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Onças em São Paulo

Elas estão a menos de 20 quilômetros
do centro, na floresta da Cantareira

Ricardo Villela

 
Fotos Fernando Pereira/Base

Presentes na lista de animais ameaçados de extinção editada pelo Ibama, onças-pardas têm dado as caras num ambiente para lá de improvável: o município de São Paulo. Guardas florestais do Parque Estadual da Cantareira, cuja maior porção fica dentro de São Paulo e do município vizinho de Guarulhos, já acharam pegadas e ouvem roncos de onças no meio da mata. Um turista teria até fotografado uma delas, atrás de um arbusto, num instantâneo em que só se vê com nitidez o rabo do bicho. Quatro meses atrás, veio a prova definitiva da presença das feras. Uma onça-parda fêmea de aproximadamente 2 anos foi morta por atropelamento dentro do território da capital, na Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte e corta o parque ao meio. "Ultimamente, os registros de onça se tornaram freqüentes", diz Astor Pereira Mathias, encarregado da fiscalização na Cantareira.

No passado, a onça-parda chegou a viver em praticamente todo o território nacional. Hoje, segundo os registros oficiais, sua presença se restringe ao Pantanal, à Amazônia e a umas poucas reservas. Ainda não se sabe ao certo por que essas andam tão próximas de uma cidade com 10 milhões de habitantes. Como usualmente cada indivíduo precisa de 20 quilômetros quadrados para viver, a floresta da Cantareira, com 80 quilômetros quadrados, pode abrigar uns quatro exemplares. "A idade da onça acidentada é sinal de que há pelo menos um macho e uma fêmea reproduzindo na área", diz o biólogo Paulo Auricchio, diretor do Instituto Pau Brasil, uma organização não governamental. A Cantareira tem a mais alta concentração do mundo de bugios, macacos que servem de alimento para as onças. Com fartura de comida, pode até haver mais animais vivendo em áreas menores que o esperado. A direção do parque pretende promover pesquisas sobre as onças com rastreamento por rádio. Por enquanto, o que se sabe sobre as suçuaranas (o outro nome do bicho) só é suficiente para criar emoção entre os visitantes do parque.

 

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