Stress engorda
Tensão
libera hormônio que
impede
emagrecimento
Consuelo
Dieguez
Oscar Cabral
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| Cilene:
além da dieta, mais tempo para o lazer e relaxamento |
O stress tem sido apontado como responsável por boa parte
das doenças que afligem o homem moderno. Agora, entra na
lista de mazelas mais um (e terrível) efeito colateral: o
stress engorda. E não apenas porque o estressado costuma
atirar-se avidamente sobre uma torta de chocolate. Num processo
perverso, a vítima pode engordar mesmo com a boca fechada.
O processo corre a sua revelia, porque a tensão contínua
faz o organismo liberar, em maior quantidade, dois hormônios
responsáveis pela obesidade –
a adrenalina e a cortisona. Quanto mais tensão, maior o risco
de engordar. Pior. Esse tipo de obesidade invariavelmente desencadeia
doenças como diabetes, hipertensão arterial, infarto
e derrame.
Ganhar
peso é conseqüência conhecida por quem toma remédios
à base de corticóides. Mas só recentemente
foi estabelecida uma associação direta entre o nível
de cortisona, o stress e a obesidade. O autor da descoberta é
o médico Per Björntorp, do Departamento de Doenças
do Coração da Universidade Göteborg, na Suécia,
que esteve em dezembro no Rio de Janeiro para um congresso de endocrinologia,
no qual apresentou sua pesquisa aos brasileiros. Ao analisar a taxa
de cortisona em pessoas submetidas à mesma carga de stress
durante um dia normal de trabalho, Björntorp descobriu que
algumas liberavam muito mais hormônio que outras. O teste
foi feito com a coleta de saliva em várias fases do dia,
e o resultado foi surpreendente.
O médico
observou a existência de três grupos. No primeiro, o
nível de cortisona subiu em situações estressantes
e logo voltou ao normal. Nesse grupo estavam indivíduos magros
e sem problemas de colesterol ou açúcar. No segundo,
a taxa cresceu muito e demorou a regredir. Foram registradas alterações
de colesterol, açúcar e pressão arterial, além
de maior número de obesos. No terceiro grupo, o nível
de cortisona manteve-se alto. Foi ali que houve maior incidência
de problemas de peso, pressão arterial e taxas altas de colesterol
e açúcar. Quando investigou as razões de tamanha
variação, o médico descobriu que as pessoas
mais sensíveis ao stress têm alterações
no gene receptor da cortisona.
As
pesquisas de Björntorp ganharam, recentemente, um reforço
importante. A equipe do endocrinologista Amélio Godoy, do
Instituto de Endocrinologia e Diabetes do Rio de Janeiro, decidiu
averiguar o comportamento das glândulas supra-renais –
que secretam hormônios responsáveis pelo metabolismo
–
em pacientes com obesidade provocada por stress. Godoy verificou
que, se muito estimuladas pela produção de cortisona,
essas glândulas, que ficam acima dos rins, aumentam de tamanho.
Por esse motivo, a gordura concentra-se no abdome. A equipe de Amélio
Godoy descobriu ainda que, em boa parte dos casos, as pessoas que
têm esse tipo de obesidade engordaram a partir de choques
emocionais, como a perda de um parente querido.
"Em
muitos casos, identificamos um gatilho para desencadear a obesidade",
explica Godoy, que divide o stress em dois tipos. No primeiro, a
tensão instala-se, mas existe reação para sair
de uma situação incômoda. No outro, está
o grande perigo. As pessoas simplesmente desistem de lutar. Normalmente,
quem reage dessa forma cai em depressão e sofre das mesmas
alterações nos níveis de cortisona provocadas
pelo stress, com idênticas conseqüências: desequilíbrio
nas taxas de colesterol e de açúcar e obesidade. Por
isso, Godoy considera fundamental os médicos reconhecerem
que o stress e a depressão levam à obesidade. "A reação
de muitos profissionais é dizer que o paciente está
gordo porque come demais", diz. O resultado são regimes severíssimos
ou cheios de modismos. Mas a verdade é que outros fatores
podem estar contribuindo para a gordura. O paciente pode não
mostrar um quadro de stress ou de depressão, mas estar vivendo
"na penumbra da doença", como diz Godoy.
O
tratamento indicado para esse tipo de obesidade não se restringe
à orientação alimentar. Inclui táticas
de defesa contra a tensão, como mais tempo para o lazer,
relaxamento, terapia e até o uso de um antidepressivo moderado.
A administradora de empresas carioca Cilene Cukierman, de 51 anos,
já havia tentado vários tipos de dieta. Ela costumava
engordar justamente nos momentos de maior tensão, como quando
seus filhos foram morar sozinhos. Cilene iniciou um tratamento com
Godoy há um mês e, além de fazer dieta, está
tomando antidepressivo. Já emagreceu 10 quilos. "Nunca vou
ser modelo, mas quero me sentir bem com o meu corpo. E isso está
começando a acontecer", comenta.
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Sinais
de alerta
Os
sintomas abaixo são
característicos da obesidade provocada por stress.
Se tiver qualquer um deles, procure um médico
Gordura mais concentrada na região do abdome, nas
coxas e nos braços
Doenças cardiovasculares, hipertensão arterial
e
diabetes
Depressão
Fome
compulsiva à noite
Aumento
de peso após algum trauma, como separação,
morte de
parente próximo, desemprego
Fonte:
Instituto de Endocrinologia
e Diabetes do Rio de Janeiro
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