. Em Por Amor, também de Manoel Carlos, uma mãe, também chamada Helena – todas as protagonistas do autor têm o mesmo nome –, interpretada por Regina Duarte, se sacrificava pela filha. Em Laços de Família há duas mães exemplares. A Helena de Vera Fischer, que abre mão do amor de Edu (Reynaldo Gianecchini) em favor de Camila (Carolina Dieckmann), e a Capitu de Giovanna Antonelli, que se prostitui para garantir o futuro do filho pequeno. Em Explode Coração, de Glória Perez, o romance entre uma mulher madurona e um quase-adolescente, vividos respectivamente por Renée de Vielmond e Rodrigo Santoro, provocou uma tremenda identificação com a audiência feminina (60% dos espectadores de novelas são mulheres) e fez o ibope estourar. Laços de Família mostrou dois casais similares: Helena-Edu e Alma (Marieta Severo) e Danilo (Alexandre Borges). O drama de Ataliba Timbó (Paulo Gorgulho), que sofria de impotência sexual, mobilizou os espectadores em Fera Ferida. O Viriato de Laços de Família, interpretado por José Victor Castiel, padece de mal semelhante. Mudaram apenas as estratégias das mulheres para estimular os maridos. A de Viriato recorre a danças sensuais. A de Timbó preferia a culinária afrodisíaca.

Laços de Família, como já se disse, é também a vitória do estilo de um autor: o realismo de Manoel Carlos, que nada tem a ver com as novelas de conteúdo político-social que pipocaram na esteira da redemocratização do país. No time de novelistas da Globo, cada um tem uma especialidade. Gilberto Braga é o cronista do grand monde, com seus personagens milionários que vivem em mansões cinematográficas. Benedito Ruy Barbosa é o craque dos dramas rurais, ambientados em fazendas próximas a paisagens exuberantes. Manoel Carlos, por sua vez, é o artífice das tramas em que a grande protagonista é a classe média. Em suas novelas não há uma disparidade grande entre ricos e pobres. Todos são mais ou menos remediados, mais ou menos parecidos com o grosso dos telespectadores das novelas da Globo. "O sujeito que acompanha as minhas tramas gosta de reconhecer ali situações parecidas com as que ele vive e personagens semelhantes aos seus próprios parentes. Eu me empenho para que ele não se decepcione", diz Manoel Carlos. Enquanto na maior parte das novelas se tem a impressão de que todo mundo vive num ócio permanente – os personagens só aparecem em cenas de amor ou futricando a vida alheia –, nas de Manoel Carlos eles são mostrados indo à padaria, abrindo uma conta no banco ou dirigindo o carro para ir ao trabalho. A pesquisa qualitativa sobre Laços de Família encomendada pela Globo demonstra que o autor acerta em cheio ao aproximar a novela do cotidiano mais comezinho. Segundo esse levantamento, uma das maiores razões para o sucesso do folhetim é o fato de o espectador achar a trama verossímil e os personagens críveis.

 

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